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Vidinha de supermercado

Ouvindo de canto uma conversa de transporte público: graças a Deus estou há 10 anos solteiro e cada dia que passo fico mais feliz por isso. Verdade. Sabe como é, quando você casa, como já fui casado, é como se você atestasse que a partir daquele momento você terá uma vidinha de supermercado para o resto da vida. Ah! Eu não sirvo mais para essa vidinha não. Você casa, tem filhos e a sua vida basicamente acaba. Você é apenas um homem que tem que trabalhar como um escravo colonial para levar dinheiro para sua esposa, que já te aguarda no dia do pagamento com a listinha do supermercado: arroz, macarrão, molho de tomate, ervilha, óleo, azeite, alface, mistura… não! Essa vidinha de supermercado não! Depois vêm os filhos, é um saco, pois sua vidinha de supermercado se duplica com a vidinha de papelaria e farmácia. Não dá não! Olha, eu até ganhava bem quando era casado. Dois paus e oitocentos! Mas, mesmo assim, essa grana não dava para nada. Hoje é diferente, ganho mil pila e estou ótimo. Compro minha cerveja, como pizza quando quero, não preciso voltar do trabalho direto para casa. Uma liberdade que só quem tem sabe valorizar. Se quero uma parede da sala verde, vou lá e pinto. Não preciso ficar perguntando para a mulher se ela gosta ou não de verde. Nada de vidinha de supermercado. Mulher estraga a vida de um homem, você não tem noção. Neste momento, o rapaz que só ouvia o discurso do amigo responde: por isso que sou viado.

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