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Interpretar um gay no cinema só me agregou, diz ator de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Ghilherme Lobo

O queridinho do cinema LGBT em Berlim, na Alemanha, e aqui no Brasil, Ghilherme Lobo, com seus 19 aninhos, conversou com o Mix sobre como se preparou para interpretar Leo, personagem principal de “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, produção de Daniel Ribeiro que trouxe ao Brasil o Teddy, considerado o Oscar do cinema LGBT. Confira a entrevista:

Como é ser o protagonista do filme que recebe o maior prêmio do cinema LGBT do mundo?

Incrível. Foi um susto, porque pela reação do público a gente não esperava que ia ganhar, mas estava com uma boa expectativa em relação à premiação. O interessante é que quando começaram a anunciar o nome do vencedor, da forma que eles começaram a dizer a palavra ‘hoje’ parecia que era algo em oriental, e tinha um filme oriental na competição, mas aí ele completou o título do filme e o nome do Daniel e a gente começou a comemorar. O interessante foi sentir por uma fração de segundos uma decepção sobre a expectativa que eu criei e de repente esta sensação mudar.

Entre a produção do curta e do longa são quatro anos de diferença. Como foi a preparação do personagem, permanecer o mesmo depois de anos? Você ainda continua praticamente com a mesma aparência.

Na verdade na época do curta a gente não tinha muito tempo de desenvolver o personagem até o início das filmagens. O desenvolvimento do Leo ocorreu em meados de 2012, quando eu soube que o longa de fato ia rolar, e então comecei a me preparar da parte física, já que eu estava me dedicando de forma intensiva ao balé clássico eu estava com um musculatura bastante marcada – e o físico do Leo não, é mais natural, menos atlético. Então fiz uma dieta para ganhar peso. O corte de cabelo também é algo que ajuda muito, eu percebo isso pelo Wagner Moura, que faz personagens de 20 anos em uma produção e depois personagem de 40 anos e ele está completamente diferente.

E você teve algum tipo de laboratório com deficientes visuais gays pra te ajudar na interpretação do Leo?

Eu tive laboratório sim com eles, mas não sei se eram homossexuais, eram duas senhoras que me ensinaram a como conduzir um deficiente visual e também a como ser conduzido. Outra parte importante para o laboratório foi a parte escrita. Eu fiz um curso para saber usar a máquina. O Daniel não queria que o Leo apenas ficasse apertando os botões, mas que de fato escrevesse corretamente na máquina. Não me preocupei com a parte de fazer um ‘personagem cego gay’, a sexualidade do personagem não me preocupou muito. O Daniel queria mostrar que a sexualidade é algo que vem de dentro, então o Leo não é ‘afetado’, não tem os trejeitos estereotipados, então eu deixei a sexualidade do personagem fluir de acordo com o que as cenas vão desenvolvendo.

O curta fez bastante sucesso em 2010, este ano o longa é um dos mais aguardados. Interpretar um gay colaborou na sua carreira?

De forma positiva, sem dúvida. É um personagem com características diferentes daquelas que eu estava acostumado interpretar e isso foi ótimo para mim. Em outros aspectos, interpretar um gay não me atrapalhou em nada.

E como é o assédio do público? Como você lida com isso?

Tento me divertir ao máximo com isso. Claro, algumas pessoas ultrapassam limites, teve um rapaz que procurou o nome da minha mãe na lista telefônica, ligou em casa e disse para ela que era meu amigo e tinha perdido meu número. Claro, minha mãe acreditou e passou meu celular para ele. Este rapaz passou dias me mandando mensagens. Mas de modo geral a maior parte do assédio é divertida. Muitos apenas se aproximam para brincar, outros brincam com um tom de segundas intenções, querendo saber se sou gay ou não. Eu gosto disso pelo fato de ser um feedback do expectador, significa que fiz um bom trabalho e estou sendo reconhecido por ele.

Você tem namorada, o que é uma grande decepção para muitos. Como a namorada lida com o assédio, e ainda de gays?

(Gargalhadas). Ela não tem problema nenhum com isso. Eu até brinco com ela dizendo: ‘você é a namorada de ator mais sortuda do mundo, porque 99% dos fãs dele são homens’. Claro, ninguém me agarra na vida real, a maior parte do assédio é virtual. Por exemplo, em uma das fotos que publicamos recebendo o Teddy, um rapaz fez um comentário em forma de imagem, e tinha ele com um cartaz escrito ‘me engravida Ghilherme’, mas ele é homem, não dá. Ela se diverte com a situação.

*Publicado por Nelson Neto no portal MixBrasil

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