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O que era para se proteger virou cultura. A história de um skinhead gay

Quem vê Darren Ardron caminhar pelas ruas de Manchester, no Reino Unido, pode imaginar ser um brutamonte homofóbico, xenófobo e racista. Seu estilo chega perto do estereótipo-neonazi-skin. Careca, suspensório, acessório de luta e calça jeans apertada. Mas longe disso. Darren faz parte de um antigo grupo de gays skinheads. Topou dar uma entrevista e contar a história do Manchester Gay Skins.

Como surgiram estes skinheads gays na Inglaterra? “O assassinato de gays por skinheads é o que levou a gays aderirem à forma de se vestir como eles. Era como uma camuflagem para não identificaram facilmente quem era gay ou não, isso há décadas. Com o tempo, alguns grupos gays acabaram aderindo a vestimenta e o estilo cultural”, diz Darren.

Ele conta também que nem todo skinhead é xenófobo, racista e homofóbico. “Existe todo um sentido de fraternidade e de família que queremos trazer para a comunidade gay”, sentido de família que para ele inclui o casamento e filhos. Mesmo que não seja da forma tradicional homem e mulher.

O grupo, que ele participa, promove anualmente o Gay Skinhead Weekend. Neste evento, vários skinsheads gays do Reino Unido se juntam e discutem assuntos da comunidade, entretanto, ele alerta que “o grupo não tem cunho político e se restringe a questões culturais”.

Na contramão
É evidente que alguns grupos de skins não gostam da ideia de homossexuais aderirem parte da sua cultura. “os chamados ‘straight skins’ ainda nos olham com desdém, por sermos skinheads gays, mas muitos estão vendo quem somos e a nossa sexualidade acaba sendo algo secundário”.

Experiência
No Brasil também existem alguns grupos de skinheads gays, e são avessos a conversas com jornalistas, e eles já foram barrados (e depois liberados) da Parada LGBT de São Paulo. O primeiro contato que tive – e o único – foi durante a cobertura da Parada de 2012. Trocaram uma ou duas palavras comigo, aceitaram que eu tirasse uma foto e logo depois alguém gritou “imprensa de merda”. Saí de lá antes que a coisa ficasse feia para o meu lado. Pelo menos eles são contra a homofobia.

Por aqui, como é possível ver pela foto que até dialogam com os punks, o que seria o outro extremo do pensamento político, cultural e ideológico deles.

PUNKSKINBRASIL

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