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“Não basta apenas pedir desculpas”, diz pesquisador sobre missões cristãs em aldeias indígenas

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Jamais a expressão jornalística ‘entrevista de gaveta’ caiu tão bem com o que vos apresento, caras, caros e cares internautxs. O que segue para nosso deleite é uma troca de e-mails que tive com o professor doutor Estevão Fernandes da Universidade Federal de Rondônia em 2015.

Dois anos depois, ele se destaca na imprensa e no mundo acadêmico apresentando suas pesquisas sobre as questões de gênero e sexualidade em um contexto indígena. Recentemente redescobri esta entrevista em meus arquivos e eu os apresento.

A entrevista é longa, já adianto. Ela foi feita no contexto de 2015, na ocasião o Papa Francisco pedia perdão pelas violações contra pessoas LGBTQIA+.

Sem dúvida vale a leitura.

Em seu texto “Homossexualidade Indígena no Brasil: desafios de uma pesquisa” você fala sobre a existência, no Brasil, de diversas referências às sexualidades indígenas operando fora do modelo heteronormativo desde a colonização. Em que ponto estão as pesquisas que dão luz às questões de gênero nas populações indígenas brasileiras?
Bastante avançadas, mas, ainda assim, com muito a se desenvolver. Dito de forma bastante genérica, há diversas linhas de pesquisa sobre o tema.  Temos pesquisadoras, e me refiro aqui particularmente à antropologia, que apontam para a importância dos estudos de gênero em povos indígena, com perspectivas bastante inovadoras, as professoras Cecília McCallum e Vanessa Lea certamente são referências a quem queira trabalhar o tema. Esta linha de pesquisa dialoga diretamente com os avanços da etnologia brasileira e da teoria antropológica mais recente.  Além dessa perspectiva, temos outras autoras, como Ângela Sacchi, por exemplo, que buscam trabalhar gênero em povos indígenas com um diálogo mais direto com os movimentos de mulheres indígenas. Esse tipo de perspectiva é bastante interessante, por dar visibilidade a um segmento do movimento indígena que foi, historicamente, esquecido por antropólogos, organizações indigenistas e, por vezes, pelo próprio movimento indígena. Digo isso generalizando, claro, mas fato é que os movimentos de mulheres indígenas não alcançaram historicamente, no Brasil, uma visibilidade que fizesse frente à enorme importância que sua luta representou e representa pela conquista dos direitos indígenas no país. Haveria aí uma série de hipóteses para essa invisibilidade e algumas pesquisadoras pelo país vêm buscando recuperar essa trajetória (Ana Aline Furtado Soares, por exemplo, vem realizando um excelente trabalho junto às mulheres Tapeba, em Caucaia, CE). Nesse sentido, caso um dos leitores do Esquerda Diário tenha interesse no assunto, recomendo o excelente artigo da Prfoa. Maria Rosário de Carvalho, “A questão do gênero em contextos indígenas” e da Profa. Cecília McCallum “Notas sobre as categorias ‘Gênero’ e ‘Sexualidade’ e os povos indígenas” Temos, ainda, vários trabalhos sobre indígenas queer sendo escritos ou redescobertos, autores como Luiz Mott, Martinho Tota, Paulo de Tássio Silva, e eu mesmo, que chamam a atenção para a heteronormatividade como uma das pedras angulares do processo de colonização. Penso, contudo, que podemos avançar ainda em alguns pontos. Um deles é uma maior interlocução com estudos e escritos de indígenas e pensadoras latino-americanas – uma autora que vem fazendo isso com bastante êxito é a Profa. Rita Laura Segato. Alguns canais importantes, como a Revista Estudos Feministas oferecem excelentes recursos a quem queira se inteirar sobre o tema, mas, apesar disso, ainda sabemos relativamente muito pouco sobre o que acontece na América Latina.

Você cita, no mesmo texto, uma série de ‘nomenclaturas’ usadas pelos próprios indígenas para definir membros que praticam relações com outros do mesmo sexo. Tais termos como tibira, çacoaimbeguira, cudinhos, kudina, guaxu… são usados de forma pejorativa, com injúria, ou não?
Boa parte desses nomes referem-se mais a papéis sociais do que a práticas sexuais, somente. Infelizmente os registros sobre o tema são, apesar de vários, bastante breves e pouco aprofundados, mas todos trazem em comum uma ideia que pode ser resumida da seguinte forma: o que chamamos hoje de homossexualidade era aceito como algo comum em várias etnias no Brasil. A carga pejorativa veio ao longo do processo de colonização que se estende até hoje. Dessa forma, seja pela ação de missionários, nas escolas, nos processos de “nacionalização”, “integração”, “pacificação”, ou qualquer nome que se dê às formas de incorporação compulsória dos povos indígenas ao sistema moderno/colonial/capitalista/patriarcal; ou mesmo no convívio cotidiano com os diversos agentes do contato, o lugar de enunciação dos povos indígenas, suas sexualidades, cosmologias, religiosidades, etc, foi sendo sistematicamente apagado, subalternizado e violentado. Historicamente, o que se buscou até recentemente, foi transformar o indígena em um trabalhador braçal pobre, com uma família nuclear adequado ao modelo hegemônico, cristão e heterossexual. A colonização é misógina, racista e homofóbica. Veja bem, eu disse “é”, e não “foi”, pois as estruturas de poder, de ser e de saber tornaram o projeto colonial algo possível ainda persistem, tendo sido invisibilidades e incorporados às relações que se mantêm com os povos indígenas no Brasil, ainda hoje. Nesse sentido, o que se vê é o surgimento de casos de injúria, preconceito, agressões e suicídios envolvendo jovens indígenas homossexuais no Brasil.

Como são as relações entre pessoas do mesmo sexo nas comunidades indígenas? De algum modo, é possível afirmar que existem relações sociais de afeto e aproximação entre índios que se relacionam com o sexo diferente e aqueles que praticam uma sexualidade com parceiros do mesmo sexo?
Cada etnia é uma realidade diferente, e com a sociodiversidade que temos no Brasil, não arrisco dar uma resposta. Além disso, há pouquíssimas pesquisas sobre o assunto no país. Uma das poucas que conheço é o excelente texto de Patrícia Carvalho Rosa (Unicamp) publicada na Cadernos Pagu n.41, em 2013 (disponível aqui) sobre o relacionamento entre duas primas Tikuna (AM) e a forma como isso é visto naquela sociedade. Acho que o texto oferece uma direção bastante promissora para os estudos a esse respeito, e espero que, a medida que as pesquisas avancem, possamos ter uma perspectiva mais realista sobre essas questões.

Em sua pesquisa, você faz um paralelo entre a experiência indígena norte-americana com a nossa.  Onde, assim como aqui, as sexualidades fora do modelo europeu-cristão foram também perseguidas por portugueses, ingleses, franceses e espanhóis. Não raro, nos deparamos com notícias onde citam expedições de religiosos à aldeias para disseminar o cristianismo. Tal colonização cristã ainda continua? E como se dá, atualmente, tal catequese e expansão do pensamento cristão e imposição de uma sexualidade padrão branca no meio indígena?
Há um caso que ilustra bem isso. Trata-se do caso que Luiz Mott chamou de “o índio tibira do Maranhão” (tibira é a denominação que os Tupinambá davam aos indivíduos homossexuais do sexo masculino): o padre Yves D’Evreux narra a brutal execução de um indígena, por sua homossexualidade, no início do séc. XVII – ele teve seu corpo amarrado a uma bala de canhão, que foi atirada, partindo seu corpo em dois. No início da colonização, havia um tronco localizado no centro dos aldeamentos missionários para punir os indígenas que andassem nus, fossem polígamos, faltassem a missa ou praticassem “sodomia”. Mas não precisamos ir tão distantes para termos relatos assim: Gersem Luciano dos Santos (índio Baniwa, AM) narra, em sua tese de Doutorado, como ele e um conjunto de amigos foram castigados por um padre por serem acusados de homossexualidade (“algo que só na mente dele [do padre] se passava, uma vez que, para os Baniwa, viver coletivamente  é regra básica”). Ysani Kalapalo, participando do X congresso LGBT em 2013, relata que para os Kalapalo, até a chegada dos missionários, o relacionamento entre mulheres era algo comum. Mesmo na fala de várias lideranças indígenas, ainda hoje, se percebe uma carga pejorativa no que diz respeito à homossexualidade. É bastante provável que isso se deva não apenas à ação missionária nas aldeias, mas também à própria gênese do movimento indígena brasileiro, estreitamente ligado a movimentos da igreja católica. A ideia de “sodomia” é, em si, bastante emblemática nesse sentido. Se lermos a passagem de Gênesis 19 (destruição de Sodoma) com Juízes 19 (história na qual, assim como em Sodoma, também há uma tentativa de estupro coletivo sobre um homem), veremos como as duas se parecem; mas a Sodomia (categoria surgida no século XI, por São Pedro Damião) “pegou”, e penso que isso se dê por uma razão: não se trata a história de Sodoma de homossexualidade. Selermos as passagens bíblicas que se referem a Sodoma e Gomorra com atenção, veremos que se trata de uma história sobre punição divina pela desobediência. Além disso, trata-se de uma punição sobre o coletivo por ações individuais, ou seja: não importa se você é um bom católico praticante, se seu vizinho não for, você pode morrer por causa dele! Isso é uma ideia poderosa, pois ela legitima um policiamento moral das condutas individuais, com o argumento de que disso dependa a sobrevivência do grupo. Se pararmos para pensar, essa ainda é o argumento usado por políticos, pastores, e setores mais conservadores da igreja católica, para justificar seus posicionamentos contra o combate a homofobia, por exemplo. Ou seja, isso não se restringe às aldeias.

Boa parte do que chamamos de Estudos de Gênero são pesquisas consideradas avançadas e produzidas na Europa e Estados Unidos. Entretanto, aqui cabe uma crítica, são estudos focados em um sistema ético-político bastante estruturado de uma moral europeia secular. O filósofo espanhol Paul B. Preciado nos alerta, por exemplo, que a patologia da sexualidade começa no século XVI. No que você acredita que o estudo de culturas não contaminadas por tais sistemas éticos que tornam a sexualidade um importante controle do corpo e do social chaves para o entendimento de outros modos de nos relacionar pode colaborar para uma sociedade menos violênte e controladora dos corpos, afetos, expressões e suas identidades?
Sinceramente, nunca parei para pensar nisso – e certamente não dessa forma. É uma perspectiva interessante. algo que me chama a atenção é o fato de que em várias das etnias pesquisadas até aqui, se um indígena pratica sexo com pessoas do mesmo sexo aquilo não é uma questão. Outras coisas são mais importantes: suas habilidades manuais, a atenção que dá aos seus parentes, se é trabalhador etc.

Ao observar seu histórico de orientações e participação em bancas de trabalhos acadêmicos é possível perceber o pouco interesse de estudantes e pesquisadores na pesquisa científica que busca explorar a sexualidade no contexto indígena. Quais são os problemas que você acredita para a realização de tais pesquisas: falta de interesse dos discentes, ou preconceito por parte da acadêmia?
Talvez um pouco das duas. Dito de forma franca e despretensiosa, acho realmente que o espaço para renovação das C. Sociais brasileiras está situado nas periferias da academia hegemônica. Não é a velha história de “complexo de primo pobre”, muito pelo contrário: temos aqui a possibilidade de incorporar, epistêmica e politicamente as falas daqueles alunos e colegas indígenas, quilombolas, camponeses, atingidos por barragens, ribeirinhos. Talvez o desafio seja realizar o que o semiólogo argentino, Walter Mignolo, chama de “giro epistêmico”. Agora, se há espaço para realizar esse giro na academia brasileira, são outros quinhentos. Trata-se de incorporar outras perspectivas de ética, estética, ser, saber, pensar ao próprio conceito de paradigma. Veja bem, não digo aqui transformar esses saberes em paradigma, pois isso equivaleria a destitui-los de sua originalidade, encapsulando-os em nossa perspectiva de paradigma. Sou muito mais radical, nesse sentido: acho possível e necessário tomar seus saberes em paradigmas. Assim, deixam de ser “saberes” e se tornam “conhecimento”. Deixam de ser um fim para se tornar um meio… Minha impressão geral é que a academia brasileira ainda reproduz em determinados setores, muito das relações de poder e hierarquia que estruturaram a construção da desigualdade no Brasil. Entretanto, sou otimista, acho que há vários espaços a serem conquistados – mas vai ser um processo longo, com certeza.

É possível adotar as praticas e performances da sexualidade indígena como reivindicação de uma cultura silenciada há séculos por meio de uma jornada civilizatória de grande devastação cultural? Ou, em outros termos, como as populações urbanas podem contribuir para o que você chama de ativismo homossexual indígena?
Se formos levar a sério o que dizem os ativistas two-spirit na América do Norte, não muito. Para eles, a crítica à homossexualidade compulsória é uma crítica anti-colonial. Segundo eles me disseram, eles têm muito mais a ver com um índio heterossexual brasileiro, do que com um branco homossexual norte-americano, posto que povos indígenas estiveram submetidos a relações de poder, violência, subalternização e invisibilidade subsumidos às relações coloniais que tornaram a heterossexualidade “o” padrão a ser seguido, assim, suas críticas são com relação a todo esse processo.

Em sua última visita à América Latina, o Papa Francisco pediu perdão pelos crimes cometidos pela Igreja Católica durante a colonização da América Latina. É possível, entre os crimes que a santidade trás à luz contemporânea, atribuir crimes de ódio contra a população indígena não-heteronormativas?
À luz do que dissemos anteriormente, com certeza, mas não basta apenas pedir desculpas pelos deslizes realizados anteriormente é essencial, sim, adotar outras práticas.

Como a Funai trabalha com essa população indígena?
Até onde pude constatar em minha pesquisa, nem Funai, nem ninguém desenvolve qualquer tipo de trabalho específico sobre o assunto. Pelo que ouvi, essas instituições são provocadas por demanda e, até onde sei, essas demandas não chegaram até esses órgãos. Tive notícias de que a Defensoria Pública da Paraíba foi a algumas aldeias após receber denúncias de agressões homofóbicas, mas, até onde sei, é uma das poucas iniciativas no Brasil a esse respeito.

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A culpa nunca é nossa

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Reprodução da internet

Aparentemente o que acontece em Brasília não é problema nosso. Assim que muitos de nós, cidadãos comuns e meros mortais, agimos frente aos escândalos expostos em praça pública.

O Distrito Federal longe de nós geograficamente, acaba por eximir de nós a responsabilidade que é também de todos. Tal pensamento só cede mais espaço para o avanço da corrupção dentro do governo e ainda nos dá o papel de conivência com o crime.

É fato que a corrupção está enraizada no cotidiano do brasileiro. Não vamos confundir o ‘jeitinho brasileiro’ com a carência do debate em torno da nossa ética, moral e valores culturais.

Uma profunda ferida está aberta e a ‘solução’ encontrada por muitos é dizer que ‘todo político é corrupto’, que todo ‘partido é corrupto’ como se os empresários fossem coitadinhos vítimas de um sistema que os autoriza serem corruptos.

Há que ser lembrado, que é muito importante. Todos somos seres sociais, e sendo seres sociais, somos político. Como ser um ser social sem utilizar da política para que esta sociabilidade ocorra?

Logo, afirmar que ‘todo político é corrupto’ é afirmar que você,um ser social e político, também é corrupto. Fica a reflexão, caro leitor, onde cabe a sua corrupção no dia a dia?

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Outra pergunta, aparentemente tão óbvia quanto a primeira, é qual a nossa responsabilidade na corrupção institucional praticada? Esta questão não deve estar relacionada a afirmação do nosso ‘poder de voto’, mas o próprio exercícios do voto pós-eleição.

Quais foram as motivações que fizeram você votar em determinada pessoa nas últimas eleições? Tais motivações estão em movimento de serem efetivadas no exercício do mandato do seu vereador, prefeito, governador estadual e federal, senador e presidente? O quanto você cobra diretamente os políticos que receberam seu voto?

As perguntas são muitas e as respostas, que não são poucas, só você pode responder. E não, eu não sou um exemplo. Confesso que de todos os cargos públicos que votei nas últimas eleições acompanho apenas uma vereadora de São Paulo, só agora entendi o quanto isso é importante e necessário para que a democracia seja sustentada de modo saudável.

Uma vez ouvi de um grande amigo a seguinte frase que cabe muito aqui: ‘precisamos entender que na política é assim, sempre haverá alguém para ocupar o lugar que negamos estar’. Depois, não culpe os corruptos.

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Quem governa o Brasil?

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Temer e Meirelles são premiados no LIDE (Grupo de Lideres Empresariais) – Foto retirada do portal R7

Em meio ao debate, incentivado pela mídia e a ignorância do papo de boteco, sobre quem é o partido e o político mais corrupto, perde-se a chance de nos perguntar: quem governa o Brasil?

A pergunta parece ter resposta óbvia. Mas, talvez, nunca tenha sido tão oportuna. Com a enxurrada de delações das operações da Lava Jato, o brasileiro comum, aparentemente, não percebeu que o Brasil, pelo menos desde antes do período da redemocratização pós regime militar, é governado não por aqueles que colocamos em Brasília, nos palácios dos governos de Estado ou nas prefeituras. O país é governado pelas empresas.

Sim, partidos e políticos são corruptos, assim como as empresas. Até o momento, não li nas análises de conjuntura alguém que levante a bandeira de que tanto JBS quanto Odebrecht e tantas outras envolvidas patrocinam ilegalmente com um objetivo bem claro, continuar lucrando a partir do dinheiro público.

Não li, ouvi ou assistir ao debate de que empresas, por meio de financiamento ilícito da política brasileira foi capaz de pautar o Congresso Nacional, comprar juízes, promotores, ministros, aprovaram emendas em pautas estratégicas do país: agronegócio, minas e energia e tantas outras pautas de interesse que afetam diretamente nosso cotidiano.

Falar de algo que acontece em Brasília parece distante da nossa realidade, mas não. Eu ainda recebo em casa minha conta de luz com o logo da Odebrecht. Só o caixa do departamento responsável pelas propinas dadas pela Odebrecht equivale ao PIB de três países.

As empresas compram os partidos e políticos não por preferência ideológica, todos e qualquer partido é alvo disso, se não foi até o momento é por não ter representatividade e potencial para ocupar o cargo que interessa à classe empresarial.

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Quem governa o Brasil? É preciso radicalizar esse debate. A discussão não é encontrar o fulano mais corrupto, mas entender o processo em que está inserido este corrupto e refletir: se uma empresa enriqueceu com dinheiro público (o meu dinheiro e o seu dinheiro) nada mais justo dela torna-se nossa empresa, não?

A quem pertence este patrimônio? Lembramos que a multa, de R$11 bi, pedida pelo ministério público aos empresários da JBS não passa de 6% da receita anual da empresa, ou seja, a empresa lucra cerca de R$111 bilhões por ano.

Todo este dinheiro só foi conquistado às custas de desvios de dinheiro público e compra de políticos, sejam eles quais forem os partidos.

Respondida a pergunta sobre quem governa o Brasil, faço a próxima: quem deve governar o Brasil?

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Câmara dos Deputados quer discutir a violência contra LGBT nas escolas

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Reprodução da internet

Enquanto Brasília é alvo dos escândalos de corrupção, um golpe institucional e retrocesso de direitos, deputados que compõem a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM) não querem deixar retroceder os direitos e a cidadania da população LGBT, no Brasil.

Prova disso são as pautas que estão em discussão na Comissão, como o Requerimento 48/2017 de autoria do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) que pede a realização de audiência pública da CDHM em conjunto a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional para debater experiências exitosas adotadas nas escolas do Brasil, Chile e Uruguai no combate à violência contra estudantes LGBT.

O pedido tem como argumentação uma pesquisa realizada em 2016 em seis países – Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Peru e Colômbia, e reuniu subsídios importantes para fundamentar a adoção de políticas públicas necessárias que possibilitem transformar as instituições educacionais em ambientes mais seguros e acolhedores para estudantes LGBT.

No Brasil, a pesquisa foi feita pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) e pelo Grupo Dignidade com apoio da Universidade Federal do Paraná.

De acordo com a pesquisa, o ambiente educacional com adolescente e jovens LGBT mostra que, apesar de todos os esforços, ainda estamos bem distantes da realidade de aceitação do outro. No Brasil, 73% dos estudantes sofre bullying, 60% se sente inseguro no ambiente escolar e 37% apanhou dentro da escola.

Peso de Lei
Ainda no debate em torno da proteção e promoção da cidadania e direito das LGBT, a deputada Luizianne Lins (PT-CE) enviou à CDHM na última terça-feira (16) o Projeto de Lei 7292/2017 que pede alteração do art. 121 do Decreto de Lei 2.848 de 7 de dezembro de 1949 do Código Penal, para reconhecer o LGBTcídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio, e o art. 1º da Lei 8.071, de 25 de julho de 1990 para incluir o LGBTcídio no rol dos crimes hediondos.

Na justificativa do projeto estão dados do relatório da violência contra identidade de gênero e orientação sexual realizado em 2013 e publicado pelo governo que sistematizou denúncias feitos pelo Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), Ouvidoria do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Ouvidoria da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM) que identificou entre os casos mais reportados entre violência psicológica: 36,4% são humilhações, 32,3% hostilização e 16,2% são ameaças.

No relatório, as violências físicas aparecem em terceiro lugar, as lesões corporais são as mais reportadas, com 52,5% do total de violências físicas, seguidas por maus tratos, com 36,6%. As tentativas de homicídios totalizaram 4,1%, com 28 ocorrências, enquanto homicídios de fato contabilizaram 3,8% do total, com 26 ocorrências.

De acordo com o site da Câmara dos Deputados, o PL 7292/2017 aguarda designação de relator na CDHM.

Vai ter mais bicha no Congresso
Desde o início de abril (5) está protocolado o requerimento 26/2017 que pede a realização do 14º Seminário LGBT que é tradicionalmente realizado na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

O Seminário LGBT tem por objetivo, nesta edição, pautar em primeiro plano a cidadania e as vidas da população de travestis e transexuais, além de promover o diálogo entre os diversos segmentos da sociedade para a promoção dos direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, bem como discutir aspectos culturais e modo de vida das LGBT.

O requerimento foi assinado por Chico Alencar (PSOL-RJ), Erika Kokay (PT-DF) e Janete Capiberibe (PSB-AP) e pede que o Seminário seja realizado no dia 13 de junho, duas semanas antes do Dia Internacional do Orgulho LGBT, no Auditório Nereu Ramos.

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Crise política ou uma oportunidade à Esquerda?

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Desde o início das operações da Lava Jato a imprensa e as conversas de botequim não poupam as palavras crise e política.

Desculpas antecipadas aos jornalistas, analistas e cientistas políticos, mas crise política cabe muito mais àqueles que pertencem a uma classe econômica bastante específica.

Empresários estão cada vez mais desesperados com cada delação de seus colegas. A última, vinda dos irmãos Batista, donos da maior empresa de carnes e derivados do planeta, a JBS, colocou não só a cabeça do presidente decorativo na guilhotina, mas também projetos pautados, no Congresso, para os patrões: as reformas trabalhista e previdenciária.

As estruturas estão abaladas e esta é hora, de tantas outras desperdiçadas, da Esquerda brasileira tomar um posicionamento mais firme, crítico e de apresentação de um programa político.

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E aí está uma questão: quem é a Esquerda brasileira, e qual é o seu programa político? Isso ainda não está claro e em meio a ‘crise política’ que parte considerável da direita passa, nenhum norte é apresentado.

Não estamos falando de nomes próprios, mas falando de um programa comum que dialogue com diversas frentes e principalmente com a população. Talvez seja esta uma possível crise dentro dos movimentos à Esquerda: não há uma mesa de negociações, mas sim um muitos pais reivindicando um filho que nem nasceu.

Gente interessada no debate não falta, de todas as regiões do país e das mais variadas vertentes e movimentos, mas a mesa do debate com uma proposta de construção de programa político coeso não está dada.

As cartas do jogo não são dadas pela Esquerda, tampouco ela joga com as cartas da Direita. Não está claro para o diálogo comum quem são as atrizes e atores desse movimento. Ao mesmo tempo as instituições, quaisquer que sejam, estão com sua imagem quase que em apedrejamento pela ‘opinião pública’.

Esta é uma questão preocupante dentro de uma Esquerda enferrujada, mas que tem seu lugar no presente por conta de um forte passado sustentado em movimentos estruturados nessas instituições.

Enquanto o debate é este, o terreno está livre para o conservadorismo ficar mais rígido e mais difícil de combater, mesmo em crise. O que vemos na cobertura da imprensa, seja ela corporativa ou independente, é o enfrentamento entre a própria direita para ocupar espaços e dos setores empresarial tentando pegar cada um seu salva vidas para se manter no sistema.

Não podemos negar que na história recente do Brasil, nossa política pode até ter colocado o trem à Esquerda, mas não esqueçamos que os trilhos, a estrutura, continuaram os mesmos.

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Deu match entre cinema e literatura com temática LGBT. Vem ver

Satyrikon

Satyrikon – reprodução da internet

Deu match no mundo das artes, entre cinema e literatura com a temática LGBT. E a gente shippa mesmo. E para ficar mais gostosinho ainda, vai rolar do dia 9 até 19 de maio, das 19h30 às 21h30, no Sesc Santana a Oficina de Cinema e Literatura – Diversidade sexual da palavra escrita à imagem cinematográfica com Alexandre Rabelo e Lufe Steffen.

A oficina analisa 16 obras literárias: romances, contos e dramaturgia que abordam a temática LGBT e foram adaptadas para o cinema nos últimos 60 anos. Babadeira, não?

De acordo com a divulgação do evento, o objetivo é trazer à luz narrativas que buscaram a diversidade sexual e afetiva, sempre discutindo as diferenças entre as linguagens e revelando os processos de cada adaptação – refletindo sobre o que foi feito e quais os caminhos para o futuro dessa temática.

Não perde não. As inscrições são gratuitas na Centro de Atendimento do Sesc Santana. Clica aqui para saber mais no evento da oficina no Facebook.

Serviço
Oficina de Cinema e Literatura – Diversidade sexual da palavra escrita à imagem cinematográfica
Sesc Santana, av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana, São Paulo
Com Alexandre Rabelo e Lufe Steffen
De 9 a 19 de Maio
Das 19h30 às 21h30
Gratuíto

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