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Eleições 2014: Entre tapas e beijos LGBTs estão mais engajados nas reivindicações de suas lutas

Faltam poucos dias para a população brasileira eleger o próximo presidente do País no próximo domingo, 26 de outubro. Esta é a eleição em que a população LGBT teve maior visibilidade na discussão política do País, entretanto, visibilidade não significa avanços nas políticas públicas que buscam o bem-estar e a emancipação dos gays, lésbicas, bissexuais e trans brasileiros. O que chama atenção é o engajamento do movimento nas redes sociais em expor suas demandas e se organizar para cobrar dos candidatos de ambos os partidos uma posição clara sobre o tema LGBT.

É evidente que, de modo geral, estas eleições estão mais agressivas por parte das campanhas dos partidos, o que refletiu no eleitorado transformando as redes sociais em campos de batalhas sangrentos; que empobrece o debate de programa e tira o foco da discussão política. Em diversos grupos de discussão sobre as questões LGBT, moderadores alertam para a não tolerância de comportamentos inadequados, como agressões verbais, nas publicações e comentários.

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“Infelizmente tivemos que adotar essa política até domingo que vem, pois as pessoas esquecem a luta por direitos e brigam por paixões”, explica o moderador do grupo Todos Contra a Homofobia, a Lesbofobia e a Transfobia Otávio, sobre as discussões no Facebook e completa: “sabemos que nem todos são assim, mas infelizmente os que são acabam prejudicando todo o andamento do grupo”.  Otávio criou um post específico para a discussão sobre as Eleições 2014 em seu grupo.

Luizah Oliveirah é militante uma das administradoras do grupo “Zero Homofobia / Lesbofobia / Transfobia” – que declara apoio ao candidato do PSDB Aécio Neves – e tem uma opinião diferente do próprio grupo. “Eu tenho vontade de votar nulo, mas é preciso exercer a cidadania e meu voto vai para Dilma, a democracia é isso”, afirma. Luizah diz que “é preciso quebrar a demanda da bancada evangélica para evoluir os direitos dos LGBT no Brasil”.

Exposição e ringue político

Não são apenas LGBTs que estão expondo suas opiniões políticas nas redes sociais, e às vezes de forma pejorativa. O advogado e militante Renan Quinalha afirma que “o LGBT tem usando de forma impressionista, mas é a forma que se expressam. O Facebook se tornou uma ferramenta de expressão de opinião, o que é positivo, mas pode acabar atrapalhando da forma com se usa a rede social”.

O professor e militante LGBT Tarcisio Ramos tem sua opinião sobre as eleições desta anos, para ele “no primeiro turno foi bem interessante, tínhamos muitos candidatos LGBT para o congresso, o debate estava de alto nível, além de dois candidatos presidenciais comprometidos com as demandas LGBT sendo Luciana Genro do PSOL e José Maria do PSTU, o que gerou que a maior parte da militância LGBT ficasse em torno dessas candidaturas. Agora no segundo turno, alarmaram a população LGBT, as pessoas se desesperam e estão tornando as redes sócias como ringues eleitorais, mas parece que foi esquecido que ambos candidatos não estão comprometidos com nossas demandas.”

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Sobre transformar a discussão política em ringue eleitoral o jornalista e pesquisador Gean Oliveira também tem sua opinião. “O sentimento de antipetismo, novamente me assusta e estarrece, principalmente, quando se ignora que o candidato da oposição recebeu o apoio de todos os líderes fundamentalistas religiosos e os ultraconservadores anti-LGBT e direitos humanos”, e pondera dizendo que “contudo, o voto em Dilma não deve ser cego, deve ser crítico, de cobrança por um mandato que dê centralidade as questões minoritárias, principalmente, as temáticas de orientação sexual e identidade de gênero tão negligenciadas no primeiro”.

As velhas e novas lideranças

O engajamento massivo de gays, lésbicas, bissexuais e trans podem mudar o cenário do movimento e da militância? Renan Quinalha acha que a internet pode ajudar. “O candidato eleito estará de olho nas demandas das redes sociais, será mais uma ferramenta. A militância tradicional e institucionalizada continuará exercendo suas funções. Enquanto nas redes sociais, aquele cidadão que antes não estava veiculada a estas militâncias também terá espaço para se organizar de uma nova maneira e expor suas reivindicações.”

“Militantes muito conhecidos expressaram seu voto no segundo turno e inclusive estão fazendo campanha abertamente; Jean Wyllys para Dilma e Luiz Mott para o Aécio, mandei uma mensagem para os dois e conversei com eles, deixando claro meu respeito pela posição deles mais que nenhum candidato representa de fato a população LGBT”, conta Tarcisio.

A bandeira está hasteada

Mesmo com o Congresso sendo um dos mais conservadores eleitos desde a ditadura militar, de acordo com alguns analistas políticos, o voto LGBT e de pessoas interessadas no progresso das políticas sociais para minorias em 2014 contabiliza cerca de 16 milhões. Um número que alcança o 10% do eleitorado brasileiro.

Foram eleitos, de acordo com o site VoteLGBT, 38 deputados federais e estaduais compromissados com a legitimação da cidadania LGBT no País. É fundamental que a partir de janeiro de 2015, cada eleitor continue exercendo seu poder e cobre de seu candidato aquilo que prometeu para se eleger.

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