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Na moral apresenta discurso clichê sobre ser trans no Brasil

Na Moral teve boa intenção  mas pecou por não focar nas questões realmente importantes

Na Moral teve boa intenção mas pecou por não focar nas questões realmente importantes

Por Nelson Neto

A discussão é importante, mas até que ponto é necessário expor intimidades e não questões macros dos problemas? Essa, talvez, tenha sido a pergunta subliminar feita no programa apresentado por Pedro Bial, “Na Moral”, exibido na última quinta-feira, 22 de agosto, na Rede Globo. Cinco convidados transgêneros contaram suas tramas ao telespectador.

A importância de discutir e expor o tema trans em uma emissora de abrangência nacional e internacional é clara e demonstra que a Rede Globo está caminhando para um discurso igualitário mais claro e aberto. Mas, até que ponto isso é necessário expor intimidades de personagens ao invés de questionar questões políticas, sociais e de saúde?

Programas que tentam mostrar a “normalidade” – que Max Weber não se remexa em seu túmulo – em um assunto tratado como “anormal” pela sociedade acabam expondo uma leitura um tanto confusa do problema maior. Parece que o discurso da transexual que já foi da Marinha; da atriz que tentou amputar o próprio pênis; do menino sempre aceito pelos pais mesmo nascendo como menina; do ator que nasceu mulher, virou homem e casou com uma travesti; e do pai de família crossdresser; isso tudo apresentou um discurso clichê: “apesar do meu fardo, sou feliz”.

O apresentador poderia deixar esse discurso moralista, sentimental, cheio de amarras e dramas que cada um dos seus convidados vive de lado e expor questões políticas, legais e sociais que estas pessoas enfrentam diariamente. Todos têm seu fardo a ser carregado diariamente, o programa quis expor um problema macro, expondo micro visões, o que ficou bonito, mas pobre de profundidade.

Transgêneros sofrem no Brasil desde a dificuldade de não serem aceitos na sociedade que vivem até mesmo com questões de direitos garantidos. O programa poderia abordar a dificuldade que o transexual tem em entrar na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para fazerem a cirurgia de readequação de sexo, ou colocar em pauta a discussão sobre com que idade uma transexual pode começar o tratamento hormonal.

Enfim, são inúmeras discussão que vão além de um curto programa de 45 minutos, que poderia se aprofundar mais outras questões do que em fragmentos de depoimentos sobre dramas vividos por estas pessoas.

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