Cachola

Sem tanto confete, por favor

Dilma

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou na última quinta-feira, 27 de fevereiro, os números do Produto Interno Bruno (PIB) do Brasil do ano de 2013. E para a surpresa do mercado, especialistas, imprensa e festa do governo petista em ano eleitoral o quarto trimestre do último ano comparado ao terceiro ultrapassou as especulações, de no máximo 0,5%, e chegou a 0,7%. Na conclusão da ópera, o Brasil cresceu 2,3%. Mas até que ponto a economia brasileira está saudável?

Não vamos fazer da análise política e econômica uma narrativa de jogo de futebol. Mas como uma disputa clássica, não demorou muito para petistas começarem a usar este dado sem o mínino de análise profunda sobre o que representa este crescimento tão modesto, e muito abaixo dos 4% prometidos no início do governo Dilma. Um exemplo disso é quase a campanha partidária à presidente que o governador baiano e um dos fundadores do PT Jaques Wagner disparou nas redes sociais. Um infográfico afirmando que o “Brasil é a terceira economia que mais cresceu no último ano afirmando que essas conquistas mostram que o governo do PT está no caminho certo, colocando nosso país entre as grandes potências do mundo”.

Para ser um pouco mais realista em torno do comando Dilma, o triênio da atual presidente é o pior desde os anos 1990, com a média de 2,01%, ela só perde para o governo Collor um média de (des)crescimento de -1,31%. Itamar teve um crescimento médio em seu triênio de 5,38%, FHC de 2,28% e Lula com uma média de 4,03%. Mesmo com os petistas preferindo usar como desculpa o fantasma do estouro da bolha imobiliária norte-america de 2008 como uma onda de recuo econômico no mundo, ainda assim, Dilma não fez sua tarefa de casa. O Brasil poderia crescer mais.

Realmente, o PIB brasileiro surpreendeu e cresceu 2,3%. Mas ao se debruçar sobre os dados separados por trimestres podemos ver que a economia brasileira foi uma montanha russa. No primeiro trimestre houve um estacionamento, o Brasil não cresceu e tampouco diminuiu. O segundo trimestre, o maior crescimento do ano com 1,8%. O terceiro trimestre foi um desastre com um recuo de -0,5%. E para a supressa de todos, avanço de 0,7% no último trimestre. Não é saudável para a economia de um país um acúmulos de erros e acertos. Mesmo com a faca e o queijo em mãos, o governo consegue tropeçar. É preciso um crescimento continuo e sustentável.

Quem puxa o crescimento do país é um setor complexo de ser analisado, o serviço, com crescimento de 0,7% a agropecuária brasileira estacionou e teve uma variação nula e a indústria recuou 0,2%.

Ainda falta muito para Dilma e o PT serem o que o governador baiano Jaques Wagner diz ser. “Que o governo do PT está no caminho certo, colocando nosso país entre as grandes potências do mundo.” Mas mesmo assim, este número tão pequeno e modesto, fora das expectativas e promessas, será usado como campanha política para a corrida presidencial. Um número razoável, mas não é de se comemorar tanto.

*Dados do IBGE

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