Coluna

Não seria exposição demais?

 

 

Por Marco Gomes.

Essa semana eu estava lendo uma matéria que mencionava que determinado personagem de determinada série de quadrinhos ia sair do armário. Até aí, ok, mais uma novidade sem graça nenhuma. No entanto, um comentário sobre a matéria foi o que mais me chamou a atenção… O outro leitor terminou o comentário dele com a seguinte frase: “A opressão só traz explosão”. E aquele comentário ficou na minha cabeça por algum tempo… Uma vez mais, me vi pensando nessa questão que envolve o preconceito, a liberdade de expressão, a homossexualidade em si… Cá entre nós, definitivamente, essa é uma faca de muitos gumes.

Uma coisa é… Devemos levantar a bandeira para defender os direitos – e deveres – de cidadãos gays. Defender o direito de ir e vir; declarar nosso imposto de renda; casar… Viver como qualquer outra pessoa. Temos esse direito e às vezes não consigo entender porque este assunto tem que estar em pauta, uma vez que também somos seres humanos e temos os mesmos sentimentos que qualquer heterossexual… Mas divago…

O que eu queria entender é se é certo toda essa exposição. É claro, se não brigarmos por aquilo que nos diz respeito, é capaz de sermos sucumbidos por essa onda homofóbica. Mas será que também não é a nossa luta, reflexo dessa exposição exaustiva na mídia?

Voltando a falar sobre a matéria que li, o texto mencionava que determinado grupo conservador deixou determinada rede social por causa de comentários sobre o determinado personagem que estava saindo do armário. Sim, o grupo conservador defendia que o tal personagem seria uma má influência para crianças. Homofobia, grande novidade.

O grupo, entretanto, não ficou atacando o tempo inteiro. Simplesmente, se retirou da rede social. Descriminou, mas se calou. Ninguém é obrigado a aceitar a discriminação, mas o que fazer, se o conservadorismo ainda alcança grandes nichos da sociedade? Eu sei que posso parecer contraditório, mas antes que venham me criticar, eu disse, no início deste relato, que isso seria uma faca –  não de dois, mas de vários gumes.

Resumidamente… Os gays, não estariam levantando demais a bandeira? Ao contrário do que disse o outro leitor da matéria sobre o personagem gay, não seria a explosão que traz a opressão?

PS: Recuso-me a opinar sobre a questão, vou deixar essa bomba com vocês.

 

Última coluna: Gay x esporte – por Nelson Neto

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2 comentários sobre “Coluna

  1. Jéferson Bispo disse:

    Expor-se para que?

    Quanto a sair do armário, eu sempre me questionei. Quando alguém sai do armário, utilizamos a expressão “fulano se assumiu”. Vamos ao campo da gramática. Assumir-se é um verbo reflexivo. Por tanto, o indivíduo pratica e sofre a ação. Logo, fulano assume para si mesmo que é gay; reflete sobre o que é ser gay, vê-se responsável pela própria sexualidade… uma atitude de entendimento sobre si. Digamos que uma atitude madura, uma descoberta da sexualidade que repercute numa sociedade [ainda interessada no alheio – depois, vamos somente apontar quem rouba o erário].

    Se se assumir gay é algo particular de determinados indivíduos, toda exposição dos gays [pensemos em parada gay, aparecer na mídia televisiva ‘saindo do armário’ – seja famoso ou anônimo -, gays na TV, novelas ou em programas] seria mesmo necessária? No caso da parada gay, não estaríamos reforçando a ideia que versa os gays como quem traz alegria ao mundo [um mito], ao colorir as avenidas? Ou ainda, ‘parada do orgulho gay’… Os gays têm orgulho de que? De apanhar na rua? De ser motivo de piadinhas e discriminação? De não poderem demonstrar nenhum carinho com quem ama? De não elegerem políticos gays e, quando conseguem alguma representação política, esta se dá por parte de alguém sensível à causa gay?

    Precisam-se mudar os eventos e as representações pró-gays. Numa matéria do CQC [11/06/2012], um repórter, cujo nome não recobro no momento, questionava o público sobre uma palestra que ocorria simultaneamente à parada. Pode-se dizer que diante de uma festa, a parada, ninguém vai se preocupar com eventos sérios. Depois, reclamarão dos Bolsonários e companhia… Após a parada, saem os resultados estatísticos, dados quantitativos, que mostram quantos foram ao evento, em que número essa parada superou outra[s], como este evento contribui [R$] para o setor hoteleiro, etc.

    E os dados qualitativos? Alguém apresenta? Como o evento contribui para a comunidade gay? Como o setor hoteleiro contribui para a comunidade gay?

    Quanto à TV, só penso que o gay é mais um gênero [não banco, aqui, o ingênuo]. O gay faz rir: as drag’s que batem cabelo em programa de domingo de tarde, ou, que batem uma na outra em programas de fim de tarde, durante a semana. Quando não faz rir, gera uma curiosidade: o beijo gay. Em que um beijo vai mudar a vida de alguém? Se o tão esperado primeiro beijo gay na TV [refiro-me àquela emissora platinada] acontecer, vai-se esperar o que? A primeira transa gay?

    Assumir-se gay aos outros com que finalidade? Como na ditadura militar, como um atestado de ideologia?

    Repito meu primeiro questionamento.

    Expor-se para que?

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