Bandeira

Precisamos voltar a ser selvagens

viviany

O quê de tão blasfemo fez Viviany Beleboni ao representar uma crucificação em um dos trios da Parada do Orgulho LGBT de SP? Nada; absolutamente nada. Jesus Cristo não foi o único a ser crucificado, em seu tempo e até no século XXI. Sim, pessoas ainda são crucificadas por não seguirem leis religiosas de seus países. O que Viviany Beleboni fez foi transformar aquilo que as igrejas cristãs querem esconder em algo material: sim, corpos ainda são crucificados de forma social, moral, política e econômica em nossa sociedade ocidental contemporânea. E isso acontece em nome de uma ética cristã que insiste vigorar como um câncer no Congresso brasileiro.

Viviany foi literal, e de forma bastante plausível, aos cristãos e suas igrejas que confundem sua fé privada com o direito a cidadania de uma parcela da população que não é pouca.

A cruz só mudou de dois pedaços de madeira cruzadas para: altos índices de desemprego em meio ao grupo das trans, aos índices altos de assassinatos, aos índices altos de filhos e filhas homossexuais sendo expulsos de casa, aos altos índices de suicídio. A cruz só mudou de madeira para algo que não se pode pegar, mas se sentir mais dolorosamente: a marginalização.

Antes, a cruz era a pena de morte daqueles que cometiam ações que iam contra o Estado. Hoje é a lâmpada fluorescente, é a arma apontada para a cabeça da população LGBT, é a vaga de emprego não dada a um LGBT. As crucificações continuam em nome de uma ética e moral cristã.

Chocado com a apresentação de Viviany? Claro que tem que estar. Pois ela mostrou em praça pública o que um comportamento religioso faz as escondidas pregando seus textos em igrejas montadas em garagens de casas.

Precisamos voltar a ser selvagens como antes de 1498. Nossa cultura foi sacralizada sob um pão e vinho que não alimentou todos, mas matou, estuprou, violentou e silenciou centenas e milhares ao longo da história. Tudo em nome de uma civilidade ética e moral.

Questões internas
Existem críticas contra Vivany? Uma parte da militância, pequena, criticou a modelo por ela usar a palavra homofobia, e GLBT do que LGBT. Acredito que nem todo mundo é obrigado a usar terminologias para satisfazer orgasmos linguísticos de uma discussão que [deve ser feita] pertence aos movimentos LGBT. Provavelmente, por isso que Viviany potencializou ainda mais sua performance: ela falou como a maioria fala, ela se expressou como a maioria se expressa, sua linguagem foi simples e direta.

Do resto, as críticas vindas dos próprios LGBTs não passaram de recalque por não terem protagonizados algo tão político e importante. Afinal, tem muitos/as por aí que reclamam que a Parada não é política, está aí. Manifestação política é isso.

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