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JORNALISTA E ESCRITOR LANÇA NO RIO DE JANEIRO DOIS LIVROS COM TEMÁTICA LGBT

Waldir Leite

O escritor Waldir Leite relança seu livro “A última Canção de Bernardo Blues”, lançado originalmente em 1997, e tira da gaveta o livro “Ipanema em Lágrimas” no formato e-book, no dia 20 de fevereiro, na Livraria da Travessa, no Rio de Janeiro.

Waldir já foi repórter da revista “Sui Generis” e pesquisador de texto da novela “Salsa e Merengue”, da Rede Globo, e agora resolveu lançar dois livros com histórias pra lá de intensas. Confira nossa entrevista com ele:

Como foi a produção dos dois livros?
“A Última Canção de Bernardo Blues” foi lançado originalmente em 1997, pela Editora Francisco Alves. Na época eu era repórter da revista “Sui Generis” e trabalhava como pesquisador de texto da novela “Salsa e Merengue”, da Rede Globo. Agora a Editora Faces está lançando uma nova versão do livro. “Ipanema em Lágrimas” eu escrevi originalmente em 2008 e fui aprimorando até chegar na versão atual, que decidi publicar.

O livro “A última canção de Bernardo Blues” tem como inspiração o crime que motivou a morte do teatrólogo Luiz Antônio Martinez Correa, em 1987. Você fez algum tipo de pesquisa para escrever este romance?
Eu já morava em Ipanema quando houve o crime que vitimou Luiz Antônio. Foi um choque muito grande para todo o Brasil, mas, principalmente, para os moradores de Ipanema. Durante muito tempo o crime foi assunto de discussão na praia e nos bares da região. As pessoas comentavam muito, principalmente porque o criminoso nunca foi preso. E essas conversas é que serviram de pesquisa. Durante muitos anos pensei em escrever algo inspirado no crime, mas nunca soube que caminho trilhar. Até que um dia eu assisti a um show do cantor Toni Platão, num bar em Ipanema. Ao vê-lo cantar a música “Mammy Blue” a história do livro surgiu completamente na minha cabeça, como uma miragem. Posso dizer, inclusive, que minha maior inspiração para escrever esse livro foi o Toni Platão, que considero o maior cantor do Brasil. Bernardo Blues é inspirado nele.

Existe um seminarista que vai a busca dos criminosos que mataram o irmão dele. Existe algum tipo de olhar religiosos do ponto de vista do personagem? Como isso se passa no livro?
A religiosidade é um dos temas centrais do livro. O conflito entre sexo e religião permeia toda a trama principal. Bruno, o seminarista, está prestes a ser padre. Mas ele decide investigar por conta própria o crime que vitimou seu irmão, um cantor homossexual. Por causa disso, ele começa a ir aos lugares que o irmão frequentava e a lidar com as pessoas com quem seu irmão convivia. E começa a se sentir fascinado por tudo aquilo. Curiosamente, quanto mais ele se aproxima do sexo, mais fé em Deus ele adquire. Daí ele descobre que o sexo também é uma maneira de se aproximar de Deus.

O livro “Ipanema em Lágrimas” tem como pano de fundo a história de uma criança que gosta de se vestir com as roupas da mãe, e ela tem que enfrentar a linha dura do pai. Ele é um livro infantil?
”Ipanema em Lágrimas” não é um livro infantil, mas sim um livro sobre a infância. Na verdade, é um livro sobre a ditadura militar no Brasil, que completa 50 anos em 2014. Quando eu era criança, no auge da ditadura, eu ouvia os adultos dizerem que “comunista comia criancinha”. Comia no sentido alimentar, no sentido canibal. Eu vivia apavorado com isso. Sempre que algum adulto dizia que comunista comia criancinha eu me imaginava sendo assado num espeto, como um churrasco. Na minha imaginação infantil eu me perguntava se eles colocavam algum tipo de tempero. Depois cresci e descobri que isso era uma bobagem. O meu livro “Ipanema em Lágrimas” é uma alegoria sobre essa calúnia inventada contra os comunistas.

Qual é o olhar que você deu ao livro “Ipanema em Lágrimas”?
Como disse, “Ipanema em Lágrimas” é um livro sobre a ditadura militar no Brasil. Conta a história de Dinho, um menino de seis ou sete anos, que gosta de brincar de boneca e se vestir com os vestidos de sua mãe. Ele é filho de um militar linha dura que quer livrar o Brasil do comunismo e do terrorismo. Dinho vive sendo reprimido pelo pai, por conta de suas tendências. Mas ele é um garoto adorável, que conquista a todos com seu sorriso e sua alegria de viver. Um belo dia o menino conhece um mecânico bonitão que vai trabalhar numa oficina que fica perto da sua casa. Eles ficam amigos inseparáveis. Só que o mecânico é, na verdade, um comunista disfarçado que está sendo procurado pelos militares. E a amizade entre os dois vai resultar numa trama de ação, suspense e tragédia.

Foi uma decisão sua em lançar o livro “Ipanema em Lágrimas” apenas em e-book? E por qual motivo foi tomada esta decisão?
A decisão de lançar o livro apenas no formato de e-book foi da dona da minha editora, Bia Willcox. A Bia é muito ligada em novas tecnologias. Todos os livros da editora possuem versão digital. Ela sabe de tudo o que diz respeito à mídia digital. Ela estava procurando um livro para lançar apenas em formato digital, eu mostrei “Ipanema em Lágrimas” e ela achou que era ideal. Não só pela história e pelo momento político de publicar o livro por ocasião dos 50 anos da ditadura. O tamanho do livro também pareceu perfeito para ela. É um romance curto, são oito capítulos. E ela considerou esse tamanho adequado para lançar como e-book.

Mudando um pouco de assunto, como você enxerga a produção de romances com temática LGBT no Brasil?
Acho que se publica pouca coisa nesse sentido no Brasil. Antigamente havia mais escritores publicando literatura LGBT. Autores de talento como Aguinaldo Silva, João Silvério Trevisan, Caio Fernando Abreu, Lúcio Cardoso, Darcy Penteado. Mas hoje não temos muita gente publicando uma literatura com esse perfil. O problema é que é muito difícil conseguir publicar um livro no Brasil. Se dependesse de mim, eu publicaria um livro todo ano. Mas o mercado editorial é muito cruel com editoras, autores e livrarias. Por outro lado, eu acho que os gays de antigamente gostavam mais de ler. Ter uma postura intelectual era importante para eles. Os gays, hoje em dia, preferem ir pra balada, comprar roupa de grife e dar pinta na sauna.

Lançamento na Livraria da Travessa: 20 de fevereiro
Livraria da Travessa: Rua Visconde de Pirajá, 572 – Ipanema – Rio de Janeiro
(21) 3205-9002
http://www.travessa.com.br

“A Última Canção de Bernardo Blues”
R$32
Editora Faces

“Ipanema em Lágrimas”
Gratuito em e-book
Editora Faces

editorafaces.com.br

*publicado no portal MixBrasil

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