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Assumidos e censurados

Censurados

Dois sócios resolveram ocupar um espaço do território literário pouco explorado pelas editoras atuais. Vista como tabu, a literatura erótica está ganhando espaço no mercado de livros, basta ver o exemplo de “50 tons de cinza”, de E. L. James. Com a intenção de propor uma literatura de qualidade e voltado para o público LGBT, Alexandre Calladinni e Occello Oliver fundaram a editora Lado B para lançar escritores que, em muitos casos, são obrigados e ficarem trancados no armário da palavra já que muitos editores são conservadores em relação a literatura erótica e pornográfica. O primeiro título da Lado B, Censurado: sexo, taras e fetiches, está saindo do forno. Uma obra coletiva escrita por seis escritores que abusam da narrativa e explora a religião, o desejo e o fetiche. Confira a entrevista que o Mix fez com o autor Occello Olivier.


Censurado: sexo, taras e fetiches é o primeiro título da editora Lado B. Como surgiu a ideia do livro e da editor?
O Lado B é um selo independente, cuja proposta é publicar livros com temática voltada ao erotismo através de histórias reais ou fictícias. A ideia é fazer com que o autor explore seu lado oculto ou “lado B”, interagindo com o leitor, através de crônicas, contos ou romances, revelando esse lado pouco explorado pelas editoras, com um tom mais sexual, fetichista e de desejos. A ideia surgiu para fazer com que os leitores de cada autor conhecessem novos autores e suas maneiras de escrever. Nada melhor para aproximar todos do que um livro ousado, que aguça a curiosidade com um pouquinho de cada um. Nossa primeira publicação reúne seis autores(Alexandre Calladinni, Occello Oliver, Reynaldo Araújo, Léo Rossetti, Davy Rodrigues e Christian Petrizi) que possuem livros publicados e sentiam a necessidade de narrar em contos diversificadas e ousadas aventuras sexuais. Eu,Occello Oliver, e o Alexandre Calladinni, além de participarmos com nossas histórias, somos editores do selo.

É um livro de autoria coletiva. Como foi o processo de construção dele? São narrativas eróticas pessoais de cada autor ou uma criação ficcional?

O processo de construção foi muito bacana, agora, não podemos afirmar que são ficcionais ou reais, pois são histórias tão próximas da realidade, que vai despertar no leitor esta dúvida. E achamos que esta dúvida do que é real e do que é ficção nas narrativas do livro, vai mexer muito com a imaginação do leitor.

Atualmente, vários autores estão ganhando espaço em uma literatura voltada para o público LGBT. Como você analisa este movimento?

Vamos por partes. O cenário LGBT ganha destaque a cada dia que passa. A literatura LGBT sempre esteve presente na mídia, mas era pouco valorizada. Para se publicar um livro com este tema, era necessário provar às editoras que o material era de imenso teor relevante. Hoje temos editoras especializadas neste tipo de publicação. A literatura LGBT não se rende a temas vulgares ou que expressem apenas o personagem gay. Há histórias, textos políticos, poéticos, técnicos e extremamente necessários para pesquisas e afins. Vamos esclarecer que pornografia não é sinônimo de homossexualidade. Pornografia também é arte, em qualquer cultura. E há muita pornografia circulando por aí.

De acordo com sua publicação no Facebook, o livro tem a intenção de reacender o instinto sexual de quemo ler. Como esta proposta foi construída no processo de escrita?
Realmente, como o livro possui temática erótica e o sexo é a maior das apreciações do mundo, o leitor sentirá prazer e,claro, sentirá tesão. Os autores atentaram para este detalhe de fazer o sangue do leitor borbulhar ao ler histórias “picantes”. A construção da escrita se deu individualmente, no estilo de cada um, sendo um mais romântico, outro tímido, outro mais religioso, um o mais picante, outro inusitado e chegamos até a um mais bizarro. Realmente só lendo para entender do que estamos falando.

Como você analisa o romance erótico produzido no Brasil nos últimos anos? As produções homoeróticas têm espaço nas prateleiras das livrarias do País?
O Erotismo sempre estará presente em nosso dia a dia. Seja na maneira de falarmos ou na forma de nos vestirmos. E claro que a literatura nacional não vai deixá-lo de fora. Espaço terá sempre, basta os editores terem mais consciência e investirem em novos talentos com temas diferentes e ousados. O erotismo está presente em todas as artes. O que seria do cinema nacional sem as pornochanchadas da década de 70? E do mercado de filmes pornôs e da música brasileira que vem ganhando letras provocativas e cativantes? O sol nasceu pra todos.

Censurado: sexo, taras e fetiches
Editora Lado B
Ano: 2013
Autores: Alexandre Calladinn, Chrisian Petrizi, Davy Rodrigues, Léo Rossetti, Occello Olivier e Reinaldo Araujo
Preço: R$30

Publicado no Portal Mix Brasil

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