Subversão

Você gosta de Romero? Olha o absurdo!

Britto

Era virada do ano de 2o13 para 2o14. Estávamos; meu melhor amigo e eu; em um famoso restaurante em Ilhabela sendo recebidos por uma obra de Romero Britto exposta na recepção. A careta flácida e arrogante de alguns que entravam e batiam de frente com uma obra tão “rasa” em um restaurante que servia a “boa” gastronomia da ilha era quase uma atração turística.

Brevemente conversamos sobre o artista pernambucano que ganhou Miami e o mundo com sua arte. Sim, arte – e aprenda a lidar com isso, se você tiver problemas. Eu não gosto, entoou meu amigo.

Romero’s middle-of-the-road. Não sou nenhum consumidor du grand art burguesinha branca paulista e carioca. Embora, por vezes, frequente uma ou outra galeria de São Paulo.

As melhores visitas à arte estão na rua, nas margens. No grafiti; no artista que estica o lençol na Avenida Paulista e expõe seus quadros. Naquele que posta imagens do seu trabalho nas redes sociais e forma seu público sem ter um galerista, um curador, um crítico, um angel, ou uma escola acadêmica por trás. Esse artista é puro.

Romero Britto saiu da margem. Não foi dos berços de ouro dos cariocas ou dos paulistas cheios de metiês do blá blá blá.

Ah! Mas ele ficou rico com as bugigangas dele! Diz o branquelo do Jardins. E respondo: E que bom! E tem que ficar mesmo.

Dá para perceber o real problema daqueles que são o germe do preconceito contra Romero quando ouvimos seus argumentos. Para a Ilustrada, da Folha de S. Paulo, desse domingo, 3,  o diretor do Instituto Volpi Pedro Mastrobueno solta a frágil pérola:

            “A sua obra [de Romero] é ‘fast food’ das artes plásticas. A massa consome com mais facilidade gatinhos multicoloridos, assim como há mais consumidores de cachaça, comparado com quem aprecia um Romanée Conti”.

Pois é; do mesmo modo que o tal do presidente do Instituto Volpi demonstra uma grave crise de vira-lata; ainda vomita preconceito com nossa brasileiríssima branquinha.

Assistindo o canal Arte 1, uma reportagem falava sobre o ótimo desempenho da SP-Arte em um momento de crise econômica; quando percebo que a esmagadora quantidade de fontes mostrada pela reportagem são de artistas branquinhos, cheios de seus  privilégios de viver no berceau de l’art desde quando eram espermatozoides.

E por uma causalidade ‘sem pretensões’ uma esmagadora maioria são paulistas e cariocas que já tiveram exposições em Berlin, Paris, Madri, Barcelona, Nova York, Londres… um ou outro excêntrico encheu as papilas gustativas de saliva para dizer sobre suas inspirações em Tókio.

Tem um pessoalzinho gourmet; de relações que vive no ‘Leblon Paulista’ e ‘Jardim Europa Carioca’ que adora dizer “é pra massa”; para deslegitimar trabalhar que não nasceram do seus clubinhos de luluzinhas cheias da grana para estudar na Europa.

Mas, dear, quem é a massa? Já parou para pensar o quanto você consome de produtos enlatados sem perceber que está consumindo justamente por estar dentro da massa? Ou você acha que sua intensa e profunda ode aos europeus é algo intimamente seu?

Não só nas artes plásticas

As tentativas; por um clubinho burguês classicista; de colocar à margem artistas também invade o campo da Literatura. Vejam só um exemplo: Paulo Coelho.

Não sou eu que vou dizer que ele é o nosso Nobel literário, mas não se pode negar que ele é lido no mundo inteiro, inteiro mesmo: para além das medíocres fronteiras do Oeste europeu – e inclusive sendo leitura obrigatória em muitos cursos honrados de Letras pelas terras do Tio Sam e da Realeza.

Na última semana, a coitada da escritora Ruth Rocha, aos seus 5o aninhos de carreira solta a pérola infame: “Harry Potter não e literatura”. Uma pena.

Esse lance de é ou não; tá dentou ou tá fora; faz ou não faz… não passa de um lero-lero de clubinho da luluzinha que precisa pisar nos alheiros para legitimar seu próprio e essencial trabalho de manter a conta bancária bem gorda com o que chama de A-R-T-E.

Beijos coloridos para vocês; com gostinho de cachaça.

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