Revista Junior, Trabalho

São Paulo também pode

SP

Nova York, nos Estados Unidos, tem o conhecido Greenwich Village; Londres, na Inglaterra, não fica atrás com o tradicional Soho; Madri conta com Chueca; Paris tem o charmoso bairro Marais. E São Paulo, quando terá um bairro reconhecido por seus habitantes gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis? Uma das ruas mais famosas da capital paulista é a Frei Canena, onde bares e casas noturnas dividem diversas tribos da comunidade gay. Pelo jeito, uma região da cidade de São Paulo vai ganhar o título de “bairro gay” em breve.

Com a revitalização do centro expandido, imobiliárias e construtoras aproveitam o interesse de moderninhos, jovens universitários e jovens casais para encher bairros conhecidos pelo público alternativo, que busca lazer, bem estar e conveniência na porta de casa.
A região que compreende as ruas Frei Caneca, Augusta e Consolação e desce até a região da Praça da República tem visto um sem parar de novos prédios com unidades pequenas, para uma ou duas pessoas. Ainda que as construtoras não assumam, grande parte de seus compradores são gays solteiros e casais sem filhos.
Conversamos com Aline Caldeira, coordenadora comercial da Even, e com Luana Rizzi, diretora de marketing da MaxCasa, para saber como o consumidor LGBT, conhecido como um público fiel exigente, é visto por estas empresas que estão projetando imóveis na região mais procurada por esta comunidade.
Para Luana, da MaxHaus, empreendimento localizado na rua Paim (um cruzamento da Frei Caneca) “estas regiões (entre Avenida Paulista e República) são alvo do interesse não apenas do público LGBT como também pessoas que se identificam com a dinâmica destes bairros, por gostarem de fazer tudo a pé, das inúmeras opções de entretenimento e lazer ao redor, bem como das facilidades de transporte e locomoção que estes locais oferecem”; e diz que os projetos voltados para estes bairros são desenhados “especificamente para um público contemporâneo, antenado, que aprecia a auto expressão, o design e a tecnologia, independente de sua orientação sexual”.
Aline, que coordena as vendas do Edifício London SP, na Consolação, diz que o projeto tem o objetivo de oferecer compactos de luxo. Os apartamentos têm entre 30 e 50 metros, em sua maior parte são estúdios ou têm um quarto, “nas áreas comuns serão oferecidos arrumadeiras nos quartos, sistema de personal trainner, recepção 24h, mensageiros, lavanderia coletiva e outros serviços que o morador pode optar por adquirir ou não quando as chaves estiverem em mãos”, diz. Ela afirma que o perfil do comprador de um apartamento na região “gosta de modernidade, algo que facilite seu dia a dia, boa localização, luxo e requinte, o que inclui o público LGBT”.
“O público gay está muito dividido entre moradores finais e investidores. Vendi apartamentos para arquitetos, advogados, médicos e estilistas. Geralmente são pessoas que já moraram fora do país como Londres e Nova York, conhecem este tipo de projeto e agora querem comprar algo aqui no Brasil”, explica.
Aline diz que quem escolhe a região entre Frei Caneca e Consolação “opta por morar perto do local de trabalho e que à noite gosta de sair, ver uma boa peça de teatro ou um filme, além de bons restaurantes ‘na porta’ de casa”, ou seja, com a revitalização do centro, a qualidade de vida nestes bairros como Bela Vista e República tende a melhorar. “O público é muito diverso e não é apenas o consumidor LGBT que exige bom design, customização de imóvel e tecnologia”, diz Aline.
Este novo boom imobiliário, que começou há dois anos, deve se estender pelos próximos cinco anos, até que todos os empreendimentos sejam finalizados e os novos moradores se instalem. Com grande presença de boates, bares, cinemas e restaurantes de predominância GLS, a região tem tudo para ganhar a alcunha de bairro gay. As cidades que já possuem suas regiões GLS tradicionais, conquistaram maior relevância turística e investimento de empresas privadas em hotéis, bares e serviços.
Em São Paulo não será diferente, já que estes novos e jovens habitantes devem impulsionar o comércio e os aparelhos culturais de regiões centrais que hoje estão degradadas. Será, de qualquer ângulo, uma grande conquista para a cidade de São Paulo e para os paulistanos.
Publicado na Revista Junior e no Portal Mix Brasil
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