Cachola

Não saiu do armário? Então você não é gay

ARMARIODENTRO

Depois de anos escrevendo sobre sexualidade em publicações do País e fora dele, chego à conclusão de que os próprios gays não se identificaram como seres humanos dentro das diversas camadas sociais em que estão inseridos. O que acaba dando brecha a uma militância partidária e corrupta, que usam a bandeira de libertação como uma marca política muito bem financiada.

A máxima “não saiu do armário? Então você não é gay” é uma prova disso. Conheço uma massa de homossexuais que fazem a linha que pintam de “gays invisíveis”. Que estão dentro do estereótipo (invejável por muitos e condenados por tantos outros) de que não sofreram na infância e não foram excluídos dos grupinhos da escola porque sempre estiveram dentro da estética Homem (com H maiúsculo), mas no bastidores da vida quotidiana, comiam todos os amiguinhos do grupo, ou porque não, era passivo mesmo.

Existe certo grupinho que pouco faz para a discussão em torno da sexualidade e adora apontar para este grupo de “gays dentro do armário” afirmando que eles são bichas mal resolvidas e preconceituosas com as afeminadas. Pasmem. É preciso ser tão generalista assim?

Depois de anos escrevendo para todo tipo de gay percebo que o problema não está nos extremos, mas sim na tentava interna do grupo de tentar impor uma “cultura gay”, consequentemente um “ideal comportamental” em que todas devem seguir. Provavelmente o mesmo deve acontecer no meio lésbico e trans.

Essa tal “cartilha rosa dos bons modos” não é rezada pelos héteros, mas sim imposta pela própria comunidade gay, em grande parte a falsa militância (que geralmente ganha uma boa grana com seus cargos públicos em secretarias e coordenadoras LGBT sem resultado algum).

Viada de verdade é aquele que dá, que come, veste dois números menor que o ideal, desmunheca, dança anaconda, sabe tudo de Gaga, Beyoncé, Madonna e reverência a Cher. Por favor, este é só uma cor das inúmeras que existem dentro da nossa medíocre sociedade homo-sapiens-sapiens.

Não estou negando que a bichinha afeminada é a que mais sofre na sociedade masculinizada que vivemos. Eu era ela na escola e ainda sou na vida adulta, sei muito bem o quanto é penoso. A reflexão que quero fazer é: será que é impondo valores, morais e comportamento dentro da nossa própria sociedade não estamos, cada vez mais, nos distanciado da nossa identidade real?

Vale mais impor um ideal gay do que trabalhar e lutar para uma nova visão de sexualidade?

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