Cachola

E nos caminhos tortuosos, mais uma curva é feita

Não é possível, neste terceiro milênio, tratar de um único tema sem abordar todo um contexto e cenário com tal diversidade costurada

Mafalda

Nossa vida é cheia de caminhos tortuosos. E que bom. Se ficamos muito tempo com as mesmas ideias, ideologias e visões, pode ter certeza, algo de errado existe em nossos miolos. Já que, linhas retas, em geral, sempre nos levam a pontos extremos; e visões extremas do mundo quase sempre resultam em ações nada boas.

Por um tempo; bom tempo mesmo; desde quando comecei a me conscientizar politicamente, caminhei por caminhos que setorizam os debates, as militâncias, as organizações. Tal discurso da ética-política do ‘cada um no seu quadrado’ tem uma função, principalmente no mundo neoliberal globalizado que vivemos. Sua função é reduzir o progresso social a espaços específicos. Ou seja, gays debatem suas questões apenas com outros gays, transgêneros dialogam apenas com transgêneros, negros estão entre negros, trabalhadores operários entre trabalhadores operários, indígenas percebem suas mazelas apenas entre indígenas…, e assim segue a vida.

A ‘humanicidade’ do ser humano vai se perdendo e aí cada um vai se tornando indivíduo e então são criados o gay, a lésbica, o negro, a travesti, o trabalhador, a celebridade, o doutor, o político… esquecemos o quanto estamos conectados: do diálogo afetuoso às opressões.  Esquecemos que para a heterossexualidade existir é necessário existir a homossexualidade, o homem só existe por conta do que criamos o que é ser a mulher, o branco é o branco por conta do que é imaginado e criado do ser negro. Com a globalização neoliberal tudo está misturado em um liquidificador sócio-político: economia, política, questões sociais e crenças religiosas…

A partir desta semente de pensamento começo a fazer outra curva de pensamento, um pensamento dotado de maior complexidade, onde o ‘protagonismo’ não é confundido por personalidade; e o que está ao centro é o ser humano.

Quando uma lupa é posta neste contexto, percebemos que todos; universalmente todos; temos nossos privilégios e mazelas. Em alguma instância da nossa vida deixamos de ser oprimidos para sermos opressores. É assim que funciona dentro da atual máquina social que opera a população mundial.

Seguir uma linha tortuosa se faz necessário para que novos horizontes sejam descobertos. Não é possível estar só em um debate, num mundo tão globalizado, quando existem outros diálogos igualmente importantes conectados com aquele em que estou.

Aos poucos, você que costuma ler meu modesto blogue vai perceber uma guinada mais forte e ampla em minhas publicações para um debate mais complexo em torno dos Direitos Humanos e Cidadania. O tema em que eu mais escrevia: os problemas das questões de Gênero não perderá espaço, mas será mais um dos temas abordados.

Não é possível, neste terceiro milênio, tratar de um único tema sem abordar todo um contexto e cenário com tal diversidade costurada.

Comente, debata, discorde e sugira, mas sempre lembrando da importância da educação e responsabilidade social que devemos ter para com o próximo. Por trás destas linhas e tela há um ser humano, humano.

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