Cachola

Então você quer ser jornalista

Alguns vestibulandos ou jovens do Ensino Médio me perguntam como é o quotidiano de um jornalista e, claro, se ganha bem. A nossa profissão, para quem vê de fora, ou melhor, pela telinha da tevê plin-plin pode até parecer uma profissão glamurosa, mas não é bem assim. Então, você quer ser jornalista? Aí vai um pequeno recorte da realidade da nossa profissão.

Antes de tudo, se você quer ganhar dinheiro, faça Relações Públicas, vá trabalhar como assessor de imprensa para qualquer empresa e depois de alguns anos crie sua própria assessoria. Pode ter certeza, as chances de você se dar bem financeiramente é bem maior do que sendo repórter.

AH! Mas não dá para ser rico como repórter? Sinto dizer que não. E é até bom, nossa categoria não nasceu para ser rica – se um dia você for um repórter de verdade, vai entender que estou falando –, mas a questão da nossa realidade é bem mais dura do que simplesmente depositar um contracheque na sua conta bancária que não dá minimamente para pagar as contas do mês.

Para entender melhor faço a seguinte pergunta: por qual motivo você compra um jornal, uma revista, ou acessa um site? Se você respondeu que é para ser informado, parabéns, está seguindo o meu raciocínio. O produto do repórter é a informação, nós vendemos informação. Sem ela não há site, revista, jornal, jornal televisivo ou programa de rádio. A informação é o produto mais valioso de um veículo de impressa, e quem tem capacidade de trabalhar com esta matéria-prima? Nós, os profissionais da comunicação, o repórter.

Então, vamos pensar de forma mais ampla: uma empresa jornalística, ou seja agrega valor no mercado quando tem as melhores informações, e além disso, as informações mais polidas. E quanto mais informações importante o veículo tiver, mais lido ele será, mais competitivo ele vai ser e consequentemente ele poderá ter mais espaço para anúncios.

E o que acontece hoje com as empresas jornalísticas? Te explico.

Infelizmente, os caras dos business nunca passaram por nenhuma formação dentro da área de Comunicação, mas acham chic ter uma maldita revista e querem lucrar com isso (lucrar pode ser uma coisa boa). Bom, para ter uma boa redação é preciso gastar dinheiro e quando você é do business, você não quer gastar. Aí começa a dar merda. A redação começa a ficar sucateadas, um único jornalista se torna editor-chefe, editor, chefe de redação, redator, fotógrafo e repórter. E para não “ficar tão pesado”, o cara do business resolve contratar um estagiário, pagando qualquer coisa que chamam de bolsa benefício, e sem vale transporte, refeição e com uma carga horária com ponto de entrada, sem hora para sair.

Tá me acompanhando?

Há, eu já estava me esquecendo. O mesmo pobre coitado do estagiário tem que subir as matérias publicadas no Facebook, Twitter, site da empresa, Pinterest, Buzzfeed e ainda fazer aquele publieditorial em que a única pessoa que vai ganhar pelo serviço é o cara do business.

Ganhar pouco? Tudo bem. O problema é ser explorado intelectualmente e fisicamente. Benvindo ao fantástico mundo do Jornalismo.

Mas e o sindicato? Que sindicato? Oi? Caro futuro colega de trabalho, acho que se você chegou até este ponto do texto ainda pode  ser um futuro colega de trabalho, não se iluda com a fantasiosa tabela que dizem ser o piso de um repórter. Aquilo é surreal do que acontece na vida real. Ah! Mas vai do repórter dar seu preço no momento da efetivação. Pois é, faça isso e você vai perceber que não conseguir escrever uma misera linha de Word paga.

Boa sorte.

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