Revista Junior, Trabalho

Repórter se joga pela primeira vez em festa fetichistae conta o que rolou

Luxúria

Às vezes uma reportagem começa antes mesmo de ela ser uma ideia. Uma edição mal chegou às bancas e nós já estamos pensando na próxima. E assim aconteceu com o Test Drive deste mês, que você está lendo. Vim das páginas do hard caderno rosa, da H Magazine, que agora integra sua alma à Junior. Por este motivo, é um pouco complicado encontrar algo eu não tenha feito ou presenciado neste mundo sexual under gay para preencher estas páginas (embora eu acredite que sempre haverá algo de espetacular neste mundo que sempre irá me surpreender).

Naquela aflição de tentar encontrar algo bacana que eu ainda não conhecia, nosso editor, em uma tarde ensolarada de Inverno, me pergunta na redação: “você já conheceu a festa Luxúria?”, pronto, já tínhamos a pauta. Depois de encarar o desafio de ir a uma festa dedicada ao fisting, descobrir o que rola em uma sauna em plena quinta-feira na hora do rush e escrever sobre outros temas pra lá de under neste mundo pink, pensei: “poxa, pauta tranquila”.

Meia-noite de uma sexta-feira, estou na fila (sim, diferente de outras colegas por aí, eu pego filha na boate mesmo para dar uma olhadinha e ver o que rola) da Nostro Mundo, entre a Consolação e a Paulista, em São Paulo. A hostes da festa estava digníssima em um salto 18, maquiagem muito bem afinada e um dresscode no mínimo fabuloso. Todo este trabalho no visual é tem um motivo: é o aniversário de sete anos do Projeto Luxúria.

Quando entrei na casa, perguntei para a hostess como eu poderia ficar na festa, ela disse: “lindo, pelo menos sem as calças, se não os frequentadores me matam aqui se ver alguém vestido”. Quando mostrei o modelito underwear inspirado nos lutadores greco-romanos que eu usava, ela não exitou: “Bee, tira tudo e arrasa!”.

Quem decide o valor que será pago na entrada é quem está na frente da casa, o critério estabelecido é de acordo com o visual da pessoa, o que não significa que quanto menos roupa menos se paga. Mas sim a produção. A fila já era grande com gays, pansexuais, transexuais, crossdressers, lésbicas, héteros, casais de heterossexuais, casais gays, andróginos e mais tantas outras categorias sexuais ainda não classificadas.

Tira tudo
A principio tirei a camiseta e a calça, fiquei de camisa. Mas logo a casa fica cheia e todos os frequentadores seguem rigorosamente a regra dresscode, você vai se sentir um peixe fora d’água se não se sentir no clima “luxúria”.

Boa música, bons boys, pista cheia, drinques bem feitos e gente bacana. Tudo corre bem, troco alguns olhares com o pessoal que passa por mim, até que estou no bar pedindo minha cerveja e vejo um índio meio cowboy, com adereços que incluíam franjas de couro no antebraço que me lembrava um estilo Ney Matogrosso.

Dei aquela erguida de sobrancelha, fixeis os lábios fazendo um pequeno biquinho labial, pisquei, disse um: “oi”. Ok, paquerar com uma cueca estilo macacão de luta greco-romana não é tão sexy, ainda mais quando o pretendente ainda está meio cowboy meio índio com franjas no antebraço que me lembravam Ney Matogrosso, mas eu curti o boy. Bonito, pegada forte, enfim, meu número.

Na linha “fazendo a social” conheci bastante gente que frequenta a Luxúria há anos! Alguns desde o começo e sabe o que me chamou atenção na Luxúria? Fetiche e sexo não precisam estar atrelados, o que faz da festa no meu ponto de vista menos do que eu pensava e mais do que eu imaginava, já que eu pensava que rolava sexo em todos os cantos – o que não é verdade, na verdade não vi ninguém fazendo banheirão ou até mesmo se divertindo explicitamente em público.

Segurando vela
O que rolou mesmo foi uma cena pra lá de quente – literalmente – em que dois boys lindíssimos se empolgaram nos amassos em frente ao bar, até que um terceiro elemento com velas se aproximou e começou a pingar cera quente nas costas do casal. Eles adoraram o incentivo do colega e ali ficaram por um bom tempo, entre beijos e cera quente. Eu não sou forte o suficiente para isso.

Outro momento de aflição foi em um determinado momento da festa em que um mágico lindíssimo – eu jurava que era do babado – deitou na pista e três mulheres, todas trabalhadas no salto agulha, subiram nele. Fiquei só de voyeur.

Fim da festa. Conclusão: sem dúvida estarei de volta. Muitos gays têm preconceito em frequentarem festas em que “amapôs” marcam presença. Eu não penso assim. A diversidade está ai e deve ser garantido até na noite. Ah! O que rolou depois da festa entre o boy meio índio e meio cowboy e eu? Deixa pra lá.

*publicado na revista Junior e no portal MixBrasil

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