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Série que reflete nova geração gay dos EUA ganha segunda temporada na HBO

Looking

Embora parte da crítica norte-americana não tenha recebido bem a série original da HBO “Looking”, assim como os telespectadores, a produção recebe cartão verde para a montagem da segunda temporada. O enredo conta a história dos amigos Jonathan Goff, Frankie J. Alvares e Murray Bartlett, que querem se divertir e aproveitar o que São Francisco tem para oferecer.

Os números de estreia da primeira temporada em janeiro foram pequenos, cerca de 300 mil telespectadores no primeiro episódio, exibido no dia 19 de janeiro, nos Estados Unidos. Em blogs especializados em crítica, o entrave da série é que ela explora demasiadamente o lado pervertido da homossexualidade, como se fosse apenas da personalidade gay fazer sexo oral em um parque público. Talvez a crítica seja um pouco moralista demais e não consiga ver que a série consegue chegar bastante próximo da realidade desta dita “nova geração gay”.

Como o próprio nome da série sugere, “Looking” (Procurando, em português), os personagens centrais vivem uma busca constante por algo que não condiz com suas atitudes. Provavelmente este seja o principal problema de boa parte da personalidade desta geração. O discurso: “quero casar, ter filhos, morar em uma cabana na fazenda” não está alinhado com certas ações de muitos na vida real, festas de quinta-feira até domingo, drogas excessivas e uma coleção de aplicativos de pegação no iPhone.

“Looking” mostra justamente isso. Questiona o telespectador gay sobre o que ele realmente está procurando, e como cutuca a ferida, as críticas começam aparecer. A série não quer ditar normas corretas e erradas dentro do mundo gay. Curtir sexo, drogas e fervo na pista da balada, escolher o pedaço de carne da noite de sábado no Grindr, acreditar que o poliamor dá certo ou que um relacionamento aberto são mais corretas ou incorretas atitudes comparadas com quem quer casar, ter filhos, goldens no quintal e um peixinho dourado na sala. O que a série passa é um questionamento de quando o discurso e as atitudes de ambas as escolhas se cruzam e a incoerência aparece, como quando as desilusões amorosas caem em terra e problemas surgem. Bem vindo ao mundo real.

Contemporâneo é não se apegar a ninguém, é amar todos e ser amado. Ser homossexual, nesta nova onda, se torna uma ferramenta transgressora para o pós-contemporâneo, mas ser gay não seria apenas uma simples orientação sexual? Apenas um ser humano que gosta, ama e se identifica com outro ser humano do mesmo sexo (o que já acontece há séculos e não é nada moderno)?

Aparentemente, a nova geração tem um pensamento de que a sexualidade é um instrumento militante por natureza, ou seja, apenas por ser gay a pessoa já é incumbida de lutar por todas as causas sociais de minorias do mundo. Mas ser gay não é apenas ser gay e ponto?

Mergulhando ainda mais nas entrelinhas de “Looking”, é possível observar que além da sociedade estar dentro de padrões heteronormativos, a comunidade gay caminha para a criação de suas próprias normas, criando uma “homonormatividade” para enquadrar em padrões e categorias o que é ser gay. E afinal, o que é ser gay? “Looking” também procura esta resposta.

*Publicado por Nelson Neto no portal MixBrasil

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