Cachola

A rola do Boechat e suas questões

Na tarde da última sexta-feira, 19, minha linha do tempo no Facebook – e a de muitos – é tomada pela nova célebre frase do jornalismo opinativo: “vá procurar uma rola”. Frase saborosa que saiu das papilas gustativas do jornalista Boechat ao pastor de pouca rola pra procurar Malafaia. Ora, não foi de assustar que muitos; que ‘reclamam da sombra, pois a sombra sombreia; logo gastaram as pontas dos seus dedos e a superfície do teclado para dizer que a ‘homofobia’ do jornalista é justificada pelo modo e contexto no qual foi usado o termo rola. Nessa lógica, Malafaia teria sofrido homofobia?

Benevolente leitor; não provocarei injustiça intelectual nesse meu espaço de fala. Não fique chateado, mas sei que pêlos arrepiaram em ovos com minha questão acima.

Não é novidade que vivemos em uma sociedade falocêntrica – ou para interagir com o termo usado por Boechat, podemos dizer ‘rolacêntrica’.

De heterossexuais até a mais desconhecida sexualidade, no triste Ocidente que vivemos, coloca a rola no centro do debate: seja para ofender com “caralho” até na ausência do próprio órgão aos inflar um “vai tomar ‘em seu orifício rugoso’”. O quê não faz da nobre fala do jornalista homofóbica; provavelmente um pouco machista inocente [já que tem um pessoal que adora uma nomenclatura alheia – brigam para a extinção de classe, mas vivem separando os outros em classes].

Algo que me chama atenção é que as pessoas são julgadas pelas suas possibilidades e não pelas suas ações. “Boechat falou aquilo que todos queriam dizer, mas poderia ter dito melhor”. O jornalista disse o quê disse naquele momento dentro de um contexto bastante apropriado ao oferecer uma rola, desconfortável, ao pastor neopentecostal.

Poderíamos gastar energia agregando a voz de Boechat à nossa luta; encontrar afetos, diálogos e pontos em comum. Mas não, vamos problematizar com um discurso acadêmico fajuto [por vezes enlouquecido por holofotes] a “rola do Boechat”.

Então, proponho uma alternativa para outro significado à rola falocêntrica de Boechat. Uma solução que ainda sim não tiraria sua licença poética.

A língua portuguesa é tão saborosa e cheia de possibilidades. Nossa língua é tão diversa quanto as nossas possibilidades de ficção sexual. Tal diversidade até serviu de justificativa para afirmar a nossa dificuldade de filosofar; já que a Filosofia pede uma linguagem sem muitos rodeios, dizem os eurocêntricos que a Alemanha sai na frente nesse quesito.

Então, eis uma imagem que parou em minha linha do tempo; que não sei a autoria, que valeria a pena refletirmos:

rolinha

Reprodução do Facebook

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