Bandeira

Quando a Globo enfrentou Deus

Editorar os temas que vou subir durante a semana no Blog não é uma tarefa fácil. Ainda mais quando o autor está estudando em duas universidades diferentes. E eu ainda não havia escrito nada sobre o beijo, dado em horário nobre, de Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg.  Não foi falta de interesse ou feeling jornalístico, foi falta de tempo mesmo. Mas, após as devidas considerações e repercussões dadas à bitoquinha das atrizes, é preciso chamar atenção para alguns pontos; mesmo que seja às 4h da manhã de um sábado.

Estava em meio a um seminário sobre o autoritarismo aristotélico enfrentado por Galileu Galilei, quando meu celular começa a vibrar freneticamente. É meu melhor amigo: “teve beijo lésbico no primeiro capítulo da Babilônia”. Não demorou muito para a minha linha do tempo do Facebook abarrotar de postagens comemorativas do beijo. (Andei selecionando um pouco quem eu sigo e quem tenho como amigos no Facebook).

No momento pensei. Que ousadia da Globo, no primeiro capítulo. A altura de Fernanda e Nathalia.

Mas, astutos e atentos como são, não demorou muito para a bancada (ocupadíssima) evangélica articular, juntos às suas igrejas-empresas, algum tipo de repúdio – como o boicote anunciado pela imprensa – contra a emissora e a novela.

Não vou gastar as pontas dos meus dedos e os neurônios para dizer o quanto é uma idiotice o boicote. A questão mesmo é que, quase sem dúvida, Babilônia representa o deve ser um verdadeiro folhetim. A vida imita a arte, e a arte imita a vida (e sim, telenovela é arte). A Globo começa a mostrar que aprendeu a ser sensível a temas relacionados à população LGBT, e ainda choca a tradicional família brasileira introduzindo temas sobre prostituição, racismo e o quanto uma determinada classe social dominante é preconceituosa.

Li no perfil de um membro da minha família argumento que os evangélicos preocupados da influência da telenovela sobre as pessoas não acontece. Claro que qualquer meio de comunicação, o que inclui a arte, tem forte influência no comportamento de quem consome. Seja ele em qual plataforma for: televisão, rádio, cinema, web, jornal, revista, livro… por isso se faz importante ficarmos atentos para as mensagens explicitas e implícitas que as telenovelas brasileiras passam para seus telespectadores.

É evidente que não é de hoje que parte da comunidade gay, boa parte da comunidade trans, lésbicas e bissexuais não estão contentes da forma que são representados nos produtos da Globo. E ter políticos atentos e interessados em banir Babilônia só revela que, provavelmente, Babilônia está no caminho correto.

Assim, a Globo enfrente Deus cara a cara.

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