Ando, Na Mídia, Subversão

Vinte e quatro horas de Rio de Janeiro. A cidade quase maravilhosa

A ida ao Rio de Janeiro, conhecida como o “cartão postal do Brasil”, foi de repente. Nunca antes havia pisado nas areias de Copacabana, Ipanema, ou nos calçadões da Cinelândia. E lá estava eu, na cidade que já foi capital do País, que já foi sede do império, e que até hoje vive a Família Real Brasileira – sim, nós ainda temos uma família real, assustado? Calma, eles não fazem nada para o Brasil, só são pobres ricos que vivem dos títulos do passado.

RIO

Cidade Maravilhosa? Nem tanto, talvez, quase maravilhosa. A Rodoviária é mal localizada. Poderia ser melhor. Provavelmente o governo está mais interessado em deixar bem a chegada do turista pelo aeroporto do que pela rodoviária. Bastante triste, mas a vida do menos endinheirado é colocar o pé na estrada e viajar pelas rodovias tão mal administradas e com pouco investimento dos políticos.

No centro da cidade, o único prédio que vi em restauração e reforma foi a Biblioteca Nacional. E o melhor conservado o Theatro Municipal. Os outros? Praticamente caindo aos pedaços do tempo. Como já disse, o Rio de Janeiro tem sua importância histórica do Brasil. O descaso com o patrimônio da cidade é uma falta de respeito com a população carioca e com o resto do País.

O Museu Nacional das Belas Artes

Escolhi dois locais para conhecer no Centro. O primeiro foi o Museu Nacional das Belas Artes (MNBA), um dos mais importantes do País. Ele é muito bem organizado, principalmente para os mais desorientados em museus como eu. Ele é dividido em dois setores: Arte Brasileira no Sec. XIX e Arte Romântica, Moderna e Contemporânea do Brasil, e se você entra do lado ‘errado’, que não seja na ordem cronológica, os guardas te avisam: “ei, a entrada correta é do outro lado”. Meu destaque é o auto-retrato de Tarsila do Amaral.

MUSEU-IMPERIAL-DAS-BELLAS-ARTES

Embora o museu tenha sido criado oficialmente apenas em 13 de janeiro de 1937 – e inaugurado em 19 de agosto de 1938 – sua história é muito mais antiga, e remonta à chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro em 1808, já que Dom João VI trouxe um conjunto de obras de arte, algumas das quais permaneceram no país depois de seu retorno à Europa e figuram como o núcleo inicial da coleção.

Alguns anos depois de sua chegada ao Brasil o rei fundou a Escola Real de Ciências, Arte e Ofícios, que a princípio funcionou em um prédio próprio construído por Grandjean de Montigny, um dos integrantes da Missão Francesa e professor da escola, e inaugurada em 1826 pelo imperador Dom Pedro I, ocasião em que a instituição passou a ser chamada de Academia Imperial de Belas Artes.

TARSILIA-DO-AMARAL

Com o passar dos anos a Academia Imperial formou uma significativa pinacoteca. Com o advento da República, a academia foi rebatizada como Escola Nacional de Belas Artes. Permaneceu no mesmo edifício até a construção de sua sede atual na Avenida Rio Branco, antiga Avenida Central, artéria aberta na gestão de Pereira Passos durante uma grande reforma urbanística promovida no centro da cidade do Rio de Janeiro no início do século XX. Vale a pena a visita.

Copacabana beach não é tudo o que pintam por aí

No centro da cidade peguei o metro sentido Copacabana, a icônica praia brasileira. Provavelmente um dos lugares que meu coraçãozinho mais aguardava conhecer, e conheci.

Ao colocar meus pés na areia da praia, percebi que ela não é tudo que pintam. Gente branca correndo com seus Ipods e Iphones pendurados no braço, e se protegendo do Sol com seus óculos degradê Ray-Ban. Preguiça. Cadê a diversidade dessa cidade? Cadê as gays? Nada, só a elite branca caminhando por lá. Uma elite branca turista. Mais tarde, descobri que a elite branca nativa está no Leblon. De qualquer forma, preguiça de Copacabana.

A surpresa boa são os preços. Nos quiosques, a cerveja lata pode ser comprada de R$5, long neck por R$7 e garrafa de 600ml por R$8,5. Bastante acessível. Para quem curti bons drinks, eles não passam de R$15 e a caipirinha pode ser apreciada por R$8 reais. Resumindo, me alcoolizei nas areias cariocas.

Ipanema é um sonho

A praia de Ipanema é um sonho. O sol já começava a querer dar adeus, e eu estava um pouco decepcionado com Copacabana, até que cheguei à Ipanema. As únicas palavras que posso pronunciar sobre Ipanema são: o por do sol mais bonito que vi na vida. Veja a imagem e invejem:

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Os cariocas, a verdadeira beleza do Rio de Janeiro

Já falei aqui sobre minha decepção do desleixo do governo com a cidade, também falei sobre a decepção na alta expectativa sobre a praia de Copacabana, então me resta discursar sobre a verdadeira beleza da cidade: o carioca

Mas vale lembrar que estou falando do Carioca de verdade, daquele que realmente mora no Rio, não dos enlatados do Leblon, Ipanema e Copacabana. Não quero generalizar, mas na boa, carioca branquelo, quem nem sabe quem foi Cazuza, Tim Maia e não tem samba no pé, tenho minhas dúvidas.

Voltando aos cariocas do morro, aos cariocas da Zona Norte, aos cariocas que pegam no batente todos os dias, pegam metro, trenzão e vão trabalhar no porto. Estes sim são belos, naturais. Eles têm pele da cor do Sol. Por que gente rica não trabalha, explora pobre.

CARIOCA

Provavelmente minha tristeza e decepção com o Rio é o carão da classe média ao verdadeiro carioca. Sim, as diferenças são grandes, e os preconceitos saltam aos olhos. A Zona Sul vê a polícia como protetora, a Zona Norte (com toda razão) vê a polícia como repressora. E os policiais lá são carudos mesmo. Não quero dizer que em São Paulo as coisas sejam diferentes. Mas, parece que o Rio de Janeiro gosta de fazer desta segregação um fator turístico da cidade.

Rio Sem Homofobia, ou, Queremos seu Pink Money

É verdade que o Estado do Rio de Janeiro é um Estado relativamente avançado em torno das políticas pró-LGBT, mas é também verdade que boa parte deste “investimento” está muito mais voltado à grana que nós, turistas LGBTs, desembolsamos nos ricos bairros da Zona Sul do que na nossa segurança e bem estar do próprio carioca homo ou trans.

Andando por Ipanema, pelo posto 9 e pela Farme, não vi casais andando de mãos dadas, beijos gays, lésbicos, trios e a vida gay circulando por lá. Apenas algumas bichas mais descaradas fazendo carão na Cidade Maravilhosa. Uma pena, poderia ser mais.

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