Pano pra Manga

Quem a oposição francesa pensa que é?

menage-a-trois

Por Nelson Neto

Estou acompanhando a votação na Assembleia Nacional, da França, sobre a aprovação do casamento gay no país que é dono da patente do “ménage à trois”. Claro que, culturalmente, pensando bastante de forma etnocêntrica, nós brasileiros vemos o discurso dos franceses sempre bastante romantizado, com uma carga sentimental bastante grande. Mas, assistindo o debate na assembleia sobre o casamento homoafetivo, fiquei bastante desiludido das posições argumentativas de ambas as partes, tanto daqueles que apoiam quanto daqueles que são contra o casamento .

Observei que a oposição ainda confunde sexualidade e sexo, e a banca que apoia o casamento estava mais preocupada em atacar estes argumentos rasos com demasiada pieguice do que de fato debater o assunto com uma profundidade embasada em ciência e politica. Me questionei “vocês são franceses, da onde vem todo aquele amor romantizado que o mundo vê em sua cultura?”. Foi broxante. Lendo as opiniões dos interessados, dos próprios franceses mortais que não estão no poder, percebi que alguns tinham razão em dizer “o povo precisa de comida e trabalho, não é a hora de discutir o casamento igualitário”.

Claro, o exercício da cidadania deve ser garantida pela constituição do Estado, mas, em um momento que quase todo um continente e uma plataforma continental enfrenta uma crise econômica que afeta a barriga e o trabalho de tantas pessoas, será que é o momento de colocar em evidência um debate importante, mas que na ocasião deve ser considerado em segundo plano?

Não sei responder, só questiono as atitudes da oposição francesa, afinal, não é possível que eles interpretem uma relação homoafetiva com tanta controversa, pois a suruba francesa é conhecida em todo o ocidente como um charme sexual, a monarquia masculina dos séculos passados adoravam ter retratos exibindo pernas torneadas, tão feminino, vide os quadros em que Napoleão aparece, os filmes franceses, os homens franceses com toda sua vaidade – quase impossível de saber quem é gay e quem é hétero – é tanta viadagem.

napoleao-bonaparte

Franceses conservadores, deixem de conversinha, vocês são tão tradicionais e profundos culturalmente, sob o ponto de vista internacional. Sejam vanguardas na era contemporânea. Soltem a franga e sejam felizes.

Entendo que em alguns países ocidentais este tema seja mais complicado, como na Inglaterra, onde a Religião está intimamente ligada ao Estado. Por exemplo, quando um inglês casa na igreja, automaticamente ele está casado sob os olhos do Estado. Nesta caso, os valores e morais religiosos estão enraizados nas decisões mais amplas relacionadas a sexualidade. Mas tudo se resolve com jeitinho. É só observar como há alguns anos a igreja nacional (me refiro a Igreja Anglicana) já aceita até bispos declarados homossexuais.

Enquanto isso no Brasil…

A esfera Judiciaria precisa intervir para que a cidadania de homossexuais seja de fato exercida. Estados mais avançados como São Paulo já aprovam o casamento igualitário, agora só falta o Legislativo começar a trabalhar e a Comunidade LGBT se movimentar e colocar no poder politico, do utópico Planalto Central, mais representantes que abracem a causa gay, como a bancada religiosa faz tão bem, se organizando para barrar e pautar o que querem.

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