Bandeira

Da manifestação recheada com catupiry às preocupações das LGBT

A segunda-feira, 16 de março, começa com ressaca moral e política. O recado foi dado pelas principais ruas do País no último domingo, 15 de março; e se engana quem engole o discurso, recheado de catupiry, de que as manifestações foram apenas contra a corrupção. Basta observar as imagens espalhadas nas redes sociais para encontrar as imagens pedindo a volta dos militares ao poder, o impeachment e a supremacia de uma classe socioeconômica em detrimento dos Direitos Humanos.

É importante chamar atenção para a fala do filósofo Renato Janine Ribeiro, professor de Ética e Filosofia Política da Universidade de São Paulo (USP), em uma palestra proferida na última semana em São Paulo, em que ele afirma que os grupos políticos de extrema-direita no Brasil estão voltando sua atenção, sobretudo, para a área de costumes. “A extrema-direita está se distinguindo do restante por um ódio cabal aos direitos humanos”, diz em sua fala reproduzida no O Estado de São Paulo. Que para ele “atacam o homossexual, a igualdade de gênero, os direitos das mulheres, e por aí. Tudo isso tem um alcance muito grande no Brasil”.

Com o apoio das ruas, do último dia 15, as bancadas da bala, evangélica e fundamentalista se empoderam ainda mais com seu discurso machista, lgbtfóbico e misógino; o que torna as preocupações da população LGBT maiores. Estamos falando de um discurso de ódio enviesado que, por vezes, muitos não conseguem enxergar.

A ex-candidata à presidência da república Luciana Genro bem analisa em suas Impressões Sobre 15 de Março, texto publicado no portal Juntos, que “predominou foi a ideologia da classe dominante, e no guarda chuva desta ideologia as posições de direita e extrema direita também se expressam”.

Fica claro que é preciso que as associações LGBT e seus movimentos se unam com as diversas vozes da luta pelos Direitos Humanos, com urgência, ou veremos; mesmo com a continuidade deste Governo; um avanço ainda maior do fundamentalismo das pautas dos tradicionais costumes da família branca brasileira. Parece uma análise óbvia, mas se é óbvia por qual motivo existe certo silenciamento de tais instituições e organizações que se dizem lutadoras dos direitos LGBT?

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