Com Lula condenado erramos e continuamos errando

Lula foi condenado. Com o espetáculo jurídico-partidário que acompanhamos nessa quarta-feira (24), jamais pensei que minha geração, jovens nascidos após a Assembleia Constituinte de 1988, pudesse voltar a viver os tempos tão sombrios de pobreza, desigualdade de direitos e censura do pensamento que nossos pais e avós viveram no passado.

A sentença contra Lula não é uma novidade. Não é uma novidade quando vivo em um país que ocupa o quarto lugar no mundo com a maior população carcerária. Em 2014, de acordo com o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), eram 622.202 presos, dos quais 61,6% negros e pobres.

Ora, mesmo com um diploma de presidente da República, para a elite branca, rica, eurocentrada e cristã, Lula continua sendo um metalúrgico, nordestino, pobre, sem estudo e que ousou ocupar um espaço que esta elite julga não pertencer a nós. Lula não foge a regra.

E por não fugir a regra, Lula e Dilma juntos ao Partido dos Trabalhadores cometeram sim erros graves na condução do Estado durante seus mandatos. Entretanto, tais erros estão longe ter sido crimes. Entre os erros graves gostaria de destacar dois, que provavelmente muitos concordarão com a exposição.

O primeiro erro está no campo Econômico, principalmente, quando Lula e Dilma se aproximam justamente de seus algozes para o que chamamos de conciliação de classes. Ainda hoje os pobres são quem paga a maior taxa de impostos e juros. A lógica não inverteu.

O segundo erro está no campo Político. Como um partido que tirou um quarto da população da pobreza, abriu Universidades Federais em todos os Estados, oportunizou o ingresso de negros e negras e pobres às estas universidades públicas e às privadas por meio de programas sociais, fechou a OTAN, inaugurou o Mercosul, abril o diálogo com a América Latina, colocou o Brasil no protagonismo mundial e exemplo de mobilidade social no Ocidente e, ainda assim, com todas essas conquistas sociais, não foi capaz de formar uma massa politizada ao ponto de reconhecer tais conquistas?

Esse segundo erro não pesa a culpa apenas ao Partido dos Trabalhados, mas todos nós que gozamos desse direitos conquistados e hoje servimos à classe dominadora, à elite brasileira. Não tenho dúvida sobre esse sentimento.

Com a condenação em segunda instância do ex-presidente Lula, a elite brasileira inaugura um farol na história atual do Brasil. Esse farol ilumina a obscenidade que é a Justiça Brasileira sua elite. Uma Justiça servida à manutenção dos poderes dessa elite empobrecida politicamente. É provável que esse horizonte onde os valores morais cristãos e liberais juntos comandarão e gritarão ainda mais qual é o lugar do pobre saqueando direitos.

Erramos e continuamos errar. O que resta agora é a questão à ação: será que continuaremos errando?

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