Lula sozinho, dentro ou fora das eleições, não vai resolver nosso problema

As eleições não serão apenas ‘presidenciais’. Se de um lado há o protagonismo da imprensa (tradicional ou não) em torno da cobertura dos candidatos à Presidência da República do outro há todo um legislativo deixado de lado.

Do que adianta lutarmos por Lula na presidência, na ânsia da garantia do mínimo de democracia que nos resta se não garantirmos também um cenário favorável na Câmara dos Deputados, no Senado e nas Assembleias Legislativas dos Estados?

São pelo menos 1653 cargo políticos que votaremos em outubro para esse ano. Estamos falando de 81 senadores, 513 deputados federais e mais 1.059 deputados estaduais (se os números se manterem como nas últimas eleições).

Enquanto a corrida presidencial continua obscura com a condenação de 12 anos de prisão do ex-presidente Lula nessa última quarta-feira (24), a extrema direita, conservadora e fundamentalista capitaneada por Jair Bolsonaro articula com as igrejas evangélicas uma estratégia para invadirem um terço das cadeiras no Senado e aumentar a bancada da bíblia na Câmara dos Deputados a partir de janeiro de 2019.

Definitivamente, Lula sozinho, dentro ou fora das eleições, não vai resolver nosso problema com o avanço da elite brasileira no saqueamento dos poucos direitos conquistados nos últimos anos. Se você reclamava antes, trago más notícias: vai piorar.

As manifestações esvaziadas, nos últimos dias, daqueles que acreditam que a prisão do ex-presidente Lula seja a solução para a conservação dos seus privilégios e a ‘salvação do Brasil’, não deve causar a ilusão de que a Esquerda Brasileira (seja lá o que isso quer dizer) esteja em um momento de reorganização e união.

É sabido que em meio a massa votante brasileira há contradições frente às urnas. Há aqueles que votam em Lula (ou qualquer outro/a candidato/a à Esquerda), por exemplo, e ao mesmo tempo em um candidatado ao cargo de deputado estadual, federal ou ao senado indicado pelo líder da sua igreja. Desse modo criasse uma balança desproporcional entre a representatividade real da população e aquela que é eleita.

Isso sem contar o quanto esses partidos políticos irão se aproveitar do sistema proporcional que garante a eleição de candidatos ainda mais destoantes dos interesses reais da política brasileira.

O desafio está lançado à Esquerda, e não é novo. As lideranças políticas dos partidos socialistas e comunistas brasileiros são capazes de unificar o voto popular para suas legendas?

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