Subversão

Câmara dos Deputados quer discutir a violência contra LGBT nas escolas

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Reprodução da internet

Enquanto Brasília é alvo dos escândalos de corrupção, um golpe institucional e retrocesso de direitos, deputados que compõem a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM) não querem deixar retroceder os direitos e a cidadania da população LGBT, no Brasil.

Prova disso são as pautas que estão em discussão na Comissão, como o Requerimento 48/2017 de autoria do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) que pede a realização de audiência pública da CDHM em conjunto a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional para debater experiências exitosas adotadas nas escolas do Brasil, Chile e Uruguai no combate à violência contra estudantes LGBT.

O pedido tem como argumentação uma pesquisa realizada em 2016 em seis países – Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Peru e Colômbia, e reuniu subsídios importantes para fundamentar a adoção de políticas públicas necessárias que possibilitem transformar as instituições educacionais em ambientes mais seguros e acolhedores para estudantes LGBT.

No Brasil, a pesquisa foi feita pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) e pelo Grupo Dignidade com apoio da Universidade Federal do Paraná.

De acordo com a pesquisa, o ambiente educacional com adolescente e jovens LGBT mostra que, apesar de todos os esforços, ainda estamos bem distantes da realidade de aceitação do outro. No Brasil, 73% dos estudantes sofre bullying, 60% se sente inseguro no ambiente escolar e 37% apanhou dentro da escola.

Peso de Lei
Ainda no debate em torno da proteção e promoção da cidadania e direito das LGBT, a deputada Luizianne Lins (PT-CE) enviou à CDHM na última terça-feira (16) o Projeto de Lei 7292/2017 que pede alteração do art. 121 do Decreto de Lei 2.848 de 7 de dezembro de 1949 do Código Penal, para reconhecer o LGBTcídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio, e o art. 1º da Lei 8.071, de 25 de julho de 1990 para incluir o LGBTcídio no rol dos crimes hediondos.

Na justificativa do projeto estão dados do relatório da violência contra identidade de gênero e orientação sexual realizado em 2013 e publicado pelo governo que sistematizou denúncias feitos pelo Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), Ouvidoria do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Ouvidoria da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM) que identificou entre os casos mais reportados entre violência psicológica: 36,4% são humilhações, 32,3% hostilização e 16,2% são ameaças.

No relatório, as violências físicas aparecem em terceiro lugar, as lesões corporais são as mais reportadas, com 52,5% do total de violências físicas, seguidas por maus tratos, com 36,6%. As tentativas de homicídios totalizaram 4,1%, com 28 ocorrências, enquanto homicídios de fato contabilizaram 3,8% do total, com 26 ocorrências.

De acordo com o site da Câmara dos Deputados, o PL 7292/2017 aguarda designação de relator na CDHM.

Vai ter mais bicha no Congresso
Desde o início de abril (5) está protocolado o requerimento 26/2017 que pede a realização do 14º Seminário LGBT que é tradicionalmente realizado na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

O Seminário LGBT tem por objetivo, nesta edição, pautar em primeiro plano a cidadania e as vidas da população de travestis e transexuais, além de promover o diálogo entre os diversos segmentos da sociedade para a promoção dos direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, bem como discutir aspectos culturais e modo de vida das LGBT.

O requerimento foi assinado por Chico Alencar (PSOL-RJ), Erika Kokay (PT-DF) e Janete Capiberibe (PSB-AP) e pede que o Seminário seja realizado no dia 13 de junho, duas semanas antes do Dia Internacional do Orgulho LGBT, no Auditório Nereu Ramos.

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São Paulo agora tem cineclube com temática LGBT e de graça

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Foto de Bruno Oliveira

De repente lá estávamos pendurando uma cortina branca sobre as prateleiras da biblioteca da Casa 1, no centro de São Paulo, arrumando o projetor, colocando o DVD de São Paulo Hi-Fi, de Lufe Steffen, para rodar e apagando as luzes. Raul Perez, Camila Valentin e eu não escondíamos certo nervosismo e preocupação.

– A caixa de som vai ficar aqui atrás mesmo?

– E a tomada, a gente precisa de adaptador, onde tem adaptador?

– Eita, o computador não tem plugin para DVD…

Bruno Oliveira, coordenador de programação da Casa nos acudia. Ouço a voz de Eduardo Paes Aguiar chegando na calçada: Cadê a Nelsa? Nelsa está por aí? Amigos próximos costumam me chamar assim, Eduardo é um amante e entusiasta do cineclubismo. Tanto que de repente ele sacou do carro uma bolsa com tudo que precisávamos, um salvador da pátria cineclubista. Obrigado!

Raul chama os expectadores que aguardavam do lado de fora com dezesseis minutos de atraso, tudo bem, o importante é que finalmente um sonho estava a realizar. É Sexta-feira Santa (14), 18h16.

– Geralmente se apresenta o filme antes – alerta Eduardo, que de tão nervoso não a fiz. O play já havia dado.

São Paulo Hi-Fi começa a ser exibo.

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Foto de Bruno Oliveira

O filme não poderia ter sido mais oportuno para a ocasião. Imagine! Começar pela a história da noite LGBT paulistana, e ali no centro. Um tempo que quem fazia, nem sabia que se fazia mais do que entretenimento, era resistência. Política.

Do fundo da sala eu me emocionava por dentro, deixei até uma ou duas lágrimas caírem com pouco de recalque, não queria ser tão piegas.

Um mês atrás eu postava em meu perfil no Facebook sobre a vontade de fazer um cineclube com a temática LGBT, uma enxurrada de pessoas veio atrás. Uma semana depois estávamos Mariana Lemos, Raul, Gabriela Souza, Henrique Rodrigues Marques, Luiz Henrique LulaMarcel Schiele e a Camila reunidos na sala de exposições da Casa 1 organizando tudo sem saber muito por onde começar. E foi mágico!

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Foto de Bruno Oliveira

É tocante imaginar por quais lugares a vontade pode nos levar, São Paulo Hi-Fi mostra justamente isso, a vontade que aquelas LGBT tinham de (re)existir, da experiência da existência. Fez muito sentido para mim um poema que li de uma poeta escrava já morta: “viver é menos que existir”. Ali, naquela nossa primeira exibição estávamos existindo.

O filme começa a chegar ao fim, saio da biblioteca em busca de Lufe, e lá está ele acompanhando o finzinho. A sala já iluminada, a cadeira para o diretor posta no meio da tela improvisada, e o debate começa.

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Foto de Bruno Oliveira

Durante o papo o choque de gerações que se complementam. Avançamos na densidade, nas tecnologias, nos modos de nos organizar, mas algo fica claro no que continua o mesmo: a vontade de existir.

Depois de acabado tudo só fica agora a vontade das próximas sessões. Aguardem, inclusive para nossas reuniões de organização. Queremos um cineclube mais plural possível.

Benvindo/a ao CineCores.

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Casamento igualitário é aprovado pela Justiça norte-americana

Por decisão do Supremo, todos os Estados dos EUA são obrigados a celebrar o casamento homoafetivo

Uma conquista para gays e lésbicas norte-americanos; sem dúvida. Assim como no Brasil, o casamento igualitário é aprovado nos Estados Unidos da América por intermédio do seu judiciário. Afinal, nossas semelhanças com os sobrinhos do Tio Sam são bastante, já que a pauta não avançaria em um Legislativo tão conservador quanto o nosso. A diferença é que, por lá, cânceres como o Tea Party (grupo conservador que beira a insanidade política direitista) ganha manchetes pelos maiores jornais do mundo, a nossa bancada evangelista tacanha, de igual devastação contra a democracia, não passa de gente insignificante para a pauta internacional.

O casamento homoafetivo ser conquista por meio da Justiça não faz a vitória ser menor; mas expõe uma ferida que não para de sangrar: a força devastadora em que o moralismo fundamentalista e ultraconservador que estupra, mata, escraviza humanos impera no Ocidente.

Vale lembrar que os Estados Unidos da América é símbolo do apogeu do capitalismo, modo econômico que gira em tono do Capital. Parte desse pensamento econômico tem estreito vínculo com o pensamento teológico cristão-protestante. Onde a prosperidade, o acúmulo do capital e a propriedade são símbolo de prosperidade no Reino de Deus.  (Amém!). O catolicismo não fica de fora; a diferença é que sua fortuna foi construída em dois mil anos de sangue alheio escorrido entre o Oriente e Ocidente; e com um discurso próximo do socialismo.

Essa mesma teologia conservadora e capitalista, que vive por meio do seu estelionato fantasiado de dizimo ao Altíssimo e se esconde por meio de pouca esmola dada a poucos necessitados, desbravou os meandros latino-americanos; em especial o Brasil e, hoje, está em cada cidade deste País formando seguidores votantes em garagens capengas.

É claro que é preciso separar o joio do trigo. Existem almas, nesse limbo execrável cristão, que podem ser salvas. E deve existir uma teologia menos moral e catequista de papelaria. Uma teologia menos barata, persuasiva e escravocrata.

Pois é, benevolente leitor, alguns podem dizer que o ‘casamento gay’ é uma luta menor dentro da militância de gênero. Pode ser se vivêssemos em um mundo ocidental menos cancerígeno como o que vivemos atualmente. Hoje, o casamento igualitário, como direito cívico, é uma ferramenta que garante uma cidadania mais próxima dos privilégios em que a sociedade machista, racista, misógina e homofóbica.  Pelo menos, alguns que optaram pela estrutura familiar ‘tradicional’ (?) terá seguro benefícios como previdência, pensão, plano de saúde e outros benefícios que um casal heterossexual tem; independente da sua religião.

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Um texto para puritanas, pollyannas e provincianas

 

Quem me conhece sabe o quanto sou contra o discurso que alguns LGBT têm de aparentemente tentam criar normas, moralidades, comportamentos e formas do que é o ideal lésbico, gay, bissexual e trans; e consequentemente, a tentativa de criar uma cultura LGBT. Mas, depois de ler alguns comentários nas redes sociais sobre o beijaço na casa do Levy Fidelix (PRTB), me motivei escrever este texto.

Um texto para as puritanas, pollyannas e provincianas que agitam nas redes sociais o retorno das gays, das bis, das lésbicas e das trans ao seus respectivos armários. São contra qualquer tipo de manifestação de amor em público como andar de mãos dadas, dar umas bitoquinhas no parceiro ou parceira nas calçadas dos bons costumes dos brancos, heterossexuais cisgêneros. E provavelmente a atitude mais lamentável, questionar a atitude da bandeira do arco-íris de sair à rua e bater o pé, soltar o verbo e mostrar o corpo de que existimos, merecemos respeito, e acima de tudo, merecemos ser cidadãos.

São estas puritanas, pollyannas e provincianas que confundem libertinagem, com liberdade e com ato político. São elas que têm dificuldade de entender que é quem mostra a cara, os peitos e o beijo aos quatro ventos que colabora para nossa visibilidade e garante, inclusive o direito das recalcadas, de serem recalcadas. São as que desmunhecam e param nas páginas de notícias da internet e na capas dos jornais que mostram nossa fragilidade, nossa falta de direito, nossa bandeira e fortalecem nossa causa.

Puritanas, pollyanas e provincianas dizem por aí que beijaço “suja nossa imagem”. Que sair à rua e erguer a nossa bandeira é um ato não-político. Ora, não foi continuando nas senzalas que os negros conquistaram a liberdade. Não foi continuando esquentando a pança no fogão e esfriando no tanque que as mulheres conquistaram o direito do voto. Não foram dentro da massiva linha de fábrica que os suados trabalhadores alcançaram seus valores.

Então, puritanas, pollyanas e provincianas, acredito que vocês precisam iluminar suas mentes, questionar seus bons costumes e principalmente de que lado do balcão vocês estão.

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Cinco mil manifestantes prometem visitar casa do Levy Fidelix, em São Paulo

Com cerca de cinco mil manifestantes confirmados, está marcado para o próximo sábado, 4 de outubro, às 16h, em frente à casa do candidato presidenciável do PRTB Levy Fidelix o “[Ato Unificado] Beijaço e Trepaço LGBT na casa do Levy Fidelix” . O evento teve início logo após as declarações de Levy no debate presidencial da Rede Record, 29 de setembro. Na ocasião, ele convocou a maioria brasileira a se levantar contra os LGBTs.

Após suas declarações de incitação ao ódio, Levy se reservou ao segundo andar da sede do seu partido. E de acordo com o jornal Folha de S. Paulo, foram retiradas  propagandas eleitorais em torno da sede, e houve aumento no número de seguranças.

Segundo a organização do Ato, Fidelix também mudou de residência, que fica no bairro Campo Belo, em São Paulo. Do número 437, da Rua Pascal, ele mudou para o número 1160, da mesma Rua, onde será feito o ato contra o discurso do então candidato à Presidência da Republica.

Reações

No último debate realizado pela Globo, no Rio de Janeiro, o candidato do PV Eduardo Jorge afirmou que Levy Fidelix deveria pediu desculpas ao Brasil e que ele “envergonhou 99% da população brasileira”. Luciana Genro também disse que se a homofobia fosse crime, Levy “sairia algemando da Record”.

Logo depois da declaração de Levy, que foram levantas por uma pergunta dirigira pela candidata do PSOL Luciana Genro, na Rede Record, a Comissão Especial de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados (OAB), o PSOL e o PV entraram com ações contra o então Candidato.

O site do Ministério Público Federal (MPF) chegou a ficar fora do ar entre os dias 30 de setembro e 1 de outubro, pela quantidade de denúncias que recebeu contra o discurso de Levy.

A rede social Facebook tirou do ar, por quase um dia, o evento “Denúncia coletiva contra Levy Fidelix (Lei 10948/01)”, que recebeu cerca de 6500 apoiadores ao pedido de providências organizado ela coordenadora da Ouvidoria dos Direitos Humanos, ligada à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Irina Karla.

Quem organiza

O “[Ato Unificado] Beijaço e Trepaço LGBT na casa do Levy Fidelix” é composto por militantes LGBT independentes, ANEL, CASVI, Coletivo Ana Montenegro, Coletivo Rua, Fórum Mogiano LGBT (de Mongi das Cruzes, SP), Fórum Paulista LGBT, Fórum Paulista de Travestis e Transexuais, Frente LGBT + Casperiana, GADvS, Mães pela Igualdade, Organizativo da Marcha Lésbica e Bi de SP, Território Livre, União da Juventude Comunista e a União da Juventude Socialista.

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Você já tentou sair com mulher?

Volta e meia esta pergunta é pronunciada por algum colega de trabalho, ou desconhecido quando descobre que sou gay: “Você já tentou sair com mulher?” Às vezes me dá vontade de responder: sempre saio com mulheres, adoro minhas amigas. Compramos bolsas juntas. Quando me fazem esta pergunta sempre me questiono se nesta história são os héteros os pervertidos, que resumem um relacionamento em apenas sexo.

Ser homossexual não está relacionado apenas no prazer em transar com pessoas do mesmo sexo. Não me imagino mantendo uma vida afetiva com uma mulher, não me imagino na vida prática com uma mulher, não imagino esperar no altar a minha noiva entrar de vestido brando e ser abençoado por Deus. Na verdade, nunca imaginei isso e ser gay sempre foi natural pra mim, a sociedade que desnaturalizou este fato.

Alguns héteros adoram apontar o dedo para os gays e afirmarem que minha orientação sexual é uma anomalia perversa contra a natureza humana. E são estes mesmos héteros que me questionam: “mas nunca tentou sair com mulher?” Ora, se casam apenas pelo sexo? Então, acredito que não sou tão pervertido assim.

Não quero dizer que busco um amor romântico. Que um dia meu companheiro vai aparecer em um cavalo branco e dizer “eu te amo”. Claro que não, estou fora disso, é muito açúcar e meu amor é diabético. Quero casar? Sim! Quero ter filho? Com certeza.

Estão esquecendo de que a sexualidade é só um elemento humano, de tantos outros que nos constituem como indivíduo.

Claro, tem bastante gay na pista que já “saiu” com mulheres. Por variáveis razões: pressão familiar, religiosa, social, curiosidade, alto teor alcóolico. E esta “saidinha” não faz dele menos gay, ou coloca a homossexualidade em cachê. Sexo é sexo, não tem segredo.

Sempre que vou fazer o teste de HIV (sim, além praticar sexo seguro, eu faço o teste do HIV. É importante), vi uma sigla interessante: HSH, que significa Homens que fazem Sexo com outros Homens. Comecei a rir na frente da infectologista e perguntei para ela: Cadê a sigla HSM?

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