Bandeira

Sobre fazer a diferença e como você pode ajudar na luta por mais cidadania e mais direitos

casa1

Imagina só uma espécie de república, melhor, uma casa, um lugar, um teto onde qualquer LGBT que esteja passando por uma treta na vida, tipo: expulsa/o de casa por sua condição de identidade de gênero e/ou orientação sexual e não tem onde se abrigar, e aí ela tem? Pois é, a ideia do jornalista Iran é essa.

Conheço o Iran Giusti por sua militância ativa nas redes e na vida real sobre as questões LGBT. Um tempo ele postou em sua página no Facebook sobre o que as pessoas pensariam sobre a existência de uma casa de acolhida para LGBT que foram expulsos de casa por conta da sua sexualidade e identidade. Pois bem, o apoio foi grande e esse projeto pode sair do papel, e você pode ajudar. Deixando o link aqui e também no fim do texto.

iran

Iran Giusti, fundador e idealizador da Casa1 – retirado do Facebook, foto de Bob Sousa

Fiz algumas perguntinhas para ele sobre o que é a Casa1, como ela funcionará e tudo mais, confere só:

Conte um pouco de como a Casa1 irá funcionar. LGBT a partir de qual idade poderão entrar na casa? Terá um espaço para dormir e se alimentar, além de diversas atividades, é isso?

Em relação à idade, inicialmente será 18 anos por uma questão legal, mas já temos advogados cuidando disso e tentando contato com a Vara da Infância e da Juventude para ver como fazemos com os menores de idade que chegarem até o projeto. O centro vai funcionar como uma casa como qualquer outra: quartos, sala e cozinha, não teremos a estrutura de um centro público com horários e pessoas responsáveis pelas pessoas. A ideia é que funcione mais como uma republica, onde as pessoas vão se organizando como for melhor para elas. A diferença é que teremos as atividades do centro que serão abertas para os moradores e também uma rede de voluntários que vão auxiliar em demandas mais diversas como apoio psicológico e capacitação profissional.

Lembro que há alguns meses atrás você publicou apenas um post no Facebook perguntando sobre o que as pessoas achariam de existir uma casa de acolhimento para LGBT, o que você pensa sobre a reação das pessoas? Você esperava que chegaria onde chegou?

Aquela postagem foi uma “análise prévia” por assim dizer. Há cerca de um ano disponibilizei o sofá da minha casa para LGBTs que precisassem de acolhimento em uma postagem no Facebook. Tanto a comoção quanto a procura foi grande e por isso a ideia de ampliar o espaço e criar o projeto. A partir dai joguei o projeto para saber se as pessoas se mobilizariam, com o bom retorno comecei a formatar e encontrar pessoas que auxiliaram a chegar ao projeto como ele foi lançado.

Vivemos em um momento político e social, no Brasil em especial, onde o conservadorismo junto ao fundamentalismo avança pelo Congresso, pelos Estados e agora pelos municípios. Vemos cada vez mais direitos conquistados, não só pela comunidade LGBT, mas em outras pautas como trabalho, justiça, social, cultura em completa fragilidade. Estamos em um momento que a auto-organização, o dialogo entre diversas frentes e a ação se faz muito necessário?

Essa vai ficar meio longa hahaha. Pra começar eu não acho que seja algo que esteja acontecendo em especial no Brasil, é uma questão mundial o avanço do conservadorismo e isso é uma resposta social dos avanços. Nós chegamos em um ponto como sociedade que as pessoas são incapazes de abrir mão de seus privilégios e aí esses núcleos conservadores e fundamentalistas ganham força. Posto isso, eu acho que a gente precisa perder essa ideia de que “eles” são o estado, e “nós a população”. Nós somos o estado e o estado é a população então eu tenho tentado viver às políticas que eu acredito para que nos tornemos uma sociedade mais saudável. Eu acredito em transferência de renda, em equidade e cobro isso das políticas públicas, mas também não posso só esperar isso do estado, eu tenho que ser o estado, você tem que ser o estado. Porque a gente cobra transferência de renda do poder público mas ganha uma grana e não faz nada pelo outro? Eu queria muito ter grana o suficiente para montar a Casa 1 sozinho e conforme os moradores fossem se estabelecendo eles fariam mesmo pelos outros. Como não dá, eu parto pro financiamento coletivo para mobilizar o maior número de pessoas para que isso aconteça. Isso é o que eu posso fazer e espero poder fazer muito mais, e também espero que as outras pessoas vejam que é possível fazer.

Você é jornalista, já trabalhou em diversas redações importantes. Como você avalia a cobertura da imprensa brasileira sobre a temática dos direitos humanos, com maior atenção às pautas LGBT, a imprensa brasileira vem mudando sua forma de narrar nossas histórias?

Em relação à cobertura da imprensa acho que os movimentos de direitos humanos têm pautado muito os veículos e isso é ótimo, só acho que o processo ainda é muito falho. Os profissionais de comunicação ainda dominam muito pouco as pautas e as questões das militâncias, de todas elas, talvez pelo fato de que em geral, são questões sociais, ligadas a uma mudança social muito profunda que a imprensa ainda não consegue enxergar, afinal, é muito mais fácil você se tornar um especialista em finanças e falar sobre projeções, sobre algo “real”, do que abordar mudanças culturais, de comportamento, sociais. Por outro lado as militâncias também não se ajudam, cada vez aumentando as terminologias e as demandas e, diante de tanto ataque, acabam violentos nas respostas e nos diálogos. Existe uma barreira entre as militâncias que tendem à se tornar acadêmicas e distantes, e a comunicação que tem trabalhado para ser cada vez mais palatável.

Quanto a Casa1 provavelmente comece a funcionar?

Se tudo der certo esperamos já estar funcionando em fevereiro.

Lembrando o seguinte, povo maravilhoso. Eu estou colaborando neste projeto como voluntário. Sim! Ofereci um workshop sobre Comunicação, Sexualidade e Gênero como (re)existência no contemporâneo. Você pode adquirir o workshop lá no site do Benfeitoria. NENHUM CENTAVO VAI PARA O MEU BOLSO. Tudo é para a gente tirar esse projeto lindo do sofá da casa do Iran e fazer tudo acontecer.

A proposta do workshop que estou oferecendo é a gente pensar um pouco sobre como trabalhar diferentes plataformas de comunicação e interagir com diferentes ideias para pautar a sociedade sobre nossos temas. Ou seja, como podemos fazer uso tanto das tecnologias digitais quanto da própria cidade, e até integrá-las, para que possamos executar estratégias de lutas por mais cidadania e direitos à nossa população.

Tem mais gente maravilhosa colaborando. Sério, tem muita gente maravilhosa colaborando com cursos, palestras e workshops. O que é incrível! Tem gente falando de questão racial e mídia, tem gente falando sobre urbanismo e questões LGBT, tem gente falando de tarô. Então, fecha com essa ideia e colabore.

Aqui está todos os links para você saber mais coisas sobre o projeto. Beijas.

Segue o link da campanha: https://benfeitoria.com/casa1
E também o nosso Facebook: https://www.facebook.com/casaum
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