Cachola

Já pensou quando a velhice chegar?

A palavra velhice pode parecer antiquada, forte e até mesmo inadequada. Mas a realidade é que um dia esse momento vai chegar. Você pode chamar de terceira idade, melhor idade ou de velhice mesmo. O quê importa é ter consciência de que, se você passar dos 60 anos, terá outras necessidades e expectativas.

Minha mãe é cuidadora; então, as questões do envelhecimento estão muito presentes no meu cotidiano e um artigo publicado no jornal The Guardian chama atenção ao processo de envelhecimento da população LGBT. E quem conta sua experiência ao jornal britânico é o diretor executivo Des Kelly da Care Home and Residential Home, entidade sem fins lucrativos que trabalha com a questão dos lares para idosos no Reino Unido. Segue o texto:

namoradas

Um colega me contou recentemente sobre a relação dois residentes de um lar de idosos, onde já trabalhei. A equipe de cuidadores, inicialmente, achou que era apenas uma amizade forte entre eles, que tinham Alzheimer. No entanto, com o passar do tempo, tornou-se óbvio que eles estavam atraídos um pelo outro, e a aproximação estava se desenvolvendo para um relacionamento. De pronto, a equipe de cuidadores os separou, e inclusive ameaçou aos dois de contar aos parentes sobre o relacionamento.

A atitude dos cuidadores é apenas um exemplo do que a população LGBT idosa enfrenta na atualidade. Então resolvemos criar em fevereiro, de 2015, a LGBT History Month (O Mês da História LGBT – tradução livre) para criar um momento oportuno de discussão em torno do envelhecimento da população LGBT, e dar apoio a esta comunidade.

O projeto basicamente debate as necessidades dessa comunidade, e se pergunta como fornecer aos seus membros um apoio mais adequado. Então, após os estudos executados desde fevereiro, vamos divulgar casos práticos e bem sucedidos de políticas sóciais positivas aos idosos LGBT.

Neste primeiro momento publicamos, em nosso site, um artigo sobre os desafios da demência na comunidade LGBT; o que é importante e vital para conscientizar as pessoas. De acordo com estimativas, existem cerca de 1,2 milhão de idosos gays e lésbicas no Reino Unido, e estas pessoas precisam de atenção especializada.

Além disso, o Alzheimer está no topo da agenda nacional (do Reino Unido), dados afirmam que haverá um número, até 2025, de cerca de um milhão portadores de Alzheimer no país, e não há nenhuma referência específica às questões LGBT. Se levarmos em conta que a população LGBT  mais velha já vivem afastadas de seus familiares, pé provável que eles merecem a devida atenção.

Nós sabemos quem um dos maiores desafios é o preconceito atual. Por exemplo, no caso do Alzheimer, a forma com que o idoso se relaciona pode mudar. Enquanto alguns perdem suas inibições devido à demência, outros se sentem incapazes de abrir sua sexualidade ou até o estado transgênero. A doença causa angústia e confusão;  e esta experiência pode ser aumentada no casos de pessoas idosas que precisam lidar com suas percepções de sexualidade ou gênero. Os lares de acolhida de idosos precisam estar preparados para isso.

Outro grande obstáculo é a falta de pesquisa. Como a Comissão de igualdade e Direitos Humanos aponta em seu relatório de 2010, a população LGBT idosa tem sido negligenciada na saúde e na legislação de assistência social, política, de pesquisa, orientação e prática.

Então, quais são as soluções? Alguns ativistas acreditam que cuidados  residenciais (o serviço de cuidadores em residência) especificas de LGBT com Alzheimer podem ser uma resposta rápida à demanda. No entanto, além do fato de que o financiamento público para tais qualificações seja improvável no atual clima financeiro, muitas cuidadores não querem viver em ambientes dedicados apenas aos LGBT.

Para conseguir isso, precisamos desenvolver muito mais as boas práticas do serviço de saúde. Incorporando histórias reais de pessoas LGBT na formação de cuidadores de pessoas com Alzheimer, o que vai ajudar a tornar a questão mais conhecida. Além disso é preciso replicar o trabalho de pesquisadores e cuidadores para LGBT em diversos fóruns, para dar maior suporte no aperfeiçoamento do trabalho.

A dignidade no atendimento aos idosos LGBT, de modo geral, é de grande importância em nosso setor, mas devemos perguntar se os valores fundamentais de respeito e compaixão realmente se estendem a todos aqueles que apoiamos.

*Com informações do The Guardian

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