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Por um movimento plural

Escritora, atriz, artista e ativista queer norte-americana Kate Bornstein, 66 anos, sempre esteve à frente do seu tempo – e ainda está. Autora do respeitado livro Gender Outlaw: On Men, Women, and the Rest of Us (em tradução livre – Gênero Fora da Lei: Sobre Homens, Mulheres e o Resto de Nós), publicado em 1994, Bornstein ainda tem muito o quê dizer e ensinar ao movimento LGBT e a sociedade tradicional do ocidente.

Ao jornal New York Times, ela diz que a categorização dos indivíduos como macho e fêmea pode se tornar completamente obsoleta em pouco tempo, e “este é um momento crucial na história para transexuais na desconstrução do rígido conceito de dois sexos sustentado por pessoas que não se conformam na existência de tal pluralidade sexual”, o que incluí o próprio movimento de gays e lésbicas e de feministas, além da população fundamentalista judaico-cristã.

Ela, que é mulher transexual e fez a cirurgia de transgenitalização nos anos 1980, afirma que existem avanços no pensamento da sociedade. “Diferente dos seus pais ou mesmo dos seus irmãos mais velhos, a maioria dos estudantes universitários lidam bem com a ideia de alguém não se definir como homem ou mulher” dentro de um conceito tradicional de sexualidade.

É evidente que, atualmente, cada grupo de gênero e sexo tem suas demandas de políticas públicas. Como cada grupo também tem seus privilégios. E quando a classificação torna parte essencial para a construção de uma identidade o movimento acaba caindo nas mesmas armadilhas que a sociedade calcada, historicamente, nos fundamentos tradicionais cai; ou seja, na dominação de determinado setor dentro dos diferentes movimentos.

No nosso caso do movimento LGBT, Bornstein aponta sua crítica ao intenso enfoque dado ao casamento gay e lésbico. “enquanto muitos, dentro do grupo, especialmente as pessoas transexuais, sofrem discriminação e violência”.

“As pessoas transgênero e transexuais vivem à margem da sociedade, e muitas vezes no ostracismo até mesmo dentro de comunidades de gays e lésbicas”, denúncia a militante.

Sexualidade

Um estudo realizado por cientistas da Universidade de Medicina de Viena mostra que a identidade de gênero está profundamente enraizada no cérebro, e não necessariamente ligada ao próprio sexo biológico.

“Enquanto o sexo biológico, geralmente, se manifesta na aparência física a identidade de gênero do indivíduo não é imediatamente perceptível, mas principalmente estabelecida na psique de um ser humano”, diz o estudo publicado no início de 2015.

Alguns países já pensam de forma mais plural. Na Austrália, Nepal e Tailândia foram tomadas medidas para reconhecer um terceiro gênero.

No Brasil

A Teoria Queer ainda engatinha dentro das universidades brasileiras e também enfrenta diversas barreiras dentro da população LGBT. É possível observar, que por vezes, a não aceitação do pensamento queer se dá quando ele começa a quebrar protagonismos patológicos dentro da própria militância, o que o movimento queer tem como um dos seus objetivos como consequência. Ou seja, dar voz a quem, por questão de vivencia e racionalidade tem fundamento para falar.

O aparente fenômeno “puritano”, de acordo com Kate, que atrasa mudanças no modo de pensar a sexualidade humana, se repete no Brasil. Com uma dura frente de luta religiosa fundamentalista; por vezes machista, xenófoba, lgbtfóbica que furta a cidadania de diversos membros de diferentes grupos de minorias.

*Com informações do NYTimes

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