Cachola

As entrelinhas do Dia do Orgulho Hétero

Não é apenas atacando o indivíduo que se resolve o problema; é preciso atacar a matriz que sustenta a existência dele no Estado

“A Primeira Missa do Brasil”, de Victor Meireles; 1860

Dia 21 de maio, o Diário Oficial do Estado de São Paulo publica na página 23 o Projeto de lei nº 820/2015, de autoria do deputado estadual do DEM pastor Cezinha Madureira, em que é anunciado o Dia do Orgulho Hétero.

Não adianta sair por aí apontando o pastor/deputado ou estampando a cara dele nas redes sociais. Ele é só mais um ator, de tantos outros, sustentado por uma matriz social que autoriza a higienização e a domesticação dos indivíduos

O Dia do Orgulho Hétero, para o pastor, deve ser comemorado no terceiro domingo de Dezembro. Isso revela o sistema higienizador que refiro.

Enquanto o capitalismo sustenta matrizes higienizadoras socioeconômicas, a religião cristã, no Ocidente, é a matriz que domestica o indivíduo no que diz respeito à ética, moral, valores e estética.

Também é válido citar que a reforma protestante colaborou para as bases do capitalismo a partir do discurso da prosperidade divina por meio do acúmulo de capital; a margem do lucro é um acúmulo de capital.

Enquanto isso, o catolicismo, por vezes, sustenta o discurso social. O Vaticano tem maior empatia com a divisão do capital para o alcance do divino; o quê não isenta a esquerda da domesticação cristã do indivíduo.

O próprio Estado Laico, como conhecemos, é um projeto da reforma protestante calvinista. Provavelmente, aí está a explicação de termos uma bancada evangélica tão forte do Estado.

Uma das funções da laicidade do Estado, no contexto em que foi criado, é de esconde por trás do discurso da garantia da livre expressão religiosa a garantia do protestantismo nas decisões políticas; visto que até então quem dominava as decisões políticas era a Igreja Católica.

Por trás do orgulho hétero
O Dia do Orgulho Hétero esconde todo um processo civilizatório que estuprou, escravizou e matou todo e qualquer indivíduo que não se curvou ao altar. Logo, a discussão está para além das questões da sexualidade, também entram no debate o racismo, o machismo, a misoginia e todos aqueles micropoderes fundados na higienização por meio das matrizes éticas e estéticas que excluem indivíduos.

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