Cachola

A culpa nunca é nossa

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Reprodução da internet

Aparentemente o que acontece em Brasília não é problema nosso. Assim que muitos de nós, cidadãos comuns e meros mortais, agimos frente aos escândalos expostos em praça pública.

O Distrito Federal longe de nós geograficamente, acaba por eximir de nós a responsabilidade que é também de todos. Tal pensamento só cede mais espaço para o avanço da corrupção dentro do governo e ainda nos dá o papel de conivência com o crime.

É fato que a corrupção está enraizada no cotidiano do brasileiro. Não vamos confundir o ‘jeitinho brasileiro’ com a carência do debate em torno da nossa ética, moral e valores culturais.

Uma profunda ferida está aberta e a ‘solução’ encontrada por muitos é dizer que ‘todo político é corrupto’, que todo ‘partido é corrupto’ como se os empresários fossem coitadinhos vítimas de um sistema que os autoriza serem corruptos.

Há que ser lembrado, que é muito importante. Todos somos seres sociais, e sendo seres sociais, somos político. Como ser um ser social sem utilizar da política para que esta sociabilidade ocorra?

Logo, afirmar que ‘todo político é corrupto’ é afirmar que você,um ser social e político, também é corrupto. Fica a reflexão, caro leitor, onde cabe a sua corrupção no dia a dia?

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Outra pergunta, aparentemente tão óbvia quanto a primeira, é qual a nossa responsabilidade na corrupção institucional praticada? Esta questão não deve estar relacionada a afirmação do nosso ‘poder de voto’, mas o próprio exercícios do voto pós-eleição.

Quais foram as motivações que fizeram você votar em determinada pessoa nas últimas eleições? Tais motivações estão em movimento de serem efetivadas no exercício do mandato do seu vereador, prefeito, governador estadual e federal, senador e presidente? O quanto você cobra diretamente os políticos que receberam seu voto?

As perguntas são muitas e as respostas, que não são poucas, só você pode responder. E não, eu não sou um exemplo. Confesso que de todos os cargos públicos que votei nas últimas eleições acompanho apenas uma vereadora de São Paulo, só agora entendi o quanto isso é importante e necessário para que a democracia seja sustentada de modo saudável.

Uma vez ouvi de um grande amigo a seguinte frase que cabe muito aqui: ‘precisamos entender que na política é assim, sempre haverá alguém para ocupar o lugar que negamos estar’. Depois, não culpe os corruptos.

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Quem governa o Brasil?

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Temer e Meirelles são premiados no LIDE (Grupo de Lideres Empresariais) – Foto retirada do portal R7

Em meio ao debate, incentivado pela mídia e a ignorância do papo de boteco, sobre quem é o partido e o político mais corrupto, perde-se a chance de nos perguntar: quem governa o Brasil?

A pergunta parece ter resposta óbvia. Mas, talvez, nunca tenha sido tão oportuna. Com a enxurrada de delações das operações da Lava Jato, o brasileiro comum, aparentemente, não percebeu que o Brasil, pelo menos desde antes do período da redemocratização pós regime militar, é governado não por aqueles que colocamos em Brasília, nos palácios dos governos de Estado ou nas prefeituras. O país é governado pelas empresas.

Sim, partidos e políticos são corruptos, assim como as empresas. Até o momento, não li nas análises de conjuntura alguém que levante a bandeira de que tanto JBS quanto Odebrecht e tantas outras envolvidas patrocinam ilegalmente com um objetivo bem claro, continuar lucrando a partir do dinheiro público.

Não li, ouvi ou assistir ao debate de que empresas, por meio de financiamento ilícito da política brasileira foi capaz de pautar o Congresso Nacional, comprar juízes, promotores, ministros, aprovaram emendas em pautas estratégicas do país: agronegócio, minas e energia e tantas outras pautas de interesse que afetam diretamente nosso cotidiano.

Falar de algo que acontece em Brasília parece distante da nossa realidade, mas não. Eu ainda recebo em casa minha conta de luz com o logo da Odebrecht. Só o caixa do departamento responsável pelas propinas dadas pela Odebrecht equivale ao PIB de três países.

As empresas compram os partidos e políticos não por preferência ideológica, todos e qualquer partido é alvo disso, se não foi até o momento é por não ter representatividade e potencial para ocupar o cargo que interessa à classe empresarial.

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Quem governa o Brasil? É preciso radicalizar esse debate. A discussão não é encontrar o fulano mais corrupto, mas entender o processo em que está inserido este corrupto e refletir: se uma empresa enriqueceu com dinheiro público (o meu dinheiro e o seu dinheiro) nada mais justo dela torna-se nossa empresa, não?

A quem pertence este patrimônio? Lembramos que a multa, de R$11 bi, pedida pelo ministério público aos empresários da JBS não passa de 6% da receita anual da empresa, ou seja, a empresa lucra cerca de R$111 bilhões por ano.

Todo este dinheiro só foi conquistado às custas de desvios de dinheiro público e compra de políticos, sejam eles quais forem os partidos.

Respondida a pergunta sobre quem governa o Brasil, faço a próxima: quem deve governar o Brasil?

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Crise política ou uma oportunidade à Esquerda?

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Desde o início das operações da Lava Jato a imprensa e as conversas de botequim não poupam as palavras crise e política.

Desculpas antecipadas aos jornalistas, analistas e cientistas políticos, mas crise política cabe muito mais àqueles que pertencem a uma classe econômica bastante específica.

Empresários estão cada vez mais desesperados com cada delação de seus colegas. A última, vinda dos irmãos Batista, donos da maior empresa de carnes e derivados do planeta, a JBS, colocou não só a cabeça do presidente decorativo na guilhotina, mas também projetos pautados, no Congresso, para os patrões: as reformas trabalhista e previdenciária.

As estruturas estão abaladas e esta é hora, de tantas outras desperdiçadas, da Esquerda brasileira tomar um posicionamento mais firme, crítico e de apresentação de um programa político.

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E aí está uma questão: quem é a Esquerda brasileira, e qual é o seu programa político? Isso ainda não está claro e em meio a ‘crise política’ que parte considerável da direita passa, nenhum norte é apresentado.

Não estamos falando de nomes próprios, mas falando de um programa comum que dialogue com diversas frentes e principalmente com a população. Talvez seja esta uma possível crise dentro dos movimentos à Esquerda: não há uma mesa de negociações, mas sim um muitos pais reivindicando um filho que nem nasceu.

Gente interessada no debate não falta, de todas as regiões do país e das mais variadas vertentes e movimentos, mas a mesa do debate com uma proposta de construção de programa político coeso não está dada.

As cartas do jogo não são dadas pela Esquerda, tampouco ela joga com as cartas da Direita. Não está claro para o diálogo comum quem são as atrizes e atores desse movimento. Ao mesmo tempo as instituições, quaisquer que sejam, estão com sua imagem quase que em apedrejamento pela ‘opinião pública’.

Esta é uma questão preocupante dentro de uma Esquerda enferrujada, mas que tem seu lugar no presente por conta de um forte passado sustentado em movimentos estruturados nessas instituições.

Enquanto o debate é este, o terreno está livre para o conservadorismo ficar mais rígido e mais difícil de combater, mesmo em crise. O que vemos na cobertura da imprensa, seja ela corporativa ou independente, é o enfrentamento entre a própria direita para ocupar espaços e dos setores empresarial tentando pegar cada um seu salva vidas para se manter no sistema.

Não podemos negar que na história recente do Brasil, nossa política pode até ter colocado o trem à Esquerda, mas não esqueçamos que os trilhos, a estrutura, continuaram os mesmos.

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Teoria da conspiração? Coincidências? Golpe?

Eu sei, hoje é quarta-feira e a tal da manifestação dos “sem consciência política” rolou último dia 16, domingo. Ta aí, vamos começar pela data que tem seu simbolismo, a partir daí seguimos para outras reflexões.

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Um aviso político, ameaçador, foi dado por alguma vertente à presidenta Dilma Rousseff: rendição ou morte. Não vamos exagerar, tudo bem, mas um pouco mais de drama faz bem. Entretanto, o recado foi dado: ou renuncia ou a tiraremos daí.

Vamos voltar para o ano de 1945, especificamente dois dias depois do que é considerada a rendição oficial do Japão da II Guerra Mundial, mais especificamente no dia 16 de agosto.  Nesta data começa no país do extremo oriente as negociações para que ele fosse repartido, como a Alemanha, entre os domínios dos Estados Unidos da América, URSS e Reino Unido. O imperador japonês Hirohito estava com a espada Ocidental sobre a garganta: ou se rendia e sairia anistiado da responsabilidade de ter colocado seu país na guerra ou seria morto.

Ainda no âmbito da História, vamos continuar no contexto da II Guerra Mundial, onde a eugenia germina com toda a força na Alemanha. Para quem não sabe, a eugenia torna-se agente político no Nazismo, e é um movimento higienizador do ser humano, ou seja: quem está no centro? Brancos, musculosos, classe média, europeu. Logo, todo o resto deve morrer, pois é um bando de ladrão, vagabunda, vadias, viado, preto, sapatão… eita, parece que estou no Brasil do dia 16 de agosto de 2015; mas acalme-se, ainda estamos nos anos 1940.

Dos nos 1940, e muitos dias 16 de agosto, voamos para o mesmo dia e mês mas de 1993. Nesta data, o Brasil via nas ruas o preto vencer as cores da bandeira que foram convocadas pelo ex-presidente Collor. O impeachment ganha fôlego, ele renuncia mais tarde – e também retorna ao poder e à roubalheira (se um dia se quer ele saiu). Vale lembrar, que Collor está na lista dos acusados de envolvimento na Lava Jato.

Percebam que, diferente do discurso que lemos, ouvimos e assistimos na imprensa;seja ela canhota ou destra; de que não há “consciência política” em quem organiza toda aquela massa, esta sim burrificada.

Existe sim, de fato, um processo de golpe no País. Conspiração? Analise rasa?

Ungidos

E, para não variar, ainda há a unção divina. Por qual motivo Deus não iria proteger valores tão dignos como aqueles apresentados em todo o território brasileiro.

Li, por aí, que a Esquerda precisa aprender a convocar manifestações aos finais de semana. Não, a Esquerda tem muito o quê aprender em outros aspectos como, por exemplo, e entre outros, deixar de ser tão intelectualizada e arrogante com quem não deveria.

A questão enviesada deste organismo decompositor embranquecido não é o argumento de que aos domingos o trabalhador está em casa, ou que, durante a semana o “direito de ir e vir” da sociedade é prejudicado com as manifestação.

Não se pode negar dois contextos: o primeiro está relacionam ao sentimento religioso dominical. Lembre-se, o domingo não é o último dia da semana, mas o primeiro que começa com a graça de Deus; o segundo contexto está ligado às relações patrão-empregado; onde, além de ceder sua força de trabalho nos dias úteis ao patrão branco; o operário deve estar à disposição do patrão reivindicar as pautas do branco, burguês, embranquecido.

Manifestar-se e lutar em dia útil é de fato estar coerente no contexto da pauta dos trabalhadores, negros, pobres e todos os outros abjetos que a sociedade importada da Europa mata, estupra e escraviza diariamente.

Nacionalista, eu? Bicha, ‘menas’

Quero deixar claro, que a intenção do que escrevi até aqui não é de fazer ode a um discurso nacionalista, onde existem uma população substancialmente brasileira e uma burguesia branca européia ultramarina; não gata, entenda que até o brazuca mais branco deste país, carrega – querendo ou não – o peso histórico da construção do nosso país. E, também, entenda; os europeus podem ser boa gente, camaradas e tudo mais. A chamada de atenção é que existe, sim, uma força maior por trás da ficção que criamos em torno do nosso contexto histórico-brasileiro versus o ideal imaginário que temos daqueles que ainda são nossos colonizadores.

Não encha o balde do opositor

Tem um lado romântico da luta esquerda, marxista, trotskistas, comuna, socialista, radical… sei lá mais qual terminologia usar – lembra, uma parte muito especifica, tá? – que ergue uma crítica ácida e agressiva contra o governo petista. O discurso chega ser tão grosseiro, que até alguns resolveram parar nas manifestações do dia 16. Triste, não?

Tome cuidado para, em uma crítica que se proponha construtiva, você não encher o balde do opositor.

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E nos caminhos tortuosos, mais uma curva é feita

Não é possível, neste terceiro milênio, tratar de um único tema sem abordar todo um contexto e cenário com tal diversidade costurada

Mafalda

Nossa vida é cheia de caminhos tortuosos. E que bom. Se ficamos muito tempo com as mesmas ideias, ideologias e visões, pode ter certeza, algo de errado existe em nossos miolos. Já que, linhas retas, em geral, sempre nos levam a pontos extremos; e visões extremas do mundo quase sempre resultam em ações nada boas.

Por um tempo; bom tempo mesmo; desde quando comecei a me conscientizar politicamente, caminhei por caminhos que setorizam os debates, as militâncias, as organizações. Tal discurso da ética-política do ‘cada um no seu quadrado’ tem uma função, principalmente no mundo neoliberal globalizado que vivemos. Sua função é reduzir o progresso social a espaços específicos. Ou seja, gays debatem suas questões apenas com outros gays, transgêneros dialogam apenas com transgêneros, negros estão entre negros, trabalhadores operários entre trabalhadores operários, indígenas percebem suas mazelas apenas entre indígenas…, e assim segue a vida.

A ‘humanicidade’ do ser humano vai se perdendo e aí cada um vai se tornando indivíduo e então são criados o gay, a lésbica, o negro, a travesti, o trabalhador, a celebridade, o doutor, o político… esquecemos o quanto estamos conectados: do diálogo afetuoso às opressões.  Esquecemos que para a heterossexualidade existir é necessário existir a homossexualidade, o homem só existe por conta do que criamos o que é ser a mulher, o branco é o branco por conta do que é imaginado e criado do ser negro. Com a globalização neoliberal tudo está misturado em um liquidificador sócio-político: economia, política, questões sociais e crenças religiosas…

A partir desta semente de pensamento começo a fazer outra curva de pensamento, um pensamento dotado de maior complexidade, onde o ‘protagonismo’ não é confundido por personalidade; e o que está ao centro é o ser humano.

Quando uma lupa é posta neste contexto, percebemos que todos; universalmente todos; temos nossos privilégios e mazelas. Em alguma instância da nossa vida deixamos de ser oprimidos para sermos opressores. É assim que funciona dentro da atual máquina social que opera a população mundial.

Seguir uma linha tortuosa se faz necessário para que novos horizontes sejam descobertos. Não é possível estar só em um debate, num mundo tão globalizado, quando existem outros diálogos igualmente importantes conectados com aquele em que estou.

Aos poucos, você que costuma ler meu modesto blogue vai perceber uma guinada mais forte e ampla em minhas publicações para um debate mais complexo em torno dos Direitos Humanos e Cidadania. O tema em que eu mais escrevia: os problemas das questões de Gênero não perderá espaço, mas será mais um dos temas abordados.

Não é possível, neste terceiro milênio, tratar de um único tema sem abordar todo um contexto e cenário com tal diversidade costurada.

Comente, debata, discorde e sugira, mas sempre lembrando da importância da educação e responsabilidade social que devemos ter para com o próximo. Por trás destas linhas e tela há um ser humano, humano.

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Malcomportado, descontrolado, indefinido, indisciplinado e rebelde

Quando criança eu acompanhava meus pais a ida ao supermercado; adorava fazer de conta que o carrinho de compras era uma nave espacial que eu pilotava. Depois de anos sem os acompanhar às compras, na última semana descobri que ainda (aos 24 anos) tenho a mania de fazer barulho, com a boca, de motor por propulsão enquanto empurro o carrinho e que sou malcomportado, descontrolado indefinido, volumoso e rebelde.

Foi quando aterrissava minha nave no corredor de cosméticos e, minha mãe e eu, começamos a buscar um xampu para meus cachos.

Quando comecei buscar os produtos que propõem valorizar o volume das madeixas eu simplesmente me deparei com marcas que propõem que minha herança genética é malcomportada, descontrolada, volumosa (ocupo tanto o lugar alheio?) e indefinido.

Não fotografei as marcas nas prateleiras, pois meu celular estava sem bateria. Mas, cheguei em casa e fui dar uma googada e compartilho as imagens dos produtos:

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Enquanto os cachos precisam “manter a linha”, as marcas oferecem “mais brilho”, “mais hidratação”, “menos frizz” para os cabelos “naturalmente lisos, comportados, definidos, controlados e não rebeldes.

Lido com o alisamento químico dos cabelos alheios como uma opção. Desde que ela seja uma escolha consciente e não uma reação de uma sociedade preconceituosa e racista que te impôs ou cortar ou botar formol apenas para você ser aceito por um grupo social.

Durante minha pré-adolescência cheguei alisar meu cabelo por duas vezes. Hoje entendo o motivo. Eu era excluído por não ser definidamente o branco, de cabelos lisos que qualquer gelzinho faria aquele topete super na moda dos anos 1990; também era excluído das rodinhas de conversas por não ser definidamente macho. Sim, eu era uma criança viada; acho que ainda sou (risos).

Eu poderia, aqui, discursar sobre o quanto o Mercado e a nossa forma de Economia nos empurra modos comportamentais de forma que, por vezes, nem percebemos. Acredito que as imagens já falam por si.

Vivemos em uma comunidade discursiva. Reproduzimos discursos quase que sem argumentar e problematizá-los. O que é bastante perigoso. Assim, em pequenos detalhes de uma embalagem de produto de beleza nos é empurrado goela abaixo como um determinado grupo deve ser tratado, visto e posto na sociedade.

Saí bastante chateado do corredor de xampu com minha nave espacial e fui viajar no setor de bebidas, onde era recebido pela bunda e peitos da Verão.

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