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Na boa, desse seu samba eu não sambo mais

Na boa: eu não sou o namorado perfeito, o namorado ideal ou o namorado dos sonhos. Passo longe de ser o sapo que vira príncipe. Aliás, sou mais um “sapo choco”, que nunca vai virar um príncipe. Estou mais para um pseudo-príncipe plebeu. Cheio de problemas, caras e bocas feias. Um namorado bem careta mesmo, sabe? Daqueles namorados bem antiquados, ou melhor, prefiro dizer daqueles namorados bem vintage.

Na boa: não adianta chegar cheio de gracinha para o meu lado, depois que tudo acabou. Não adianta chegar perto da minha pessoa com a máscara do Carnaval passado, de bom homem, depois que você me deixou de escanteio. Não faço a linha estepe. Meus pais (e acho que os pais de muitos) me ensinaram: “ou caga ou sai da moita”, não tem dessa de sorrisinho malandro.

Na boa: sim, sou namorado vintage. Daquele que ainda acredita no amor romântico. Sou daqueles que fica na fossa, mas depois de alguns quilos de brigadeiro de panela e ter visto todos os episódios de “Friends” e “Sex in the City” me torno uma Fenix e ressurjo das cinzas.

Na boa: eu sei. Não sou o namorado perfeito, mas também passo longe de ser besta. Não tente me fazer de besta. Não se engane também. Não seja você besta. Um dia, Cazuza me disse, enquanto eu chorava e me empanturrava de sorvete: “pra que mentir, fingir que perdoou, tentar ficar amigos sem rancor. A emoção acabou”. Então pronto, faço das palavras de Cazuza as minhas. O recado esta dado, na boa.

Eu sei… eu sei, não sou o namorado perfeito. Mas, desejo alguém que suporte as minhas imperfeições. Não sou capa de revista, tampouco popular. Gosto de ser imperfeito, gosto de ser o sapo. O que sei que não sou é escanteio, o reserva. Não sou mesmo. Quem sabe eu não encontre alguém imperfeito como eu: cheio de qualidades e defeitos. Mas que além de suportar as qualidades, nós dois saibamos amar os defeitos um do outro.

Na boa: você não soube me valorizar. Sambou na minha cara achando que eu era uma Sapucaí fora de época. Chegou todo malandro feito carioca. Me comeu pelas beiradas feito mineiro, se aquietou em mim feito baiano e esculachou comigo como moço paulista. Estou de boa agora, já sosseguei meu facho contigo. Recuperei minha dignidade. Então, não me venha com essa tua máscara do Carnaval passado, pois desse seu samba eu não sambo mais.

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