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Artista brasileiro usa o pênis como plataforma para suas obras

Hans Bellmer, Louis Bourgeois, Mimosa Pale, Tim Noble e Sue Webster. Provavelmente você não deve ligar estes artistas às suas obras, entretanto, o que eles apresentaram ao mundo é um tipo de arte que o Ocidente do século XXI não está tão preparado. Estamos falando da arte fálica.

Para melhor ilustrar: lembra daquele pipizão que aparece no filme “Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick, em que o personagem principal Alex usa para violentar e matar a dona da casa que ele e seus amigos invadem? Pois é, a escultura é de Herman Makking e foi batizada de “Rocking Machine”. No Brasil, nós também temos quem explora o mundo dos órgãos sexuais, e entre eles está o paulista de 27 anos Shoker.

Conversamos com ele para saber quem consome este tipo de arte e qual é seu ponto de vista sobre a (não) aceitação do que faz. Confira:

Como você descobriu a arte fálica?
Já faz cerca de quatro anos, o primeiro falo que fiz foi de ouro. Eu tinha gesso e algumas folhas de ouro e resolvi fazer.

E como a sociedade compreende seu trabalho?
A coisa que eu tenho mais dificuldade é falar sobre o que eu faço, pois causa transtorno. Eu brinco que não agrado gregos e troianos. De alguma forma é irônico. A sociedade já aceitou esta arte de forma mais fácil, é primitivo o uso do falo na arte, hoje já existe bastante hipocrisia.

De que lado você vê mais hipocrisia?
Às vezes, eu vejo alguns homens de pensamento primitivo que olham meu trabalho e dão risada, eles nem sabem o que estão vendo. A maldade inocente acaba não os deixando ver.

Quem consome mais a sua arte?
Mulheres e homossexuais. São destas pessoas que recebo maior feedback. Eles sabem o que estão comprando. Dos homens héteros são mais meus amigos que compram, para zoar uns com os outros.

Você conhece outros artistas que trabalham com a mesma temática que a sua?
Não como o meu. Geralmente, os outros artistas trabalham com falos (peruzinhos) maiores. Os meus têm 13 centímetros.

E como você chegou a este formato?
Uso uma forma de sabonete.

As galerias de arte aceitam o seu trabalho?
Fui recusado em todas as galerias do Estado de São Paulo. É uma grande hipocrisia. As galerias da Europa querem me receber até de tapete vermelho, mas é preciso dinheiro para isso. Ninguém te dá tudo de graça. Sou um artista do gueto, não tenho grana pra isso.

Quais são as principais amarras que você percebe na nossa sociedade para não aceitar a sua obra?
Não podemos vitimar a pessoa que não compreende. A grande questão é que somos vítimas da própria cultura. Religião e o falso moralismo são fatores que contribuem para este problema.

E qual é a solução?
Educação. Observe o Japão, eles têm um dia festivo do ano para o falo. Entende? Meu objetivo é chegar ao Japão. A educação deles é muito mais avançada que a nossa, ainda somos primitivos neste aspecto, além de hipócritas. Nós somos o País que cultua o samba e a bunda e ao mesmo tempo tem problema com a arte.

Como você se enxerga como artista?
Aos 17 anos fiz um semestre de design e saí da faculdade por não suportar. Eu digo que sou um selvagem que tropeçou na arte.

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