Bandeira

Ainda falta empatia entre as cores do arco-íris

A centralidade da visibilidade de um determinado grupo em detrimento de outro é quase patológico na luta LGBT

Foto divulgada por Jean Wyllys

Foto divulgada por Jean Wyllys

O espetáculo da politicagem foi aberto com um beijo entre o casal lésbico Daniela Mercury e Malu Verçosa no 12º Seminário LGBT do Congresso Nacional que tem como tema: Nossa Vida D@s Outr@s; empatia, a verdadeira revolução.

É evidente a importância de um espaço para um debate sério sobre políticas públicas para minorias sociais que fazem parte de grupos excluídos por conta da sexualidade. Entretanto; e sempre cabe um entretanto; fazer desse debate show de politicagem é triste.

O beijo da cantora Daniela e sua esposa revela a centralidade da visibilidade da homossexualidade em detrimento de outras letras; não é, aqui, uma crítica ao trabalho da cantora[barra]ativista dos Direitos Humanos. Ela tem seu mérito, mas estamos na “casa do povo”, não? E como ficam a visibilidade dos demais, no discurso de nota de roda pé?

A pluralidade no evento também fica questionado quando em sua própria página de divulgação das mesas redonda temos um dos fundadores do canal do Youtube Põe na Roda Pedro HMC, na descrição sobre ele  diz: “Idealizador do canal Põe na Roda composto por jovens LGBT. O canal fala sobre os limites do humor, o politicamente correto/incorreto e a liberdade de expressão/discurso de ódio”. Um pouco forçado tal enunciado.

A pergunta fica no ar: quem nos representa?

Discurso versus argumento

Precisamos ficar atentos para tudo que nos é apresentado com um torque de vitória e/ou conquista. Ainda vivemos em uma sociedade discursa; ou seja, reprodutora de discursos, e nesses discursos que entram – nem sempre de forma clara – matrizes de higienização e exclusão social.

Estamos ainda distante de sermos uma comunidade argumentativa, onde todo e qualquer discurso não precise ser desconstruído a todo custo, mas é argumentado, refutado e colocado em seu devido lugar.

 O seminário tem sua importância? Têm; mas é preciso questionar como cidadão o que é feito daquilo que é vendido como símbolo de um coletivo, de um grupo e de uma comunidade.

Segue a programação das mesas redondas do dia 21:

Mesa 2 – 10 horas
“Ódio na carne” – A agressão além do verbo/A expressão letal da injúria e difamação.

Mediador: Deputado Jean Wyllys (PSol/RJ)

Márcia Tiburi – Filósofa, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Mackenzie, e professora convidada da Fundação Dom Cabral.

Fábio Meirelles – Coordenador geral de Direitos Humanos do Ministério da Educação

Luma de Andrade – Professora e doutora em Educação. Em sua pesquisa analisou as experiências e resistências de jovens travestis no espaço escolar.

Irina Bacci – Diretora do Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Almoço – 12 às 14 horas

Mesa 3 – 14 horas
“Mais amor, por favor!” – Tolerância, respeito e diferenças.

Mediadora: Deputada Erika Kokay (PT/DF)

Viviane Mosé – Poetisa, filósofa, psicóloga e psicanalista. Mestre e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Maria Clara Araújo – Ativista do transfeminismo. Estudante de pedagogia da Universidade Federal de Pernambuco.

Ana Lodi – Membro da Associação Brasileira de Famílias Homoafetivas e personagem do vídeo da campanha #nossafamiliaexiste

17h30 – 18h – Encerramento

Anúncios
Padrão

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s