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O SOM DO SHAWLIN

Por Nelson Neto

Ligo para seu celularOi.Shawlin? Pode falar?, do outro lado da linha esperando para uma sessão de fotos em uma das mais conceituadas revistas de música do Brasil e do mundo, Posso sim, tudo bem?. Com toda sua simpatia, ele abre um espaço para o blog ArtSP e fala sobre suas ideias e seu “barulho”.

Shawlin evidencia suas raízes em músicos, como Talib Kweli por conta de sua sensibilidade poética e filosófica, Mos-Def e Sabotage na atitude e na defesa de ideias, Tupac e sua integridade ideológica, bem como a levada de Busta Rhymes e a espontaneidade de Black Alien. Atualmente, inspira-se em sons de seus contemporâneos Rodrigo Ogi, Xará, Rapadura, Flora Matos, Kamau, entre outros.

No mês passado, ele lançou seu segundo CD da carreira solo, o disco “Orquestra Simbólica”, onde retrata seu ponto de vista sobre grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro. Elementos do cinema, da literatura e da música clássica europeia estão claramente presentes no trabalho, com letras que refletem sobre a influência da sociedade no perfil do ser humano.

 

ArtSP – O segundo CD da sua carreira solo, “Orquestra Simbolica”, tem elementos de cinema, literatura e música clássica europeia. Estes diferentes suportes de arte sempre estão presentes no seu dia a dia?

Shawlin – Meu irmão é fanático por cinema e minha mulher é cinéfila, então tudo isso meio que interage no meu dia a dia, o diálogo dos filmes me influenciaram bastante na criação das letras, recriando os diálogos. Eu trabalho com restauração de música há seis anos, entrei em contato com gravações inéditas de acervos da Rússia e da Holanda, por este motivo a questão orquestral está presente na minha música.

ArtSP – Seu último trabalho retrata as grandes metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo. Você conviveu de perto com a desigualdade social e econômica, com as injustiças sociais e políticas. Existem grandes diferenças entre São Paulo e Rio, nestes aspectos?

Shawlin – A geografia influência muito nas diferenças. No Rio de janeiro, por exemplo, os bolsões de desigualdade estão presentes junto aos mais favorecidos. Em Copacabana tem favela, em São Conrado também. Já em São Paulo, a periferia de fato fica longe dos grandes centros.

ArtSP – Estamos em ano eleitoral. Como você analisa o atual cenário político do Brasil?

Shawlin – Pergunta difícil. A política, hoje, está decadente de forma geral. Agora não precisa mais esconder nada, tudo é feito de portas abertas. Sempre haverá manifestação, protestos, rebelião. Mas as mudanças só dependem da população.

ArtSP – Voltando para o seu novo trabalho. Você é responsável pelo processo criativo do CD, como ele foi feito? Quais foram suas referências, de forma mais pontuais.

Shawlin – No começo do CD já é possível ver influências do Filme Franskenstein, de 1931 e na ópera russa. Mas em todo o trabalho também tem influências de Jogo do Poder, Matrix. Acho um ótimo filme o Matrix, ele é muito mais do que um filme estético bonito, ele fala de Democracia, sobre quem você realmente é.

ArtSP – Como foi trabalhar com de Cabes, Caique, Damien Seth, entre outros na produção?

Shawlin – Foi tudo muito ótimo, não houve nenhum problema. Sempre foram muito abertos com tudo. Houve um carinho com o trabalho e comprometimento com o barulho.

ArtSP – A filosofia política está muito presente em suas letras. Você acredita que a democracia representativa é a melhor saída para um sistema melhor, ou no liberalismo?

Shawlin – Liberalismo jamais. Eu acredito no poder representativo, no que seria de fato um vigiar o outro. Se o povo não está interessado, a política também não estará. Se a população vota com alienação, a política vai funcionar pessimamente. É a atitude que vai mudar.

ArtSP – Você faz música desde os 11 anos. Bastante coisa mudou no cenário musical do rap, no Brasil, desde então?

Shawlin  – Algo que muito influenciou em algumas mudanças do rap brasileiro foi a internet. Ela ajudou a música à chegar até a grande mídia, aos jornalistas. Isso vem desde o projeto Quinto Ander, entrei nele eu já estava na internet.

ArtSP – O trabalho feito no Brasil, pelos nossos artistas pode sem comparadas pelas produções americanas? Ou é cada um no seu quadrado?

Shawlin – O rap tem bastante influência externa, tudo se mistura neste gênero, não tem como dizer que está separado.

ArtSP – Fora do mundo da música quais são seus hobbies?

Shawlin – Escolhi fazer o que faço não por dinheiro, meu hobby é o trabalho. Não nego que de inicio escolhi a restauração pela grana, mas não mais. Entretanto meu maior hobby é estar com a mulher e meus camaradas.

Ficha técnica 
Orquestra Simbólica, de Shawlin
Gravação: Estúdio Noize 2F – Rio de Janeiro
Mixagem: Shawlin
Masterização: Ricardo Dias – Estúdio Visão Digital  
Projeto Gráfico: Felipe Primat
Fotos: Carla Arakaki
Ilustrações: Felipe Primat
Preço: R$ 15,00 a R$ 20,00
Onde encontrar: em todas as lojas da Galeria do Rock ou nos shows
Músicas já disponíveis para ouvir aqui

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