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Militância LGBT aponta a necessidade de liderança para bom resultado dos protestos contra projeto da Cura Gay

Miliância LGBT analisa protestos organizados nas redes sociais contra projeto da Cura Gay

Miliância LGBT analisa protestos organizados nas redes sociais contra projeto da Cura Gay

Por Nelson Neto

“Alô, Toni? Tudo bem?”, pergunta o repórter do outro lado da linha a responta: “não estou muito bem não, sabe? Estou doente e fiquei sabendo há pouco tempo disso”. É com esta ironia que o diretor executivo do Grupo Dignidade, Toni Reis, de Curitiba, conversa com o Mix Brasil sobre os protestos que estão sendo organizados por meio das mídias sociais para ocupar as ruas de todo o país contra o projeto que autoriza psicólogos a “curar” homossexuais. Além dele, conversamos com o atual presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) Carlos Magno, e com um dos diretos do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira.

Em uma declaração ao jornal Folha de São Paulo, nesta sexta-feira, 21, Toni Rei afirmou ter encaminhado, na última quarta-feira, 19, seu pedido de “aposentadora compulsória retroativa por “homossexualismo” aos ministros Garibaldi Alves (Previdência Social)  e Alexandre Padilha (Saúde). Ao Mix, ele disse que não foi o único e incentiva o pedido em tom humorado: “cerca de 80 homossexuais já encaminharam o mesmo pedido”, Toni diz não só apoiar as manifestações como também participa delas, entretanto alerta: “temos que politizar estes protestos e ter uma pauta mais unificada, não é só rua. É importante discutir a pauta. Exigir um Sistema Único de Saúde (SUS) com padrão FIFA, protestar contra a PEC 37 (proposta que limita o Ministério Público em investigar políticos), protestar por melhor qualidade na educação e contra a corrupção. É importante dizer também a necessidade de politizar os protestos. Participei ontem, em Curitiba, do protesto contra o projeto da ‘cura gay’ e vi pessoas no vácuo, sem saber muito bem o que fazer, e também é importante simpatizar com partidos políticos”.

Quem segue uma linha de raciocínio parecida com a de Toni é o diretor do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira. “Acho importante ter um comando, até mesmo para saber que rumo pode tomar as manifestações, por exemplo, quando há alguma greve dos trabalhadores, sabemos que quem está organizando é a CUT. Acho que o povo está sendo muito radical em não querer participação política nas manifestações, não vivemos em uma monarquia. Nós votamos, nem todos os partidos são escrotos.” Para Marcelo, outras bandeiras devem ser levantadas nos protestos promovidos pelo Movimento Passe Livre: “a ala gay deve se organizar junto ao MPL para incluir bandeiras como políticos ‘escrotos’ como Feliciano (PSC-SP), contra a bancada conservado e repudiar os políticos conservadores”.
O presidente da ABGLT Carlos Magno acredita ser fundamental os protestos organizados por meio das redes sociais e afirma que “o que aconteceu na Comissão de Direitos Humano é uma afronta para a luta dos Direitos Humanos e de nossa comunidade. A ABGLT já convocou o conjunto de nossas afiliadas para engrossarem as manifestações com colunas específicas LGBT, levantando bem alto nossas bandeiras do arco-íris e denunciando toda homofobia dos deputados federais João Campos (PSDB-GO) e Marco Feliciano (PSC-SP)”.

Muito além da vida virtual


Em um bate-papo com dois blogueiros sobre os eventos criados nas redes sociais para promover protestos contra a decisão da CDH sobre o projeto de “cura gay”, o administrador do blog Nossos Tons Julio Marinho diz que sempre houve informações “infundadas”  sobre o “militante de sofá, mas não há como se negar a importância deles no momento atual. Aliás, esse fenômeno foi visto em outros países. E eu acho que isso era inevitável, claro, não pensei que seria tão rápido e contundente.” Julio acredita que deve haver uma liderança sob os protestos contra da “cura gay” nas ruas do Brasil. “O MPL declarou que não vai mais promover protestos em São Paulo, ainda não vi nada referente à outras cidades. Em relação às manifestações contra o projeto aprovado pela CDH, acho que existe uma diferença. O Movimento LGBT já faz esse tipo de protesto há tempos através das Paradas de Orgulho LGBT e elas já tem lideranças em suas cidades. Pelo que vejo, essas lideranças já estão nas ruas organizando essas células dentro do movimento organizado pelo MPL.”

O blogueiro do Nossos Tons diz que “a verdade é que está tudo ainda muito confuso dentro do próprio movimento do MPL e existem várias vertentes, muitas delas em conflito ideológico. Mas acho que temos que nos impor, é necessário e já estamos acostumados com essa dinâmica de mobilização, na verdade, somos o movimento que está há mais tempo nas ruas.”

 

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