Subversão

Deu match entre cinema e literatura com temática LGBT. Vem ver

Satyrikon

Satyrikon – reprodução da internet

Deu match no mundo das artes, entre cinema e literatura com a temática LGBT. E a gente shippa mesmo. E para ficar mais gostosinho ainda, vai rolar do dia 9 até 19 de maio, das 19h30 às 21h30, no Sesc Santana a Oficina de Cinema e Literatura – Diversidade sexual da palavra escrita à imagem cinematográfica com Alexandre Rabelo e Lufe Steffen.

A oficina analisa 16 obras literárias: romances, contos e dramaturgia que abordam a temática LGBT e foram adaptadas para o cinema nos últimos 60 anos. Babadeira, não?

De acordo com a divulgação do evento, o objetivo é trazer à luz narrativas que buscaram a diversidade sexual e afetiva, sempre discutindo as diferenças entre as linguagens e revelando os processos de cada adaptação – refletindo sobre o que foi feito e quais os caminhos para o futuro dessa temática.

Não perde não. As inscrições são gratuitas na Centro de Atendimento do Sesc Santana. Clica aqui para saber mais no evento da oficina no Facebook.

Serviço
Oficina de Cinema e Literatura – Diversidade sexual da palavra escrita à imagem cinematográfica
Sesc Santana, av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana, São Paulo
Com Alexandre Rabelo e Lufe Steffen
De 9 a 19 de Maio
Das 19h30 às 21h30
Gratuíto

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Bandeira

São Paulo agora tem cineclube com temática LGBT e de graça

CinceCores LGBT 4

Foto de Bruno Oliveira

De repente lá estávamos pendurando uma cortina branca sobre as prateleiras da biblioteca da Casa 1, no centro de São Paulo, arrumando o projetor, colocando o DVD de São Paulo Hi-Fi, de Lufe Steffen, para rodar e apagando as luzes. Raul Perez, Camila Valentin e eu não escondíamos certo nervosismo e preocupação.

– A caixa de som vai ficar aqui atrás mesmo?

– E a tomada, a gente precisa de adaptador, onde tem adaptador?

– Eita, o computador não tem plugin para DVD…

Bruno Oliveira, coordenador de programação da Casa nos acudia. Ouço a voz de Eduardo Paes Aguiar chegando na calçada: Cadê a Nelsa? Nelsa está por aí? Amigos próximos costumam me chamar assim, Eduardo é um amante e entusiasta do cineclubismo. Tanto que de repente ele sacou do carro uma bolsa com tudo que precisávamos, um salvador da pátria cineclubista. Obrigado!

Raul chama os expectadores que aguardavam do lado de fora com dezesseis minutos de atraso, tudo bem, o importante é que finalmente um sonho estava a realizar. É Sexta-feira Santa (14), 18h16.

– Geralmente se apresenta o filme antes – alerta Eduardo, que de tão nervoso não a fiz. O play já havia dado.

São Paulo Hi-Fi começa a ser exibo.

CinceCores LGBT 2

Foto de Bruno Oliveira

O filme não poderia ter sido mais oportuno para a ocasião. Imagine! Começar pela a história da noite LGBT paulistana, e ali no centro. Um tempo que quem fazia, nem sabia que se fazia mais do que entretenimento, era resistência. Política.

Do fundo da sala eu me emocionava por dentro, deixei até uma ou duas lágrimas caírem com pouco de recalque, não queria ser tão piegas.

Um mês atrás eu postava em meu perfil no Facebook sobre a vontade de fazer um cineclube com a temática LGBT, uma enxurrada de pessoas veio atrás. Uma semana depois estávamos Mariana Lemos, Raul, Gabriela Souza, Henrique Rodrigues Marques, Luiz Henrique LulaMarcel Schiele e a Camila reunidos na sala de exposições da Casa 1 organizando tudo sem saber muito por onde começar. E foi mágico!

CinceCores LGBT 3

Foto de Bruno Oliveira

É tocante imaginar por quais lugares a vontade pode nos levar, São Paulo Hi-Fi mostra justamente isso, a vontade que aquelas LGBT tinham de (re)existir, da experiência da existência. Fez muito sentido para mim um poema que li de uma poeta escrava já morta: “viver é menos que existir”. Ali, naquela nossa primeira exibição estávamos existindo.

O filme começa a chegar ao fim, saio da biblioteca em busca de Lufe, e lá está ele acompanhando o finzinho. A sala já iluminada, a cadeira para o diretor posta no meio da tela improvisada, e o debate começa.

CinceCores LGBT 1

Foto de Bruno Oliveira

Durante o papo o choque de gerações que se complementam. Avançamos na densidade, nas tecnologias, nos modos de nos organizar, mas algo fica claro no que continua o mesmo: a vontade de existir.

Depois de acabado tudo só fica agora a vontade das próximas sessões. Aguardem, inclusive para nossas reuniões de organização. Queremos um cineclube mais plural possível.

Benvindo/a ao CineCores.

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