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MIX CONVERSA COM DIRETOR DO AGORA LONGA HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO

Daniel Ribeiro

Em 2010 estrelava nos canais virtuais de vídeos o curta-metragem de Daniel Ribeiro “Hoje Eu Não Quero Voltar Sozinho”, com enredo contando a história de Leonardo (Ghilherme Lobo), um jovem cego que se apaixona pelo novo aluno da escola, Gabriel (Fabio Audi). Não demorou muito para o curta ser compartilhado em diversas redes sociais e se tornar uma produção LGBT de agrado do público brasileiro – faturando prêmios no Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade em 2012.

Três anos depois, com o projeto maduro, Daniel pegou o roteiro e inscreveu em editais públicos para financiar uma das aguardadas produções independentes nacionais de 2014, com novo título “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, um enredo cheio de dramas e descobertas. O Mix conversou com Daniel para saber como foi a produção do longa e o quê ele espera do público. Confira:

Vamos começar pelo título. Assusta um pouco esta mudança. Leonardo (Ghilherme Lobo) não quer mais ficar com Gabriel (Fabio Audi), muito menos quer a amizade de Giovana (Tess Amorim)?
(Risos) Não posso contar para não estragar a história. O que dá para dizer é que Leonardo está mais maduro e quer sua independência. Ele quer tomar atitudes sem que seja necessário todo mundo ficar sabendo o que ele está fazendo. Como é um longa de 1h30, existe mais drama na história. Não será um enredo de uma história de amor simplória como no curta “Eu Não Quero Voltar Sozinho”. A mudança do título está ai.

Quais são as principais mudanças do curta para o longa?
Exploramos mais os conflitos entre o Leonardo e os pais deles. A mãe dele é superprotetora, por ele ser deficiente visual, e ele não quer mais isso. Também quer ficar um pouco mais distante da amiga, a Giovana. E também tem os conflitos com o Gabriel.

Você já tinha ideia de fazer um longa a partir do curta ou não? Tudo rolou depois da repercussão do curta?
Desde o princípio a ideia era fazer um longa, mas eu só tinha o curta “Café com Leite” em meu portfólio. Então, primeiro resolvi fazer um curta-metragem e depois buscar financiamento para o longa. Mas, desde o começo a ideia era de fazer um longa.

A visão é um sentido muito importante para o ser humano. Uma grande crítica que é feita ao mundo gay é o super culto ao físico belo. Como o protagonista é cego, outros sentidos são explorados no filme como a voz e o tato. É como se fosse uma quebra de paradigma e uma crítica enviesada no enredo. Você tinha pensado nisso quando escreveu o roteiro?
Não especialmente. No filme eu quero abordar esta questão de como a visão é importante e muito forte na descoberta da sexualidade. Nós, como sociedade, damos bastante importância à visão, não só pela questão da beleza, ao olhar para um homem a sexualidade tem muito a ver com isso. O filme mostra, no fim das contas, que a nossa sexualidade vem de dentro e não de fora. Mas esta crítica de culto ao belo também serve ao filme. Depois que fiz o curta, ouvi tantas interpretações concretas que nem eu, que escrevi e dirigi, tinha percebido antes. (risos)

Você chegou a conversar com deficientes visuais gays para escrever o roteiro?
Não no começo. Mas depois do curta divulgado, acabei encontrando um português cego e gay e ele conversou bastante comigo. Mas, durante a construção do roteiro, eu cheguei a visitar algumas instituições e associações que acolhem deficientes visuais para aprender um pouco sobre esse mundo, de forma geral. Aprendi que existem padrões, mas também existem individualidades entre eles, como, por exemplo, a forma de pegar no braço de uma pessoa, os gostos e tudo mais.

A gravação de “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” durou apenas um mês. É um tempo bastante curto. Como você conseguiu?
A gente não tinha muito dinheiro. Então tivemos que adaptar um monte de coisa. Isso é normal no cinema nacional.

O curta tem como locações o quarto do Leonardo, a sala de aula e o caminho entre a escola e a casa dele. O que podemos esperar do longa?
A casa do Leonardo é mais explorada. Temos jantares tensos com os pais dele. Também rola um acampamento, na casa da avó do Leonardo. A relação entre ele e a família dele é bastante explorada.

Assim como o curta “Eu Não Quero Voltar Sozinho”, o “Café com Leite” também fez sucesso nas redes sociais e no pay per view da TV a Cabo. Você pensa em fazer um longa também de “Café com Leite”?
(Risos). Não dá! Já faz tempo. O menino, o Lucas, interpretado pelo Eduardo Mello, hoje está enorme, fez até “Malhação”. Não tenho nenhum projeto encaminhado ou em vista para depois de “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”.

Vocês estão a caminho do Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro, o que esperam da reação europeia?
Não muito, não estamos na competição. O que é um alívio, já que ninguém fica na expectativa. Todos os técnicos, os atores e eu, estamos concorrendo ao TEDDY. O filme estreia em março nos cinemas brasileiros.

*publicado no portal MixBrasil por Nelson Neto

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