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Quem governa o Brasil?

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Temer e Meirelles são premiados no LIDE (Grupo de Lideres Empresariais) – Foto retirada do portal R7

Em meio ao debate, incentivado pela mídia e a ignorância do papo de boteco, sobre quem é o partido e o político mais corrupto, perde-se a chance de nos perguntar: quem governa o Brasil?

A pergunta parece ter resposta óbvia. Mas, talvez, nunca tenha sido tão oportuna. Com a enxurrada de delações das operações da Lava Jato, o brasileiro comum, aparentemente, não percebeu que o Brasil, pelo menos desde antes do período da redemocratização pós regime militar, é governado não por aqueles que colocamos em Brasília, nos palácios dos governos de Estado ou nas prefeituras. O país é governado pelas empresas.

Sim, partidos e políticos são corruptos, assim como as empresas. Até o momento, não li nas análises de conjuntura alguém que levante a bandeira de que tanto JBS quanto Odebrecht e tantas outras envolvidas patrocinam ilegalmente com um objetivo bem claro, continuar lucrando a partir do dinheiro público.

Não li, ouvi ou assistir ao debate de que empresas, por meio de financiamento ilícito da política brasileira foi capaz de pautar o Congresso Nacional, comprar juízes, promotores, ministros, aprovaram emendas em pautas estratégicas do país: agronegócio, minas e energia e tantas outras pautas de interesse que afetam diretamente nosso cotidiano.

Falar de algo que acontece em Brasília parece distante da nossa realidade, mas não. Eu ainda recebo em casa minha conta de luz com o logo da Odebrecht. Só o caixa do departamento responsável pelas propinas dadas pela Odebrecht equivale ao PIB de três países.

As empresas compram os partidos e políticos não por preferência ideológica, todos e qualquer partido é alvo disso, se não foi até o momento é por não ter representatividade e potencial para ocupar o cargo que interessa à classe empresarial.

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Quem governa o Brasil? É preciso radicalizar esse debate. A discussão não é encontrar o fulano mais corrupto, mas entender o processo em que está inserido este corrupto e refletir: se uma empresa enriqueceu com dinheiro público (o meu dinheiro e o seu dinheiro) nada mais justo dela torna-se nossa empresa, não?

A quem pertence este patrimônio? Lembramos que a multa, de R$11 bi, pedida pelo ministério público aos empresários da JBS não passa de 6% da receita anual da empresa, ou seja, a empresa lucra cerca de R$111 bilhões por ano.

Todo este dinheiro só foi conquistado às custas de desvios de dinheiro público e compra de políticos, sejam eles quais forem os partidos.

Respondida a pergunta sobre quem governa o Brasil, faço a próxima: quem deve governar o Brasil?

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O Papa está por aqui! Um Amém? Amém!

O presente de Evo Morales escancara, em forma de um símbolo, algo que muitos; capitalistas protestantes, ou socialistas católicos; querem esconder: a inexistência de um Estado Laico

O Papa está em rolezinho por terras latinas. E nesta última quarta-feira (8), Francisco recebeu um presente do presidente da Bolívia que tombou a internet gospel e internautas canhotos. Evo Morales regaló a santidade papal com uma imagem de Jesus Cristo entalhada em madeira, até aí tudo bem, mas o inusitado é que a cruz tem a forma de uma foice e martelo, símbolo histórico do comunismo.

Na imagem da agência de notícias Associated Press, a poker-face de Francisco ao receber o presente de Morales é digna de meme. Mas vamos deixar a expressão facial cômica de lado e falar de política e religião; papo chato pra muitos, né? Uma pena.

A tal “cruz comunista”, como alguns veículos da imprensa tupiniquim estão chamando o presentinho à santidade, não é nenhum escândalo religioso cristão ou político. O que se revela no espanto dos dois lados dessa história é justamente um falso sentido de laicidade estatal tanto em um modo econômico e político progressista; em que preza o bem estar social por meios eficazes de distribuição de renda; quanto em um modo econômico e político conservador; em que o acumulo de capital está no centro do congresso e do mercado.

Se observarmos, com um pouco mais de atenção, a política cristã será possível perceber que a forca religiosa estará presente dentro do Estado, pautando nossa ética-política querendo ou não. É natural que a Igreja Católica se aproxime e tenha mais espaço dentro de governos ditos de esquerda, pró-trabalhadores e afins: “Então Jesus disse: ‘fazei que o povo se assente’; pois havia muita grama naquele lugar. Assim, assentaram-se os homens em número quase cinco mil. Jesus pegou os pães, tendo dado graças, repartiu-os entre os discípulos, e para os que estavam assentados; e da mesma maneira se fez com os peixes, tanto quanto de desejaram.” João 6:10-11.

Do lado dos evangélicos protestantes está toda a ideologia da economia de livre mercado, a ideia que reivindicam sobre a criação do Estado Laico e o acumulo de capital: “Deus é poderoso para fazer que toda a graça lhes seja acrescentada, para que em todas as coisas, em todo o tempo, tendo todo o que é necessário, vocês transbordem em toda boa obra” 2 Coríntios 9:8.

No final do século XX, durante nossa ditadura militar, fica novamente expostos os lados da mesma moeda: enquanto muitos padres e bispos protegiam os “subversivos”,  a igreja protestante organizava a famosa e execrável “Marcha da família com Deus”.

Quem ainda tiver alguma dúvida, não faltam canais religiosos na televisão aberta da família brasileira para tirar alguma dúvida sobre a Teologia da Libertação e a Teologia da Prosperidade – esta segunda, um tanto mais danosa contra diversos grupos minoritários; no último ano, inclusive, até lançaram um exército pró-altar. Serviço público custeado com dinheiro extorquido; alguns preferem chamar dizimo; e impostos do cidadão comum.

Américas

A história do cristianismo nas Américas é curiosa. Enquanto a Igreja Anglicana, já separada do Vaticano e bastante rica, invadiu as terras do que hoje chamamos de norte-americanos e canadenses. Na América Latina a Igreja Católica viu um refúgio, já que no mesmo período o catolicismo afundava junto com seu feudalismo no Velho Continente.

A vinda de espanhóis e portugueses para cá foi visto como novo fôlego para uma religião, já milenar, não afundasse na pobreza. No discurso interno da Igreja, do século XV e XVI nós éramos (e ainda somos) um amontoado de possíveis fieis que financiará a bonança do Vaticano, no discurso externo; o civilizatório: a Igreja do Império Romano nos diz que eles são o único caminho para a salvação aos céus.

Resultado? Escravidão, morte, estupro, misoginia, racismo… qualquer um, com o mínimo conhecimento de ensino fundamental, já sabe o quê foi o período colonial brasileiro. Na argentina não há mais população indígena. No México, quem deseja visitar grandes templos da população nativa desse período vai precisar visitar as catedrais católicas, já que estas últimas foram construídas sobre a história mexicana.

A escolha de um Papa de descendência latino-americana faz todo sentido, quando o Vaticano percebe as mudanças da vida terrena e a sua exaustiva perda de fiéis. Quem é seu inimigo? Sem dúvida não são os pecados corriqueiros, a pedra no sapato continua sendo os protestantes que abrem, cada vez mais, suas igrejas de garagem e conseguem avançar muito mais com seu discursos de prosperidade em tempos capitalista, do que a os católicos que não mudaram tanto sua catequese centralizada e lenta.

A Idade Média nunca acabou

Dentro do contexto apresentado até agora, o Cristianismo não mudou muito. Sua ética-política, sua ética-sexual, sua moral, sua doutrina e todo seu modo civilizatório pervertido continua pelos continentes periféricos: Ásia, África e América Latina.

Na política, por mais próximo de Estado Laico que um país consiga ser; a igreja cristã, com toda sua dominação secular, é peça fundamental para a sobrevivência. Afinal, o cristianismo ainda continua a adestrar, estuprar e matar qualquer corpo rebelde. O convencimento do “vote em mim” é muito mais rápido e fácil dentre de uma igreja cristã do quê em qualquer outra.

Por este motivo, o susto de muitos ao ver uma “cruz comunista” não é por uma possível blasfêmia contra Deus ou escândalo político.  É que o presente escancarou, em forma de um símbolo, algo que muitos; capitalistas protestantes, ou socialistas católicos; querem esconder: a inexistência de um Estado Laico

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O País de infantis

Somos curumins. Maria Bethânia finaliza a resposta de uma pergunta feita pela jornalista Luiza Franco, do jornal Folha de S. Paulo, em entrevista publicada na última quarta-feira (10). Curumim, para quem não sabe, é uma palavra de origem tupi que significa criança. Ora, mas em que contexto a artista disse que somos crianças?

A pergunta queria saber qual é a opinião da artista sobre o boicote, feita pelos evangélicos, à novela “Babilônia”. Para ela o Brasil oscila. Dá sinais de uma modernidade, de uma natureza que é real, nossa. É o Brasil de dentro. As pessoas são lindas, encantadoras. E de repente recua quilômetros e dá uma topada feia. Sai do paraíso para o inferno, do inferno para o paraíso em tudo: política, religião, amor, preconceito. Temos essa coisa muito estremada, muito perdida ainda. Acho que é um pouco infantil. Somos curumins.

Leio a entrevista de Bethânia em um momento que minha cabeceira é ocupada pelo romance “O Velho Negro e a Medalha”, do escritor camaronense Ferdinand Oyono. O romance coloca em xeque as promessas feitas aos africanos do seu país (Camarões) pelos ‘chefes brancos’ em nome de um hipotético tratamento igualitário que jamais se cumpriria. No livro, o tratamento de igualdade entre negros e brancos só existiria se os africanos se curvassem a Deus e engolisse a cruz que Jesus levou.

Para aqueles que conhecem o mínimo da História do Brasil, e o colonialismo no continente latino-americano, é possível fazer diversas conexões (mesmo com as particularidades da História de cada lugar) entre os processos coloniais no continente africano e no nosso.

Comparo o romance de Oyono com o brasileiro “Iracema”, de José de Alencar. Embora o nosso romance explore outro contexto, é possível chocar com a crítica do autor em torno do nascimento do brasileiro; um filho do estupro. Para além do ‘amor’ entre Iracema e o homem branco que veio do outro lado do atlântico, sabemos muito bem como se davam essas relações marcadas por violência física, psicológica, sexual e com a escravidão à flor da pele.

E a igualdade? Na hierarquia social estava a igreja cristã, abaixo a monarquia, os coronéis, os índios batizados e ungidos pela palavra de Deus e lá embaixo, juntos aos animais (como deveriam ser tratados) os negros africanos que não se curvaram a doutrina cristã quando a “civilização” chegou em suas terras, na África.

Vamos dar salto de pouco mais de cinco séculos? Estamos na manhã de quinta-feira, (11), de junho de 2015. O mesmo jornal que entrevistou Bethânia tem, e entre suas manchetes, as seguintes reportagens: “Sob pressão da igreja, Câmara de SP tira palavra gênero de plano de educação”; “Fogueira na PUC”; e “Evangélicos protestam e rezam Pai-Nosso no plenário da Casa”.

Não saímos da Idade Média
A História nos conta que o fim da Idade Média; também conhecida como Idade das Trevas; se dá quando o cristianismo começa a perder território (e poder) na Europa e dá lugar ao Renascimento, período em que a Ciência e a Razão começam a questionar paradigmas impostos pela igreja.

É no fim da Idade Média que os europeus cristãos, correndo de um desastre financeiro e de fé, embarcam em suas caravelas e começam um processo que chamam de ‘levada da civilização aos outros povos’. A premissa é de que eles, os europeus cristãos, tinham a potência do que é ser “civilizado” e deveriam educar os outros. Com essa premissa que desembarcaram na África e na América Latina.

O que quero dizer? A Idade Média apenas mudou de lugar e tempo. Ela apenas saiu do seu berço. A ética e a moral a que adestra os colonizados é a mesma que matou, estuprou e escravizou em nome de um sagrado que sustentava um poder já falido na Europa.

Bethânia está certa. Somos curumins. Ou crescemos para nos tornar guerreiros e pajés da nossa história, ou continuaremos sendo mortos, estuprados e escravizados em tudo: na política, na religião e no amor.

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Reconhecendo a carniça pelo cheiro

Reprodução do comercial do O Boticário

Reprodução do comercial do O Boticário

Esses dias escrevi que sempre fomos bem cheirosos ao me referir à campanha que O Boticário que está no ar em diversos canais da TV a cabo e pública e na internet. Alguns dias passaram e, claro, aqueles titulados de ‘gente de bem’ e dotados da sabedoria cristã não pensaram duas vezes para iniciar uma campanha em massa contra a empresa. O interessante é como eles lidam com a campanha friendly.

De repente O Boticário se tornou o mártir ‘das bichas’ e a maior ameaça contra a família brasileira. Primeiro foi uma chuva de ‘não curtidas’ no vídeo publicado no Youtube, como se este net-ativismo ungido tivesse a capacidade de jogar a marca, os clientes e os funcionários da empresa nas catacumbas do inferno. A reação dos ‘gladiadores’ da bandeira do Orgulho Gay não ficaram para traz, e agora a marcação ‘gostei’ da rede digital de vídeos já alcança o maior número de cliques.

Provavelmente o mais concreto que se pode tirar da repercussão da campanha da O Boticário é seu punho firme em reforçar sua opinião em torno dos clientes. O reforço é possível ver quando a empresa responde uma reclamação na rede Reclame Aqui:

“O boticário acredita na beleza das relações, presente em toda sua comunicação. A proposta da campanha ?Casais?, que estreou na TV aberta no dia 24 de maio, é abordar, com respeito a sensibilidade, a ressonância atual sobre as mais diferentes formas de amor ? independente de idade, raça, gênero ou orientação sexual”.

Como já sabemos O Boticário não é a primeira empresa de cosmético a ser atacado pelos fundamentalistas radicais. A Natura já passou por algo parecido já que patrocina a novela Babilônia. Novela que ‘futuca’ a ferida cristã até o âmago das suas limitações.

Compre! Compre! Compre!
No Facebook criaram um evento para que comprem os produtos da O Boticário. Vivemos em um mundo capitalista e o Pink Money está aí pra isso. Não acredito que seja a melhor das ações, o que não deixa de ser legítima.

Algo é certo. Aqueles, da comunidade do arco-íris que reclama até do amanhecer, porque amanhece, e apontou seus dedinhos indicadores para a O Boticário sendo uma empresa oportunista perdeu a oportunidade de participar de um debate muito maior e profundo que passa do pequeno quadradinho da higienização da sexualidade.

Na terra do Tio Sam
Entre vaias, aplausos e gritos no Season One – Art & Bar, em São Paulo, enquanto era transmitido ao vivo a final de RuPaul’s Drag Race o espanto e o espetáculo não era só com o reality, mas também com o número de comercias friendlys e até mesmo LGBT de produtos e serviços estampando drag queens, transgêneros, gays, lésbicas e bissexuais.

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Subversão

Você gosta de Romero? Olha o absurdo!

Britto

Era virada do ano de 2o13 para 2o14. Estávamos; meu melhor amigo e eu; em um famoso restaurante em Ilhabela sendo recebidos por uma obra de Romero Britto exposta na recepção. A careta flácida e arrogante de alguns que entravam e batiam de frente com uma obra tão “rasa” em um restaurante que servia a “boa” gastronomia da ilha era quase uma atração turística.

Brevemente conversamos sobre o artista pernambucano que ganhou Miami e o mundo com sua arte. Sim, arte – e aprenda a lidar com isso, se você tiver problemas. Eu não gosto, entoou meu amigo.

Romero’s middle-of-the-road. Não sou nenhum consumidor du grand art burguesinha branca paulista e carioca. Embora, por vezes, frequente uma ou outra galeria de São Paulo.

As melhores visitas à arte estão na rua, nas margens. No grafiti; no artista que estica o lençol na Avenida Paulista e expõe seus quadros. Naquele que posta imagens do seu trabalho nas redes sociais e forma seu público sem ter um galerista, um curador, um crítico, um angel, ou uma escola acadêmica por trás. Esse artista é puro.

Romero Britto saiu da margem. Não foi dos berços de ouro dos cariocas ou dos paulistas cheios de metiês do blá blá blá.

Ah! Mas ele ficou rico com as bugigangas dele! Diz o branquelo do Jardins. E respondo: E que bom! E tem que ficar mesmo.

Dá para perceber o real problema daqueles que são o germe do preconceito contra Romero quando ouvimos seus argumentos. Para a Ilustrada, da Folha de S. Paulo, desse domingo, 3,  o diretor do Instituto Volpi Pedro Mastrobueno solta a frágil pérola:

            “A sua obra [de Romero] é ‘fast food’ das artes plásticas. A massa consome com mais facilidade gatinhos multicoloridos, assim como há mais consumidores de cachaça, comparado com quem aprecia um Romanée Conti”.

Pois é; do mesmo modo que o tal do presidente do Instituto Volpi demonstra uma grave crise de vira-lata; ainda vomita preconceito com nossa brasileiríssima branquinha.

Assistindo o canal Arte 1, uma reportagem falava sobre o ótimo desempenho da SP-Arte em um momento de crise econômica; quando percebo que a esmagadora quantidade de fontes mostrada pela reportagem são de artistas branquinhos, cheios de seus  privilégios de viver no berceau de l’art desde quando eram espermatozoides.

E por uma causalidade ‘sem pretensões’ uma esmagadora maioria são paulistas e cariocas que já tiveram exposições em Berlin, Paris, Madri, Barcelona, Nova York, Londres… um ou outro excêntrico encheu as papilas gustativas de saliva para dizer sobre suas inspirações em Tókio.

Tem um pessoalzinho gourmet; de relações que vive no ‘Leblon Paulista’ e ‘Jardim Europa Carioca’ que adora dizer “é pra massa”; para deslegitimar trabalhar que não nasceram do seus clubinhos de luluzinhas cheias da grana para estudar na Europa.

Mas, dear, quem é a massa? Já parou para pensar o quanto você consome de produtos enlatados sem perceber que está consumindo justamente por estar dentro da massa? Ou você acha que sua intensa e profunda ode aos europeus é algo intimamente seu?

Não só nas artes plásticas

As tentativas; por um clubinho burguês classicista; de colocar à margem artistas também invade o campo da Literatura. Vejam só um exemplo: Paulo Coelho.

Não sou eu que vou dizer que ele é o nosso Nobel literário, mas não se pode negar que ele é lido no mundo inteiro, inteiro mesmo: para além das medíocres fronteiras do Oeste europeu – e inclusive sendo leitura obrigatória em muitos cursos honrados de Letras pelas terras do Tio Sam e da Realeza.

Na última semana, a coitada da escritora Ruth Rocha, aos seus 5o aninhos de carreira solta a pérola infame: “Harry Potter não e literatura”. Uma pena.

Esse lance de é ou não; tá dentou ou tá fora; faz ou não faz… não passa de um lero-lero de clubinho da luluzinha que precisa pisar nos alheiros para legitimar seu próprio e essencial trabalho de manter a conta bancária bem gorda com o que chama de A-R-T-E.

Beijos coloridos para vocês; com gostinho de cachaça.

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Jornalismo; a vida como ela é. Só que não

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“Há alguns anos escrevi que as telenovelas assumiram um papel comunicacional maior do que os telejornais. E atualmente elas avançaram mais; dizem mais da realidade brasileira do que os próprios jornais”.  Sentado em das confortáveis poltronas do Memorial da América Latina, em São Paulo, presto atenção a fala do professor doutor em Comunicação da USP Ciro Marcondes Filho. Ele é o responsável pelo curso Re-pensando a Comunicação Contemporânea na América Latina; promovido pela Cátedra Unesco.

Depois de alguns dias assados da sua aula, um dos maiores jornais do Brasil; O Estado de S. Paulo; publica que 17 policiais militares do Paraná foram presos por recusar na última quinta-feira, 28, o comando de seus superiores em atacar os professores manifestantes em Curitiba. Uma tragédia; a notícia era falsa.

O portal de notícias Uol publicou que, de acordo com a assessoria de imprensa da própria polícia paranaense, “não houve recusa e não houve prisão de policiais militares”.

Ainda de acordo com o texto do Uol, a OAB e a Associação dos Praças do Estado do Paraná também disseram que a informação sobre a recusa e a detenção de PMs não se confirmou.

Pintam por aí que as instituições brasileiras perderam a credibilidade. Acredito que o Jornalismo é a ferramenta fundamental para que a democracia de um país se sustente em fortes bases, mas se a credibilidade jornalística for por água baixo será ainda mais triste.

Da mesma forma que não se pode brincar de ser médico ou engenheiro; brincar de jornalismo pode ser muito perigoso. Ser jornalista não é brincar de preencher páginas de Word em branco e mandar para alguém fazer uma arte bonita e publicar.

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